quinta-feira, junho 25, 2015

Leon Bridges - "Coming Home"


"Coming Home" é o registo de estreia na Columbia Records do jovem texano Leon Bridges, um apaixonado pela soul e R&B de meados da década de 60 que já lhe valeu comparações a Otis Redding, Sam Cooke, Marvin Gaye ou ao colega de editora Raphael Saadiq.
Com uma voz aveludada e melodias de fácil audição, Bridges contou com o precioso auxilio de Josh Block e Austin Jenkins dos White Denim como banda de apoio e produção, resultando num disco com um forte travo à época dourada da soul onde não faltam os teclados à Booker T., coros femininos e uma eficiente seção de metais. Vagueando entre baladas que em nada destoariam no cancioneiro da falecida Amy Winehouse, R&B para bater o pezinho que o Nick Waterhouse tão bem explora, aproximação aos Black Keys do galardoado "Brothers" e gospel no arrepiante "River" que encerra este disco, tudo foi pensado ao pormenor e a apontar algum defeito a "Coming Home", será apenas por soar tão deslocado do tempo e por faltar um toque mais pessoal que estou em crer surgirá com o crescimento de Bridges como músico.


sexta-feira, junho 19, 2015

Spray Paint - "Punters On A Barge"


Segundo álbum dos texanos Spray Paint com selo da editora australiana Homeless Records, "Punters On A Barge" revela uma banda imersa nas sonoridades ruidosas da no wave e post-punk com apontamentos de noise-rock e até uma certa aura industrial.

Com uma construção musical assente em ritmos repetitivos, guitarras dissonantes e vocalizações a tender para o agressivo, a referência aos Jesus Lizard é óbvia, no entanto, creio que este disco incide mais nos primórdios dos Sonic Youth (com semelhanças vocais a Lee Ranaldo) e segue um trilho aproximado aos Cold Pumas e Yvette duas das mais estimulantes bandas da atualidade.

Num total de 10 faixas que podem ser escutadas aqui, o trio Spray Paint demonstra  em "Punters On A Barge" criatividade suficiente para cativar os ouvidos mais rotinados a estas andanças mais "noisy"e deixam em aberto um carreira para seguir com atenção.



segunda-feira, junho 08, 2015

Someone Still Loves You Boris Yeltsin - "The High Country"



Formados em meados da década passada em Springfield, Missouri, os Someone Still Loves You Boris Yeltsin surgiram em plena euforia da blogosfera e graças a isso conseguiram algum reconhecimento que levou a um contrato com a sempre recomendável Polyvinyl. "The High Country" é já o seu quinto registo de originais e após dois discos medianos "Let It Sway" (2010) e "Fly By Wire"(2013) retornam com algumas novidades sonoras ao investir mais na vertente rock muito embora a costela pop nunca deixe de estar presente.

"Line On You" abre este disco numa toada grunge-pop na senda dos Weezer e Superchunk, para logo de seguida atacarem com a orelhuda "Step Brother City" algures entre os Strokes e os Beach Boys, onde não faltam os inevitáveis "oooohhs". "Goal Mind", "Full Possession Of Her Powers" e a delicada " "Madeline" são faixas tipicamente indie-jangle-pop, tendência com que a banda foi alicerçando grande parte da sua discografia.

"What I Won" aventura-se em terrenos shoegaze e dream-pop a recordar os seus colegas de editora Headlights. Revelam músculo rockeiro com "Trevor Forever" novamente a inclinar para o território dos Weezer mas também dos Pixies e dos recentes Paws. A finalizar temos a power-pop na linha dos Telekinesis e Nada Surf em "Song Will" e "Total Meltdown", um pouco mais adocicada em "Foreign Future" e um aproximar à escola sónica de "Magnet's New Summer 'Do", concluindo assim um disco que pode resultar em pleno como banda sonora deste Verão.


quarta-feira, maio 27, 2015

Death And Vanilla - "To Where The Wild Things Are"


Banda que me escapou ao radar desde a sua formação em 2010, o duo sueco composto por Marleen Nilsson e Handers Hansson, produzem sob a designação de Death and Vanilla uma sonoridade retro-futurista psicadélica assente nas experiências radiofónicas da BBC na década de 60, em bandas-sonoras vintage, em grupos como os United States of America, Stereolab, Broadcast, no dream-pop dos Mazzy Star, Au Revoir Simone, Beach House e Still Corners, partilhando igualmente um universo similar com os recentes Gulp, Virginia Wing e Soundcarriers.

