quarta-feira, fevereiro 04, 2015

INDOURO FEST

Primeiro nome a ser anunciado para a primeira edição do InDouro Fest, que irá ocorrer nos dia 2/3 de Maio na Serra do Pilar. É caso para exclamar ooh la la!


terça-feira, fevereiro 03, 2015

Conduct - "Fear And Desire"


"Fear And Desire" é o registo de estreia dos canadianos Conduct, um quarteto originário de Winnipeg que resulta da extinção dos desconhecidos Departures, para além da inclusão de elementos dos Tunic e Cannon Bros.
Gravado no Electrical Audio com Steve Albini a tomar conta da gravação e Bob Weston da masterização, é óbvio que quem recruta dois elementos dos Shellac sabe muito bem que sonoridade pretende que o seu disco emane, e o que exala deste "Fear And Desire" é um rock agressivo, com fundações assentes no pós-punk e hardcore com alguns apontamentos industriais e experimentais, territórios para os quais Albini e companhia têm contribuído ao longo da sua carreira, seja através de bandas ou produção.
Com alguns momentos mais óbvios e outros um pouco à deriva, no entanto "Fear And Desire" possuí argumentos mais do que suficientes para obter uma nota positiva e criar expetativas para o futuro. Apreciadores de Young Widows, Pissed Jeans, Dope Body e Metz podem e devem ouvir aqui por tempo determinado.

sexta-feira, janeiro 30, 2015

Twerps - "Range Anxiety"


Após o bem sucedido álbum homónimo editado em 2011, os australianos Twerps regressam com um sedutor segundo registo no qual a marca da histórica editora neozelandesa Flying Nun (The Chills, The Clean, The Verlaines) se faz notar assim como os catálogos da Sarah Records e da escocesa Postcard, mas a meu ver a maior influência aloja-se no grandioso cancioneiro dos conterrâneos The Go-Betweens, algo que a banda já manifestou abertamente.
"Range Anxiety" é pop por todos os poros, seja na vertente twee, jangle ou simplesmente indie, composto 12 canções que tanto remetem para os exemplos acima citados, como para a fornada C86, os subvalorizados Talulah Gosh, a simplicidade dos Beat Happening, os omnipresentes Pastels, as guitarras cristalinas dos Felt, ou exemplos mais recentes como os Veronica Falls e Real Estate, sem esquecer os momentos mais cândidos dos Yo La Tengo.
Apesar de tantas e tão óbvias referências, este disco sobressai dada a qualidade de canções como "I Don't Mind", "Back To You"(óbvio single de antecipação), "Stranger", "White Snow", e o melhor é parar por aqui, senão acabo por citar todo o alinhamento!
Atualmente em digressão com os Belle & Sebastian, estou certo que os Twerps irão conquistar inúmeros admiradores e com o ano ainda a dar os primeiros passos o disco perfeito para o próximo Verão já está escolhido.

terça-feira, janeiro 27, 2015

The Trip (Psychedelic Sounds Vol.1)

The Trip (Psychedelic Sounds Vol.1) é uma mixtape assente em sonoridades psicadélicas desde o seu inicio na década de 60 até à nova vaga que marca e bem o panorama musical. Segundo volume será lançado em breve. R.I.P. Kim Fowley.

 

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Meat Market


A propósito de uma segmento na Out of Focus TV denominado American Music, no qual algumas novas bandas californianas revelam mais sobre si, como é o caso dos Twin Steps, dos Shannon & The Clams e do quarteto Meat Market, cujo som cativou-me e num ápice fui parar ao seu bandcamp onde o álbum de estreia datado de 2012 encontra-se disponível para download, tendo sido editado apenas em vinil pela Under The Gun Records.
Com uma sonoridade assente num garage-rock-surf-punk-pop, os Meat Market revelam-se eficientes obreiros de um cancioneiro que decerto anima qualquer festa, e pelo documentário deu para comprovar que ao vivo sabem mexer com o público e não é por acaso que já partilharam o palco com os Fidlar, Together PANGEA e Asmuteants entre outros.
Desde então apenas gravaram um single em 2013 e revelaram 2 novos temas em 2014, mas ao que apurei, este ano temos a promessa de um novo disco que aguardo com alguma expetativa.

sexta-feira, janeiro 23, 2015

FIDLAR - IF IT MAKES YOU HAPPY (ft. Cheryl Kro)

Autores do melhor hino para bebedeiras deste século com "Cheap Beer" incluído no homónimo registo de estreia datado de inícios de 2013, os Fidlar voltaram à carga recentemente com uma versão curiosa do hit single de Sheryl Crow - "If It Makes You Happy". Não satisfeitos em recriar a música, aproveitaram igualmente o vídeo original. Recorde-se que os Fidlar contam no seu historial com versões de Nick Cave e Elliott Smith. Novo álbum está a ser preparado e quem sabe será editado este ano.

 

quarta-feira, janeiro 21, 2015

Disappears - "Irreal"

Outrora um projeto paralelo de Brian Case (Ponys, 90 Day Men), os Disappears entretanto contam já com cinco álbuns no currículo e umas quantas variações sonoras.
"Irreal" revela uma banda a entranhar-se nos terrenos complicados mas compensadores do art-rock, em particular nos primórdios de bandas tão influentes quanto os Sonic Youth e Swans, absorvem igualmente resquícios da no wave e do pós-punk com pendor industrial e ainda piscam o olho a atmosferas góticas da vertente Bauhaus.
Com uma excelente produção a cargo do deveras solicitado John Congleton e gravado nos Electrical Audio Studios de Steve Albini, "Irreal" revela-se um disco negro tal como a sua capa, denso e bastante claustrofóbico, mas é um local de onde não desejamos sair, e verdade seja dita, gostamos de lá ficar.
Para além das referências ao passado, podemos inclusive encaixar este disco no mesmo lote de bandas como os Liars (fase alemã), Soft Moon, Yvette e A Place To Bury Strangers e facilmente tiram a pinta ao primeiro grande disco deste ano.


Podem descarregar o tema "Another Thought" aqui.

terça-feira, janeiro 20, 2015

A Blues Explosion está de volta!

Após o desinspirado álbum "Meat and Bones" de 2012, a Blues Explosion comandada pelo carismático Jon Spencer regressa em Março com um novo registo "Freedom Tower - No Wave Dance Party 2015" e obviamente é dedicado a Nova Iorque, em particular à época em que a cidade fervilhava com o fenómeno Disco, a No Wave, o nascimento do Hip-Hop, o CBGB'S, o Punk e a Pop Art. Tudo isto pode ser comprovado no vídeo de "Do The Get Down". Promete!

Swings - "Detergent Hymns"


"Detergent Hymns" é o primeiro longa-duração do trio Swings (outrora Anchor 3), proveniente de Tenleytown, Washington D.C., a capital de distrito onde a mítica editora Dischord tem revelado inúmeros projetos locais desde 1980. Muito embora este não seja o caso, (ficou a cargo da Quiet Year Records no formato cassete) o espirito DIY continua bem patente.
"Detergent Hymns" deambula por terrenos slowcore, post-hardcore e post-rock, rótulos que tiveram o seu maior impacto na década de 90 mas cujo legado revela-se de boa saúde a avaliar pelo desabrochar de dezenas de boas bandas principalmente nos States.
Não se colando de uma forma óbvia a nenhum estilo ou banda, contudo referências aos Codeine, Slint, New Year, Chokebore, Logh, Seam ou Shudder To Think fazem-se notar ao longo das 9 faixas que o compõem e que poderá ser descarregado aqui.
Se a nível instrumental a banda dá conta do recado, no que a vocalizações diz respeito ainda não consegui encaixar totalmente com o tom arrastado/desafinado/emocionado, pois se por um lado fogem do convencional, por outro tendem a tornar-se maçadoras e esta será a única nota negativa a apontar.

domingo, janeiro 18, 2015

Mall Walk


Enquanto pesquisava no Soundcloud da editora Vacant Stare Records os interessantes Stalls, dei por mim a ouvir outra das suas bandas, mais concretamente o ep de estreia dos Mall Walk editado apenas em cassete em Outubro passado e que pode ser escutado aqui.
As 5 faixas que o preenchem vagueiam por entre guitarradas surf, psych-pop, espasmos sónicos e post-punk, servindo como excelente cartão de visita para este trio oriundo de Oakland composto por Daniel Brown, Nicholas Clark e Rob Miller.
Destaque ainda para o facto de já terem partilhado o palco com bandas tão recomendáveis quanto os Ought, Terry Malts, Creepoid, Creative Adult entre muitas outras que povoam o fervilhante underground americano. Uma banda definitivamente a seguir.

segunda-feira, janeiro 12, 2015

Rye Pines - "A Portrait of Dissonance as a Young Man"


Os Rye Pines são um duo oriundo de Boston  em vias de editar um novo ep "Dead Ocean". Enquanto esse disco aguarda por ver a luz, o primeiro álbum  "A Portrait of Dissonance as a Young Man" está prestes a cumprir um ano que foi lançado e pode ser descarregado gratuitamente aqui.
Com uma óbvia influência dos Modest Mouse a pairar sobre a sua música, esta dupla consegue ainda assim seduzir o ouvinte com o seu indie rock repleto de nervo com aproximações aos Built To Spill, Japandroids e Frank Black.
Não sendo uma gravação catalogável de lo-fi, acredito que com uma melhor produção este disco teria outro impacto, no entanto é deveras recomendável e acreditando no seu valor, decerto descolarão em breve para uma sonoridade mais própria.

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Fat White Family - "I Am Mark E. Smith"

Os promissores Fat White Family ou Fat Whites acabam de lançar pela Without Consent, editora pertença da banda, um novo 10" limitado com o sugestivo título "I Am Mark E Smith". Para quem não sabe o Mark é o líder dos The Fall e a faixa em si soa mais a T-Rex com uma valente dor de cabeça! O vídeo tenta descrever um dia na vida de Mr. Smith ou algo do género.



quarta-feira, janeiro 07, 2015

Chastity Belt

Chastity Belt  é a nova aposta da editora Hardly Art, em cujas fileiras militam bandas tão recomendáveis quanto os Tacocat, Shannon & The Clams, La Sera, Protomartyr entre muitas outras.
"Time To Go Home" tem data prevista para 24/03 e é o segundo longa duração deste quarteto feminino praticante de um fuzz-pop na linha de bandas como as Vivian Girls. Por agora ficamos com o aperitivo que dá titulo ao álbum e que pode ser descarregado gratuitamente.

segunda-feira, janeiro 05, 2015

Topshelf Records 2014 Sampler

A editora Topshelf Records sediada em Boston acaba de disponibilizar um sampler relativo ao ano de 2014 contendo 93 faixas e o melhor de tudo é que pode ser descarregado gratuitamente aqui


sábado, janeiro 03, 2015

Mouca Mixtape 8

A editora Mouca (sim, somos da mesma família) especializada na edição de cassetes, acaba de lançar a 8ª mixtape e pode ser apreciada e descarregada livremente. 11 temas onde o lo-fi impera, a pop está presente em quase todos os temas, o shoegaze dá um ar da sua graça e alguma eletrónica caseira pica o ponto também.

2014 em concertos

Em época de balanços deixo-vos com uma lista dos concertos a que assisti no ano que acabou de findar. Infelizmente a febre dos festivais ao ar livre está em alta originando que boas bandas apenas passem por cá nessa ocasião. Quem fica a perder sou eu mas confesso que não sou nada adepto desta forma de levar a música às pessoas. Poderia ficar aqui a dissertar sobre o assunto mas ninguém tem tempo para ler textos extensos, por isso, segue a dita por ordem de visionamento. A escolha do melhor recai obviamente sobre os Swans algo que vai muito para lá de um mero concerto transformando-se numa experiência sensorial. Destaque ainda para a iniciativa do concerto secreto dos Guerilla Toss, ter o Calvin Johnson pendurado em mim numa foto e ter passado som a seguir aos Fujiya & Miyagi.