Apesar do seu som soar deveras familiar, estamos perante um disco que em nada fica a dever às suas influências, embora por vezes estas fazem-se notar em demasia. "To Where The Wild Things Are" foi gravado com parcos meios mas isso não impediu a banda de criar um disco com uma rigorosa produção com a voz de Marleen imersa em reverb, os teclados recheados de pormenores e uma guitarra fuzz a surgir a espaços.

Temas como "Necessary Distortions" (que titulo tão Stereolab!), "California Owls" (olá Beach Boys),  a açucarada "Time Travel" ou "The Hidden Space" (olá Silver Apples) são alguns exemplos de um disco que cria vício e decerto fará parte de várias listas dos melhores deste ano.



quarta-feira, maio 20, 2015

Thee Oh Sees - "Mutilator Defeated At Last"



Após a noticia em finais de 2013 que a banda faria uma merecida pausa em termos de edições discográficas e concertos que acabou por revelar-se infundada, os Thee Oh Sees não dão tréguas e retornam com este monstruoso "Mutilator Defeated At Last", um álbum bem mais musculado que o anterior "Drop" e digno sucessor do poderoso "The Putrifiers II" (2012).

Composto por nove faixas com uma duração total de pouco mais de 30 minutos, "Mutilator..." abre as hostilidades em grande com "Web", um tipico tema do seu cancioneiro no qual psicadelismo, garage rock, batida kraut e os habituais gritos de John Dwyer fazem-se notar. O terramoto sonoro de "Withered Hand" soa a Black Lips a tentar imitar os Blue Cheer ou Black Sabbath e aposto que ao vivo deve criar fendas nas paredes!

O melodioso "Poor Queen" numa vertente aproximada ao garage pop abre caminho para "Turned Out Light" desta feita a piscar o olho ao southern-boogie mas sem descambar. O devaneio sónico de "Lupine Ossuary" pode ser encarado como a continuação de "Lupine Dominus" tema maior de "The Putrifiers II". A roçar os quase 7 minutos de duração "Sticky Hulks" é uma pedrada psicadélica com os teclados a contrabalançar os espasmos guitarrísticos, seguido do instrumental "Holy Smoke", igualmente numa toada psicadélica mas numa abordagem mais folky. Logo de seguida somos abanados pelo garage-punk de "Rogue Planet" e o encerramento em beleza fica a cargo de "Palace Doctor".

Mais uma vez os Thee Oh Sees revelam-se como uma das poucas bandas da atualidade em que podemos apostar que nunca farão um disco mau, e isso nos tempos que correm vale muito!



quarta-feira, maio 06, 2015

Mikal Cronin - "MCIII"



Dois anos volvidos após a edição de "MCII",  o talentoso compositor Mikal Cronin regressa com o seu terceiro registo a solo "MCIII" na histórica editora Merge, tendo desta feita arriscado amplificar ainda mais o seu som com uma produção mais elaborada e maior atenção aos arranjos, contudo não fiquem com a ideia de Cronin ter virado um cantor pop com os olhos postos nos tops, a sua música embora acessível talvez figurasse na MTV da década de 90 aquando da euforia grunge e o rock alternativo era a nova mina a explorar.

Dividido em duas partes, "MCIII" apresenta na face A algumas das canções mais apelativas que Cronin já compôs, trilhando terrenos próximos aos Lemonheads, Built To Spill, Rogue Wave, The Shins e a pop californiana dos anos 60. Temas como "Made My Mind Up" ou "Feel Like" são exemplos máximos da sua mestria combinando refrões orelhudos, guitarras acústicas e distorcidas, violinos flutuantes e uma voz adocicada. O lado B consiste num relato sobre uma fase da sua vida aquando adolescente em que teve de se mudar para outra zona do mapa americano e os sentimentos que daí advieram, num relato deveras sincero em seis andamentos. Mais rebuscada, esta face apresenta temas ora "rockeiros" ("Gold", "Ready"), baladas com piano, cordas e sopro a sobressair ( "Alone", "Different") ou mais acústicos ("Circle", "Control").