HU + Pterossauros - 24/01 - canhoto
Holy Wave - 20/02 - Canhoto
Wooden Sjhips - 05/03 - hard club
Scorton Silver Arrow + peixe- 07/03 - Mercedes
Tamar Aphek - 16/04 - Canhoto
Old Yellow Jack - 18/04 - Mercedes
Calvin Johnson + Moxila - 01/05 - Passos Manuel
Les Synapses + Dirty Coal Train - 02/05 - Canhoto
Crocodiles + Be Forest + Spy On Mars - 03/05 - Hard Club
ZA! + Schnaak and the Rundu Choir - 08/06 - Maus Habitos
Kid Congo and The Pink Monkey Birds - 13/06 - Armazém do Chá
Girls Names + Japanese Girl - 27/09 - Hard Club
Amplifest: Peter Brotzmann & Steve Noble, Marissa Nadler, Swans, Pharmakon - 04/10 - Hard Club
Amplifest: Wovenhand, Cult of Luna, VVovnds - 05/10 - Hard Club
Fujiya & Miyagi + rainy days factory + O manipulador - 25/10 - Hard Club
Maybeshewill + Flood of Red + Memoirs of a Secret Empire - 06/11/ - Hard Club
The Wands - 20/11 - Maus Hábitos
Esben & The Witch - 28/11 - Hard Club
Guerilla Toss + PlusUltra - 01/12 - (local secreto)

sexta-feira, janeiro 02, 2015

Broken Social Scene - "Golden Facelift"

"Golden Facelift" foi gravada durante as sessões de "Forgiveness Rock Record" de 2010, tendo sido recentemente resgatada para ser incluída numa compilação levada a cabo pelo jornal canadiano "The Globe And Mail". Confesso que fui perdendo interesse neste colectivo com o passar do tempo, mas ao ouvir este tema com a sua interessante dinâmica deu para avivar a memória de quando tropecei neles pela primeira vez e o entusiasmo daí resultante. Ajuda igualmente ter um vídeo assente numa colagem de imagens,(espécie de resumo do ano em 5 minutos) onde o bom e o mau se fundem e espelha um 2014 que de acordo com a banda “has not been without its beauty, but it has also been a year of incredible brutality and all of humanity has a great deal to answer for.”

domingo, dezembro 21, 2014

Os Melhores de 2014


Muita, mas mesmo muita música foi editada este ano. Como tal, eleger os melhores discos entre tanta oferta torna-se algo deveras complicado e por conseguinte os supostos melhores acabam por revelar, acima de tudo, os discos que mais me agradaram no cômputo geral, mesmo num ano em que tive mais tempo para investigação e audição.
A lista que se segue é composta por 50 títulos por ordem alfabética com uma pequena resenha, onde o psicadelismo impera nas suas diversas variantes, em que a atual dança /electrónica continua a não me seduzir, onde vários deles foram descarregados livremente no Bandcamp e onde não há lugar a melhor disco do ano, embora o dos Goat fosse o mais forte candidato. Provavelmente a minha fasquia de qualidade anda um pouco rasteira, ainda assim, mais de uma dezena ficou à porta e aposto que mais uns quantos vão ser descobertos no decorrer de 2015. A história é sempre a mesma mas no fim o que conta é o prazer de ouvir música. BOM ANO!


01.Adebisi Shank - This Is the Third Album of a Band Called Adebisi Shank 
Terceiro e derradeiro registo deste trio irlandês cuja fusão de rock matemático, electrónica e vocalizações robóticas foi suficiente para criarem um culto à sua volta. Com um pouco mais de esforço e poderiam ter chegado ao patamar dos Battles.



02.Allah-las - Worship The Sun
Uma banda com tantas referências a L.A. (o nome, a localização, a sonoridade) é óbvio que este segundo registo iria manter as influências que fizeram do disco debutante um pequeno fenómeno (surf-rock, Byrds, Love). Embora não tão imediato mas com uma melhoria em termos de arranjos, "Worship The Sun" cumpre mas terão que fazer algumas mexidas para o próximo.



03.Alvvays - Alvvays
Um dos discos de estreia mais aclamados pela critica musical este ano, "Alvvays" é um belo exemplo de como a música pop deveria ser: boas melodias, arranjos interessantes, uma voz cativante mas sem floreados, letras melancólicas e refrões que colam ao cérebro. Sou só eu que noto a influência dos Belly?



04.Amazing Snakeheads - Amphetamine Ballads 
Esta banda oriunda de Glasgow editou um negro disco debutante, onde as sombras de Nick Cave, Gallon Drunk, Flaming Stars, Suicide ou até mesmo dos companheiros de editora Sons & Daughters e Kills são projetadas por entre a fumarada de clubes noturnos de má fama.



05.Austerity Program - Beyond Calculation
Este duo de NY não é muito prolifico (isto de ser músico não está fácil) mas também não me parece que estão com pressa para despachar material. Acima de tudo, são tipos atentos ao detalhe (isto de ter uma caixa de ritmos obriga a ser muito certinho com os tempos) e a sua sonoridade Big Black / Shellac, Godflesh, Jesus Lizard também não alinha com modas passageiras. Nota: O disco pode ser descarregado livremente no Soundcloud ou Bandcamp.



06.Beverly - Careers
A união de esforços entre Frankie Rose e a desconhecida Drew Citron dos Ava Luna resultou num disco com uma sonoridade muito próxima ao registo de estreia de Rose, que entretanto regressou à sua carreira a solo, e a toda uma fornada indie-fuzz-pop (Best Coast, Vivian Girls, La Sera, Dum Dum Girls) que por mais óbvias que sejam as influências continua a soar sedutor, e este disco não é excepção.



07.Cheatahs - Cheatahs
Após um par de ep's que os colocaram no mapa e que levou a assinar um contrato com a Wichita, o homónimo disco de estreia desta banda liderada pelo canadiano radicado em Londres Nathan Hewitt, confirma que temos uma banda imersa nos 90, seja através da vertente mais sónica ou a facção shoegaze. Um bom disco mas que terá de ser mais original no próximo capitulo. 



08.Creepoid - Creepoid
"Horse Heaven" o disco de estreia desta banda de Filadélfia foi uma boa surpresa e "Creepoid" vem cimentar a opinião de que  são uma banda a ter em atenção. A sua fusão de grunge-shoegaze-post-rock-slowcore com tonalidades psicadélicas é um regalo para os ouvidos.



09.Dean Wareham - Dean Wareham
Outrora membro dos Galaxie 500, Luna e da dupla Dean & Britta, surge finalmente o longa duração em nome próprio e como seria de esperar não existem surpresas mas basicamente aquilo que Wareham faz e muito bem: canções de recorte clássico cantadas no seu timbre tão característico, letras contemplativas, melodias que trauteamos facilmente com uma boa produção a cargo de Jim James dos My Morning Jacket. Simplicidade, sinceridade e bom gosto resulta em discos como este.



10.Dope Body - Lifer
Donos de uma sonoridade mergulhada no noise-rock, post-hardcore e o grunge com costela metaleira, o novo registo desta pandilha de Baltimore é daqueles que deixa o ouvinte atordoado como se tivesse levado uma carga de porrada, ou de uma forma mais ligeira, é ótimo para libertar o stress. Tipico registo que na década de 90 seria editado pela Amphetamine Reptile ou a Touch & Go.



11.Esben & The Witch - A New Nature
Confesso que aquando da sua passagem pela Matador nunca me deixei levar por esta banda, com este terceiro disco auto-editado em regime crowdfunding e gravado por Steve Albini, o caso mudou de figura. Mais visceral como seria de esperar e com inclinação para o território Swans, pós-rockeiro e aquela voz tão próxima a P.J. Harvey, o trio parece ter encontrado o seu som e a curta mas intensa atuação no Hard Club deu para o confirmar.



12.Ex Hex - Rips
Veterana do universo indie, Mary Timony possuí uma carreira com passagens pelos Autoclave, Helium, Wild Flag (com 2 Sleater-Kinney), discreta carreira a solo e agora as Ex Hex, um power-pop-trio decidido a recuperar uma sonoridade mais 70's, seja através do glam, do punk, da new wave e até de algum rock FM. O resultado foi um viciante disco de festa para por a tocar bem alto numa noite de sábado rodeado de amigos e cerveja.



13.Geronimo! - Cheap Trick
Trio de Chicago editam o seu terceiro disco na mui recomendável Exploding In Sound Records. Tipico disco de quem cresceu a ouvir um pouco de tudo dentro de um universo mais alternativo, tanto temos eletrónica marada aparentada dos Devo, post-hardcore às pazadas, berreiro constante próximo dos Mclusky, guitarradas em frenesim ou com toques à Pavement, tudo com uma urgência e agressividade como se fosse o último dia na terra. Discaço que pode ser descarregado no Bandcamp.



14.Goat - Commune
Como referi na introdução, o segundo álbum desta pandilha de mascarados nórdicos foi um dos mais entusiasmantes deste ano. A sua fusão psych-rock-world-dance resulta em pleno e só não assegura o primeiro lugar porque faltou-lhe assim um "bocadinho" para lá chegar.



15.Gulp - Season Sun
Belo registo de estreia do casal Guto Pryce dos Super Furry Animals e a sua esposa Lindsey Leven.
Combinaram melodias folk-pop na linha dos Free Design, adicionaram uma camada psicadélica tão em voga, acrescentaram elementos kraut, prog, Morricone e synth-pop, e apesar de nos trazer à memória uma catrefada de bandas, soa bastante original.



16.Have A Nice Life - The Unnatural World
Segundo álbum do duo Have A Nice Life cujas elogiosas criticas referem influências que vão do shoegaze dos My Bloody Valentine, passando pelo pós-punk dos Joy Division e Cure, piscando o olho ao gótico via Bauhaus, até ao industrial mais acessível dos Depeche Mode e Nine Inch Nails, sem esquecer uma ambiência doom/black metal. Não é um disco fácil mas acaba por entranhar-se.



17.Holy Wave - Relax
Composições garage-surf-pop com valentes camadas de reverb e um teclado vintage a fazer-se notar seja em temas mais lânguidos na linha dos Psychic Ills ou mais acelerados a la  13th Floor Elevators. Um ótimo concerto num espaço exíguo em Fevereiro fez com que ficasse ainda mais fã deste disco.



18.Hookworms - The Hum
Após o estrondoso impacto de "Pearl Mystic" editado o ano passado, os Hookworms não perderam tempo e editaram "The Hum" no qual refinaram a sua fusão garage-psych-kraut-drone-punk com excelentes resultados. Eles não querem deixar os seus empregos mas não tarda vão perceber que já existe uma legião que os admira, e verdade seja dita, é totalmente justificada.



19.Ibibio Sound Machine - Ibibio Sound Machine
Mais uma estreia em grande por parte deste coletivo londrino liderado pela nigeriana Eno Williams.
Um caldeirão de influências (disco, post-punk, electro, funk e afrobeat) que resulta em pleno. Com um ouvido no continente africano e outro nas grandes metrópoles, esta máquina sonora certamente coloca qualquer um a dançar.



20.Lorelle Meets The Obsolete - Chambers
Banda mexicana que só agora tive o prazer de conhecer através deste "Chambers", o seu terceiro álbum. Valentes doses de space-psych-kraut-rock com ocasionais inclinações para o shoegaze ou o indie-rock mais sónico. Ingredientes certos para avariar a mioleira!



21.Mazes - Wooden Aquarium
Se "Ores & Minerals" o anterior registo do trio Mazes assegurou com todo o direito um lugar na lista de 2013, este "Wooden Aquarium" tem igualmente todas as qualidades para o fazer este ano. Uma pop que evita lugares comuns mas que não entra por experimentalismos inconsequentes e uma vertente pós-punk sem exageros e sempre com um sentido melódico a toda a largura.



22.Midriffs - Subtle Luxuries
Uma das melhores descobertas deste ano foi este disco dos Midriffs, banda de Boston apostada em fazer um belo cagaçal através do seu surf-garage-punk-pop, algo que garantidamente acontece e para a descoberta ter tido contornos a roçar a perfeição, "Subtle Luxuries" pode ser descarregado gratuitamente!