Cronin estabelece-se definitivamente ao terceiro álbum como um músico a merecer os rasgados elogios que tem granjeado junto da critica especializada, mas acima de tudo, é já um nome com créditos firmados numa discografia exemplar.



terça-feira, maio 05, 2015

Metz - "II"


O power-trio canadiano retorna às lides discográficas após o explosivo disco de estreia editado em 2012 com direito a duas passagens por Portugal que não descolarão tão cedo da memória de quem assistiu. O novo registo simplesmente intitulado "II" não se desvia da avalanche sonora trilhada inicialmente: a guitarra continua a soar a um enxame de abelhas dentro de uma centrifugadora, o baixo não dá tréguas, a bateria tenta suplantar os restantes instrumentos e as vocalizações são basicamente um berreiro descontrolado, resumindo, isto é noise-rock com uma forte costela hardcore cujo alvo é abalar a estrutura óssea do ouvinte e colocar os seus tímpanos a sangrar!

Para além da referência aos Pixies, Big Black e Nirvana (fase Bleach) os Metz recuperam aquele indie-rock dos 90, repleto de suor, ruído, gritaria, violência e sujidade explorado por inúmeras bandas como os Unwound, Jesus Lizard, Unsane ou os colegas de editora Pissed Jeans. De fato os seus registos remetem para essa época dourada do rock alternativo ainda com um forte cunho "underground", e aí reside a sua popularidade, quiçá porque muita gente não se revê neste universo no qual as bandas andam de mãos dadas com o "mainstream", guiam-se pelo que está "in", esmeram-se nas produções mais limpinhas e no visual a condizer com o momento e num abrir e fechar de olhos já estão "out", ou seja, de alternativo possuem muito pouco.

Em apenas meia-hora os Metz sacodem o ouvinte de uma forma que muitos deixaram de estar habituados e uma geração mais nova é empurrada contra a parede questionando-se de onde saiu este tornado sonoro. Podemos afirmar que não descortinamos diferenças entre os dois álbuns, que a banda não se esforçou em mudar algo na sua sonoridade, mas este é daqueles casos em que a velha máxima "em equipa que ganha não se mexe" faz todo o sentido.

sexta-feira, maio 01, 2015

sexta-feira, abril 24, 2015

Built To Spill - "Untethered Moon"


Veteranos do panorama indie-rock americano, os Built To Spill liderados por Doug Martsch, regressam às edições discográficas seis anos após "There Is No Enemy", um disco que a meu ver indiciava alguma falta de criatividade e um certo esgotamento da fórmula sonora encetada em inícios da década de 90.

Muitos ficaram surpreendidos com o retorno dos Built To Spill tendo em conta algumas afirmações de Martsch no sentido de alguma desorientação e cansaço, no entanto a banda sofreu uma remodelação e "Untethered Moon" espelha bem essa mudança, de tal forma que sou levado a creditar este novo disco como o seu melhor desde o impactante "Keep It Like a Secret" datado de 1999.

A nível sonoro não detetamos alterações de maior, o cruzamento entre Neil Young e Dinosaur Jr. continua bem patente, assim como as guitarras em força com solos inspirados contrabalançados com a voz melodiosa de Martsch que em "Never Be The Same" aproxima-se do território dos The Shins e Rogue Wave. O que diferencia este disco dos restantes editados este século assenta num maior pendor melódico em detrimento dos extensos solos, mais pop se preferirem, e composições mais inspiradas e positivas, a expor um Doug Martsch  de bem com a vida e um espirito renovado na sua música.



terça-feira, abril 14, 2015

The Lucid Dream - "The Lucid Dream"




Com sete anos de existência, os The Lucid Dream têm vindo a trilhar o seu caminho de uma forma segura e com o recente homónimo segundo álbum, revelam que são mais do que uma banda da nova fornada psicadélica forçando as barreiras do género para criar uma sonoridade que não se acomoda com os tiques desta vaga.