23.Nick Waterhouse - Holly
O produtor dos Allah-Las retorna com mais uma dose bem servida de soul / R&B/ swing/ rock & roll com uma produção a condizer e a receita continua a funcionar plenamente. É de facto uma viagem a outros tempos mas com a pinta deste conjunto de canções, vale sempre a pena embarcar.




24.Ought - More Than Any Other Day
Estreia dos canadianos Ought na Constellation seria algo perfeitamente normal não fosse o caso do som desta banda não encaixar com a estética mais pós-rockeira da editora. Letras de cariz politico e muitas interrogações, estética punk e uma variedade sonora que soa familiar mas que a banda vira do avesso. Não é por acaso que figuraram em muitas das listas dos melhores de 2014.



25.Parkay Quarts - Content Nausea
Embora provoque alguma confusão esta mudança de designação, a meu ver esta banda sendo apenas 50% dos Parquet Courts e com outros elementos, deve ser vista como um projeto paralelo e não uma brincadeira à volta do nome. Dito isto, "Content Nausea" soa basicamente à banda-mãe com uns piscadelas ao Devo, versões de Nancy Sinatra, incursões num território mais country e " Uncast Shadow Of A Southern Myth" garantidamente uma das melhores músicas deste ano.



26.Parquet Courts - Sunbathing Animal
Não tão "apunkalhado" como o deslumbrante disco de estreia "Light Up Gold" mas ainda assim com inúmeros pontos em comum, "Sunbathing Animal" é a continuação natural com mais elementos post-punk, alguns temas mais longos mas no geral é um somatório de diversas influências num disco coeso, viciante e que assegura um lugar de destaque no atual panorama indie.



27.Posse - Soft Opening
São de Seattle mas a sua sonoridade nada tem a ver com aquilo que regra geral é associado à capital de Washington , e que felizmente tem vindo a desaparecer. Por aqui temos um indie/pop /rock na linha dos Yo La Tengo, Feelies, Galaxie 500, Beat Happening. Simplicidade é a palavra de ordem num disco que poderemos adjetivar de bonito.




28.Proper Ornaments - Wooden Head
O argentino Max Claps une esforços novamente com James Hoare dos Veronica Falls e constroem um álbum assente na paixão que nutrem por bandas como os Velvet Underground, Love, Felt, Byrds, Beach Boys, The Jesus & Mary Chain, Teenage Fanclub, Ride entre outras. Apesar da fácil percepção das influências, as suas composições são  do mais "catchy" e é certo que voltamos a ouvi-las com todo o prazer.



29.Quilt - Held In Splendor 
Pegando numa base folk-rock, os Quilt acrescentam texturas enriquecedoras às suas composições, transformando este segundo disco num belo exemplo de conjugação de melodia, harmonia e arranjos sem parecer saturado ou sobre-produzido.



30.Real Estate - Atlas
Ao terceiro álbum os Real Estate consolidam o seu estatuto como uma das melhores bandas pop da atualidade. Prosseguindo no mesmo trilho inciado com "Real Estate" e "Days", não existem grandes novidades neste disco, apenas um aprimorar da sua sonoridade e uma piscadela de olho a um country-pop sem descambar.



31.Reverend Horton Heat - Rev
O que faz com que um disco desta veterana banda surja nesta lista não é um caso de nostalgia mas sim a confirmação de que Jim Heath e parceiros continuam a soar tão bem como nos seus melhores registos da década de 90. Rockabilly, garage, rock & roll, surf, mariachi e exótica combinadas de forma superior.



32.Sex Hands - Pleh
Recuperadores de uma estética "arty-lo-fi-do-it-yourself" que parte do pós-punk, o disco de estreia dos Sex Hands na excelente Faux Discx pertença de um elemento dos Cold Pumas,  soa aos primórdios dos Pavement, a bandas indie neozelandesas e a um surf-garage-rock na linha dos Hooded Fang ou Sonny & The Sunsets. Mais que tudo é um disco divertido e isso continua a ser bom.



33.Shellac - Dude Incredible
Albini, Weston e Trainer regressam com o seu quinto disco. Se o anterior "Excellent Italian Greyhound" ficou uns furo abaixo do habitual, neste "Dude Incredible" o trio está em plena forma e comprova mais uma vez que o seu rock agressivo e matemático continua a saciar estes ouvidos, sem esquecer a sua forma de estar no mundo da música.



34.Sleaford Mods - Divide And Exit
Confesso que inicialmente não fui muito à bola com este duo de Nottingham pois apesar de encontrar pontos de interesse, fiquei com a impressão que eram algo limitados. Recentemente voltei à carga e desta feita encaixei neste curioso universo de histórias repletas de dejetos, bebedeiras e palavrões a rodos. Dos The Fall passando por John Cooper Clarke até aos Streets, os Sleaford Mods prosseguem com o mesmo espirito de relatar a particular realidade britânica com um corrosivo sentido de humor.



35.Solids - Blame Confusion
Os Solids são um duo (guitarra / bateria) canadiano que não fogem muito da sonoridade dos conterrâneos Japandroids e Death From Above 1979. Adicione-se a escola indie americana dos Sonic Youth, Dinosaur Jr. ou exemplos mais recentes como os Metz e Paws e temos argumentos para um bom disco debutante, ficando por demonstrar no próximo disco se descolam de tão óbvias referências.



36.Soundcarriers - Entropicalia
Não foi preciso sequer chegar ao fim deste disco para perceber que tinha lugar garantido nesta lista. Colmatando o desaparecimento dos Stereolab e Broadcast, o terceiro álbum dos Soundcarriers conjuga, tal como os exemplos citados, easy-listening, jazz, bossa nova, tropicália, kraut, bandas sonoras vintage e obviamente o psicadelismo alucinogénico de outros tempos.



37.Swans - To Be Kind
Desde que regressaram ao ativo em 2010 e após discos tão louvados como "My Father Will Guide Me Up A Rope To The Sky" e "The Seer", Michael Gira e companhia continuam com uma qualidade e produtividade acima da média. Possuem um som único assente em excelentes músicos que recriam o que  a mente alucinada de Gira cria e ao vivo são uma coisa fora-de-série.



38.Tacocat - NVM
Os Tacocat são pop como as bolinhas coloridas que ilustram a capa do seu segundo álbum. São mais uma banda de Seattle, que como muitas outras da região, encontra forma de editar via Hardly Art uma subsidiária da Subpop com um catálogo invejável.  "NVM" é um belo disco de verão, daqueles que tocam em repeat seja no MP3 ou no leitor do carro.




39.Teleman - Breakfast
Com o fim dos subvalorizados Pete & The Pirates, parte da banda retorna sob a designação Teleman e com algumas alterações sonoras. A veia pop é impossível de disfarçar mas as guitarras nervosas dos Pirates dão lugar a um synth-pop que tanto se inspira nos Kraftwerk, nos anos 80, nos Grandaddy e até temos arranjos de cordas e saxofone. Acima de tudo mais um atestado de qualidade da composição de Thomas Sanders.



40.Temples - Sun Structures
Um dos discos mais aguardados deste ano, a estreia no formato longa duração dos Temples acabou por confirmar as expectativas criadas à sua volta. Uma pequena obra-prima de pop psicadélico/barroca onde não faltam as evidentes inspirações dos Beatles, Pink Floyd, Byrds, Donovan ou os mais recentes Kasabian e Tame Impala, uma produção caseira de topo e acima de tudo, um conjunto de canções com potencial de single. É obra!



41.Thurston Moore - The Best Day
Após a aventura Chelsea Light Moving, Thurston regressa aos discos em nome próprio  com um álbum mais de banda ao contrário do intimista "Demolished Thoughts". A sonoridade não difere muito dos Sonic Youth ou do anterior projeto, e apesar de haver todo um passado glorioso, Thurston continua a compor como se da antiga banda se tratasse. Basta ouvir os longos temas de abertura e perceber que podiam fazer parte do melhor cancioneiro da juventude sónica.



42.Tijuana Panthers - Wayne Interest
A sonoridade dos californianos Tijuana Panthers assenta num surf-garage-punk-rock onde nomes como os Gang of 4, Buzzcocks, Elvis Costello, Thee Oh Sees, Damned vêm à baila. Alternam entre temas bem acelerados com outros mais relaxados a entrar no terreno dos colegas de editora Allah-las. Longe de ser perfeito mas bem espremido dá um ótimo registo.



43.Ultimate Painting - Ultimate Painting
Ambos repetentes nesta lista, Jack Cooper (Mazes) e James Hoare (Veronica Falls, Proper Ornaments) após digressão em conjunto trocam composições e acabam por editar via Troubled In Mind este disco, onde facilmente reconhecemos a inspiração mas, acima de tudo, são 10 canções muito bem desenhadas.



44.Vacant Lots - Departure
Após um par de singles bem recebidos, o duo Vacant Lots estreia-se com "Departure", um registo onde o psicadelismo impera mas a marca Suicide faz-se igualmente notar. Por entre sintetizadores, caixa de ritmo e pedais de efeitos, acrescente-se uma costela punk que torna as suas músicas mais enérgicas e distancia a banda de um universo repleto de bandas regurgitadoras do passado.



45.Virginia Wing - Measures of Joy
Com um press release assente em referências aos influentes Broadcast, ao kraut cósmico dos Cluster e ao post-punk experimental dos This Heat, adicione-se os Stereolab, Ladytron e uns flocos de dream pop e ficamos com uma ideia de como soa "Measures of Joy" a promissora estreia desta banda londrina.



46.Warehouse - Tesseract
O caso em que tropeças numa canção e depois pesquisas no Bandcamp e a banda está oferecer o álbum começa a tornar-se algo usual mas não estava preparado para descarregar um disco tão fascinante quanto "Tesseract" a estreia desta banda de Atlanta que entretanto irá editar o disco através da nova editora do cabecilha dos Beach Fossils. Talvez por esta razão e pelo burburinho criado com este disco, já não é possível descarregar este belo pedaço de art-rock.



47.Weed Hounds - Weed Hounds
Já perdi a conta ao número de discos de estreia que povoam esta lista e este merece igualmente o seu lugar através do seu entusiasmante shoegaze reminiscente dos mais abrasivos My Bloody Valentine, da fase inicial dos Ride e Boo Radleys, dos crescendos à Sonic Youth e do noise-pop das Vivian Girls. Para compor o ramalhete, os Weed Hounds disponibilizam o disco através do seu site.



48.Woodsman - Woodsman
Terceiro, e a meu ver, o melhor álbum desta banda atualmente a residir em Brooklyn.  Temos kraut (Neu!, Can, Camera), temos psicadelismo (Hawkwind, Folläkzoid) e também algum experimentalismo. Porventura ainda vão aprimorar a sua fórmula mas dou-me por satisfeito com os resultados aqui obtidos. Trippy!



49.Wytches - Annabel Dream Reader
Power trio que foi criando uma expetativa em seu redor assegurando a edição do disco de estreia na Heavenly. "Annabel Dream Reader" conjuga um rock cavernoso próximo aos Birthday Party e Scientists, move-se por terrenos grunge da fase "Bleach" dos Nirvana, surf e berreiro à Pixies e uma adoração por garage psicadélico. Só não é perfeito porque é extenso e certas nunces vocais descambam para terrenos não muito do meu agrado.