"The Lucid Dream" abre as hostilidades com o extenso instrumental "Mona Lisa", uma viagem vertiginosa repleta de efeitos com uma dinâmica criativa. Segue-se "Cold Killer", faixa poderosa que os Crocodiles ou os The Vacant Lots não desdenhariam serem os autores. "Darkest Day/ Head Musik" é composta a dois tempos, uma abertura na linha dos Spectrum que evolui para uma explosão sónica ao estilo dos White Hills. Aceleramos a bom ritmo com "Moonstruck" um cruzamento entre as Electrelane e os My Bloody Valentine para abrandar pouco depois com "Unchained Dub", com a banda a exibir a sua devoção para com este estilo mas à sua maneira. "Unchained" é a faixa mais acessível com uma piscadela de olho ao psych-pop da década de 60. A finalizar temos o mantra hipnótico de "Morning Breeze" com distorção a rodos balanceado por uma parte mais atmosférica a lembrar os Verve, Spacemen 3 e Spiritualized. Por último "You & I" poderia ser a faixa de encerramento de um disco dos Warlocks com uma cadência mais lânguida mas sempre com um forte cunho psicadélico presente.

Após ter visto a banda em 2013 ainda o álbum de estreia "Songs of Lies and Deceit" não tinha sido editado, é com grande expetativa que anseio o concerto dos The Lucid Dream na primeira edição do Indouro Fest, no qual decerto irão tocar vários temas deste cativante disco.

Post-Punk Mixtape

Edu (Mouco) & Ex Lion Tamer apresentam o primeiro volume da post-punk mixtape. Uma seleção sobre um período da história musical cuja influência perdura ainda nos dias de hoje. Enjoy!


terça-feira, março 31, 2015

Föllakzoid - "III"


Hipnótico, psicadélico e tribal são alguns adjetivos empregues amiúde quando nos referimos ao som produzido pelos Föllakzoid, banda oriunda de Santiago do Chile que editou esta semana, (tal como o titulo indicia), o seu terceiro álbum pela consagrada editora Sacred Bones. Como é evidente, esses e mais alguns adjetivos funcionam na perfeição para descrever a sua sonoridade que fixa-se na eterna escola kraut, ou em bandas como os Hawkwind, White Manna, Wooden Shjips, e até The Hair & Skin Trading Company a título de exemplo. Quiçá o que tem levado o grupo chileno a conquistar um lugar de destaque no território cada vez mais populoso do rock psicadélico, estará alicerçado na herança da antiga música dos Andes levando a que as suas composições soem a autênticos mantras e para o comprovar surgem "Electric", "Earth", "Piure" e "Feuerzeug" as quatro extensas faixas (oscilando entre 10 a 12 minutos de duração), de "III".
Este novo disco é mais um exercício de exploração sonora através da incessante repetição de acordes, constante batida, vocalizações fantasmagóricas e efeitos electrónicos bizarros (cortesia de Atom TM), com vista a levar o ouvinte a entrar noutra dimensão, como que de um ritual se tratasse, e verdade seja dita, facilmente somos transportados para outra realidade, seja ela espacial ou transcendental. Garantidamente um disco "para avariar a mioleira!".

quinta-feira, março 26, 2015

LoneLady - "Hinterland"


LoneLady é o alter-ego de Julie Campbell, uma mancuniana cujo primeiro registo "Nerve Up" editado em 2010 escapou ao meu atento radar. 5 anos após o disco debutante, Julie regressa com "Hinterland", um álbum mergulhado no legado pós-punk da sua Manchester-natal mas também no punk-funk e mutant-disco de finais da década de 70, inícios de 80.
A sombra industrial, cinzenta, e melancólica da cidade que revelou ao mundo os Joy Division faz-se notar como que um fantasma do passado se tratasse, a que não será alheio a inclusão de elementos sonoros semelhantes aos incorporados em "Unknown Pleasures", contudo este "Hinterland" fixa-se no presente como um belo exercício de conjugação de inúmeras influências sem nunca soar datado.
Para além da banda de Ian Curtis, detetamos igualmente a marca dos A Certain Ratio, Liquid Liquid, Gang of 4, E.S.G., Talking Heads, Tom Tom Club, Maximum Joy, a vertente pop melodiosa das Luscious Jackson, sem olvidar a nova pop eletrónica de Lykke Li ou Grimes, resultando num disco dançável imerso numa atmosfera próxima do urbano-depressivo. Temas como "Bunkerpop", "Groove It Out", e "(I Can See) Landscapes" são exemplos de como pegar no legado do passado e transforma-lo em algo novo e excitante.