50.Young Widows - Easy Pain
Formação noise-rock que com o passar do tempo tem vindo a refinar o seu som. "Easy Pain" localiza-se num espaço claustrofóbico e negro onde os Shellac, Jesus Lizard, Pissed Jeans e Nick Cave conseguem co-habitar mas todos lutam por obter mais uns centímetros.

domingo, dezembro 15, 2013

Melhores 2013

Mais um ano prestes a findar e como é da praxe a lista dos melhores do ano surge em todo o seu esplendor. Talvez tenha sido um bom ano em termos de edições, talvez tenha sido menos rigoroso no meu critério, talvez tenha ouvido mais discos, seja qual for a razão, este ano a lista estendeu-se a 40 registos e alguns ficaram no banco de suplentes, assim como muitos ficaram por ouvir como é usual.
Num ano em que o underground americano fervilha de novas bandas e em que o psicadelismo está em alta, ainda assim, a escolha do melhor do ano recaiu sobre "Inform. Educate. Entertain" o álbum de estreia dos ingleses Public Service Broadcasting. Segue a restante lista por ordem alfabética acrescida de breves notas, aproveitando para esclarecer que "Light Up Gold" dos Parquet Courts, um forte candidato aos lugares cimeiros, figurou na lista de 2012, tendo sido reeditado este ano.
Como bónus temos uma mixtape a ilustrar uns quantos discos referenciados no fundo da lista.

01 - Public Service Broadcasting - "Inform, Educate, Entertain"
Uma banda que a meu ver soube conjugar de forma perfeita gravações áudio de vários arquivos públicos e complementa-las com uma banda sonora que tanto pisca o olho ao post-rock, ao krautrock, à electrónica sem soar pomposo ou demasiado arty, socorrendo-se de vários instrumentos e apenas com 2 elementos. Um disco singular.

02 - And So I Watch You From Afar - "All Hail Bright Futures"
Terceiro registo desta banda irlandesa. Rock matemático da melhor colheita. Provavelmente o maior motivo para lamentar não ter ido a Paredes de Coura este ano.

03 - Bass Drum Of Death - "Bass Drum Of Death"
Companheiro de carteira dos Wavves, Ty Segall e Thee Oh Sees, o lo-fi-blues-garage-punk-rock abrasivo que John Barrett nos presenteia com o seu segundo disco é digno de nota elevada.

04 - Big Deal - "June Gloom"
Ao segundo álbum o casal Kacey Underwood e Alice Costelloe refinam a sua sonoridade indie-pop (já temos bateria) devedora dos anos 90 ainda com muita simplicidade mas repleta de boas canções.

05 - Black Angels - "Indigo Meadow"
Com "Indigo Meadow" os texanos Black Angels tentam e a meu ver são bem sucedidos, em sair de um estatuto de banda de culto e e criam um disco mais acessível e provavelmente o seu melhor até à data.

06 - Bleached - "Ride Your Heart"
O disco de estreia das irmãs Jennifer e Jessica Clavin, outrora dos Mika Miko, possui uma sonoridade deveras familiar, no entanto conseguiram que soasse refrescante e aposto que deve resultar em pleno numa viagem de carro.

07 - California X - "California X"
De um fervilhante underground americano surge a estreia dos California X, com um pé no rock alternativo dos 80 e outro no rock mais clássico dos 70. Daqueles para ouvir bem alto!

08 - Charlie Boyer and The Voyeurs - "Clarietta"
Da mesma editora onde figuram os Toy e os promissores Temples, surge mais um nome da onda neo-psicadélica tão em voga. Esta descrição diz tudo: "Tom Verlaine (Television) fronting a psychedelic Velvet Underground".

09 - Destruction Unit - "Deep Trip"
Com uma carreira que remonta a 2000 e por onde passou o malogrado Jay Reatard, o novo disco dos Destruction Unit é um portento de noise-punk-psicadélico-cavernoso. Brutal!

10 - Dodos - "Carrier"
Só por terem composto "Confidence" já tinham um lugar assegurado nesta lista,  mas o restante cancioneiro é igualmente de valor.

11 - Fidlar - "Fidlar"
Lo-fi-garage-street-punk-rock sem tretas e direto ao assunto. A banda sonora ideal para uma noite de excessos.

12 - Follakzoid - "II"
Sempre atenta, a editora Sacred Bones foi ao Chile desencantar esta banda praticante do melhor cruzamento de kraut-space-psych-rock que ouvi este ano. Para avariar completamente a mioleira!

13 - Future of the Left - "How To Stop Your Brain In An Accident"
Este é daqueles que nem era preciso ouvir para saber que era bom. A marca Mclusky continua presente embora mais refinada. As letras persistem com o toque mordaz e as guitarras sempre a dar porrada da boa!

14 - Growlers - "Hung At Heart"
Revivalistas de um surf-pop mergulhado em ácido, o terceiro álbum dos Growlers não é muito original mas cria vício e não é pouco.

15 - His Electro Blue Voice - "Ruthless Sperm"
Banda italiana editada pela Subpop que deixa qualquer um K.O. tal a carga agressiva das suas músicas e letras, reminiscentes de uns anos dourados do rock alternativo em que a visceralidade imperava. Daquelas bandas que decerto fariam parte do catálogo da Touch & Go em qualquer altura.

16 - Hooded Fang - "Gravez"
Ao terceiro registo os canadianos Hooded Fang asseguram um lugar de mérito no universo indie-rock. "Gravez" por pouco não figurou no topo desta lista graças à sua mestria em combinar garage rock, surf, pop, algum psicadelismo, uma produção lo-fi e canções que colam com uma facilidade avassaladora.

17 - Hookworms - "Pearl Mystic"
Num ano em que o rock psicadélico esteve em grande, o disco de estreia desta banda de Leeds é mais um bom exemplo do que esta vaga tem produzido, e a comprova-lo está o lugar cimeiro na lista da Drowned In Sound.

18 - It Hugs Back - "Recommended Record"
Ao terceiro álbum os It Hugs Back infelizmente não vão sair do nicho de banda de culto (se é que o são), o que é de lamentar pois mereciam muito mais destaque. Se gostam de Yo La Tengo, tratem de os investigar.

19 - Kal Marks - "Life Is Murder"
Mais um bom exemplo do excitante underground americano, o trio Kal Marks concilia o melhor dos Modest Mouse e Shellac num registo com uma excelente produção. A voz primeiro estranha-se mas depois entranha-se.

20 - K-X-P - "II"
Bizarro projeto finlandês assente na eletrónica alemã dos 70, conjugada com prog, música medieval, post-punk e faixas direcionadas para a pista de dança.

21 - La Femme - "Psycho Tropical Berlin"
Easy-electro-pop-new-wave-surf com um toque que só os franceses possuem. O legado dos B-52's está bem entregue.

22 - Lovely Bad Things - "The Late Great Whatever"
Numa altura em que os Pixies regressaram aos originais, a meu ver é mais excitante ouvir estes adolescentes que não renegam a influência dos de Boston (podemos acrescentar os Superchunk e Blood On The Wall) do que viver na sombra do passado.

23 - Lucid Dream - Songs of Lies and Deceit
Banda que me agradou ver ao vivo em Fevereiro deste ano, contudo não estava à espera de um disco tão empolgante. As influências são óbvias e demasiadas para mencionar, mas o que conta no fim são as músicas, e essas são de uma categoria assinalável.

24 - Mazes - "Ores & Minerals"
Ao adicionar elementos do kratutrock (em particular a batida motorik) os Mazes criaram um disco pop mas com uma riqueza de texturas e uma complexidade rítmica que me deixou rendido.

25 - Melt Yourself Down - "Melt Yourself Down"
Espécie de super-grupo, o registo de estreia dos Melt Yourself Down é um explosivo cocktail de jazz, afro-beat, e punk-funk. Pensem em Mulatu Astatke, Fela Kuti, Pigbag e Liquid Liquid. Não é por acaso que foram buscar o nome a um álbum de James Chance and The Contortions...

26 - Mikal Cronin - "MCII"
Um ano em cheio para Mikal Cronin que deixa para trás a colagem ao nome de Ty Segall, para afirmar-se um compositor de canções cuja inspiração flutua entre os Dinosaur Jr., Lemonheads, Weezer entre outros, e acaba por ver o seu nome inscrito em diversas listas.

27 - Ovlov - "AM"
Os Ovlov são mais um bom exemplo do universo indie americano que tanto explorei este ano. O press release não engana: "OVLOV return listeners to the glorious days of Dinosaur Jr., My Bloody Valentine, Pixies, Hum, and Pavement while reaching within to create a unique sound that encapsulates the charm of destructive hooks and buzzing riffs with the honest delivery of Hartlett’s dazzling vocals."

28 - Pissed Jeans - "Honeys"
Quem conhece já sabe o que a casa gasta, quem nunca ouviu é bom que prepare os ouvidos. Melhoram a cada disco que passa e já lá vão 4.

29 - Psychic Ills - "One Track Mind"
Com uma década de existência, ao quarto álbum os Psychic Ills editam o mais acessível registo à data. No seguimento do anterior "Hazed Dream", o psicadelismo mantem-se mas agora é mais pausado, soalheiro, diria mesmo mais hippie mas sempre com uma boa dose narcótica.

30 - Scott & Charlene's Wedding - "Any Port In a Storm"
Liderados pelo australiano Craig Dermody que entretanto mudou-se para Nova Iorque e editou este estupendo disco com influências / semelhanças dos Modern Lovers, Feelies, Pavement, Real Estate, Soft Pack entre outros.

31 - Shannon & The Clams - "Dreams In The Rathouse"
Confesso que só este ano travei conhecimento com este curioso trio que combina sonoridades bem antigas com uma atitude muito punk e uma tendência para a galhofa. Acima de tudo é um disco divertido e dançável, ou seja, de festa!

32 - Summer People - "Burn The Germs"
Terceiro registo deste quinteto residente em Nova Iorque, cuja sonoridade remonta aos Birthday Party, Cramps, Scientists, passando pelos Gallon Drunk e 80's Matchbox B-Line Disaster.

33 - Veronica Falls - "Waiting For Something To Happen"
Sempre com um fraquinho por bandas seguidoras da sonoridade C86, a meu ver os Veronica Falls destacam-se nesse campeonato com mais um álbum de melodias que se cravam na memória. Atentem em faixas como "Teenage", "Broken Toy" e o irresistivel "Waiting For Something To Happen".

34 - White Manna - "Dune Worship"
O rock psicadélico novamente em alta com o segundo disco dos californianos White Manna. Moca garantida!

35 - Willy Moon - "Here's Willy Moon"
Provavelmente um flop para a editora (Universal) que terá visto no neozelandês um futuro ídolo pop com imaginário retro 50's. Willy resgata swing, blues, rock & roll e acrescenta-lhe uma roupagem moderna. Até o Jack White viu algo nele ao editar um single.

36 - Wire - "Change Becomes Us"
Não é bem um regresso mas mais um retorno ao passado, neste caso a material que nunca havia sido editado. Recrutaram o guitarrista dos It Hugs Back e à boa maneira dos Wire, criaram um disco com uma sonoridade atual sem nunca deixarem de soar a eles próprios.

37 - Wooden Shijps - "Back To Land"
Não existem grandes diferenças entre os Wooden Shjips e os Moon Duo nos quais figura o barbudo Ripley Johnson. O psicadelismo paira sobre todas as faixas, as influências são semelhantes, pode até soar tudo muito similar mas que sabe bem ouvir não restam dúvidas.

38 - Yo La Tengo - "Fade"
Impossível de superar obras-primas como "Electr-o-pura" e "I Can Hear The Heart Beating As One", no entanto esta malta nunca edita um disco mau. Confesso até que na abordagem inicial fiquei algo desconsolado mas após umas audições lá conseguiram convencer-me mais uma vez.

39 - Yuppies - "Yuppies"
Disco de estreia editado pela Dull Tools pertença de Andrew Savage dos Parquet Courts, com os quais partilham algo na sonoridade, mas os Yuppies entram por terrenos mais noisy próximos da No Wave e do pós-punk dos The Fall. Uma excelente surpresa.

40 -  Yvette - "Process"
Este duo que dá pelo curioso nome de Yvette editou um bizarro disco post-punk-industrial-noise deveras atrofiado mas que me deixou abismado. O exemplo mais aproximado serão os Liars.




suplentes:
Camera Obscura - "Desire Lines"
Fat White Family - "Champagne Holocaust"
Limiñanas - "Costa Blanca"
Palma Violets - "180"
Speedy Ortiz - "Major Arcana"