quinta-feira, março 19, 2015

The TeleVibes


Ultimamente a cidade de Boston tem sido citada como um autêntico viveiro de bandas mui recomendáveis e os The TeleVibes são mais uma a destacar-se graças à sua sonoridade pop psicadélica com muito surf-rock à mistura e uma forte componente garage-punk.
Com uma discografia assente apenas num ep (k7) e dois meros singles todos eles em formato digital e passíveis de serem descarregados legalmente, estou em crer que esta banda vai dar o salto muito em breve (se tal não acontecer anda tudo surdo). Se apreciam Ty Segall, Thee Oh Sees, Jay Reatard, Sonny & The Sunsets, Shannon & The Clams e uma boa surfalhada, para além dos soalheiros Beach Boys, então os The TeleVibes são definitivamente uma banda que devem investigar. Toca a curtir aqui!

terça-feira, março 17, 2015

Modest Mouse - "Strangers to Ourselves"


Após um hiato de 8 anos, os Modest Mouse regressam finalmente com "Strangers To Ourselves", um disco demorado e atribulado mas que no fim de contas soa precisamente à sucessão natural do injustamente mal-amado "We Were Dead Before The Ship Even Sank." Como grande apreciador da banda que sou, confesso que receava igualmente pelo pior, mas conforme os temas iam sendo apresentados em antecipação (6 no total) a crença de que este álbum seria digno da sua já vasta discografia, tornou-se uma certeza.

Neste período de tempo que medeia os álbuns, sucederam uma variedade de situações que levaram a este anormal atraso: Johnny Marr regressou a Inglaterra, o baixista Eric Judy abandonou a banda, as gravações tiveram 5 produtores envolvidos, Isaac Brock decidiu construir um estúdio para o refazer novamente pois não estava satisfeito, constantes digressões e as reedições de "This Is A Long Drive For Someone With Nothing To Think About" e "The Lonesome Crowded West". Todas estas circunstâncias levaram muito crítico e fãs a pensar que este novo disco soaria a uma manta de retalhos ou pior ainda, seria um flop de todo o tamanho.

Outra questão que envolve regularmente os Modest Mouse diz respeito à sua sonoridade que muitos agora vêm como comercial devido ao inesperado sucesso de "Good News For People Who Love Bad News" e ao facto de pertencerem a uma major. A meu ver é tudo uma questão de criatividade e mantenho a opinião que não os considero tão acessíveis quanto os The Shins ou Death Cab For Cutie (bandas do mesmo campeonato) e ao fim de uma carreira de 20 anos é natural que uma banda tenha os seus tiques sonoros, algo bem patente em "Strangers To Ourselves" mas que não é de censurar.

À exceção de 2 a 3 temas menos conseguidos (Pistol é uma trapalhada) existem inúmeros motivos de interesse para ouvir este disco e para voltar a ver os Modest Mouse como uma banda válida e não uma mera recordação do indie da década de 90 ou banda de um disco só, e para o comprovar, fica a promessa de que o irmão deste registo será editado assim que for possível.

quarta-feira, março 11, 2015

Pope - "Fiction"


Editado esta semana, "Fiction" é o álbum de estreia dos Pope, um power-trio oriundo de Nova Orleães apostado em recuperar uma estética lo-fi tão em voga no universo alternativo da década de 90, onde não faltam as referências aos Pavement, Sebadoh, Built To Spill, Seam, Les Thugs, Dinosaur Jr., Guided By Voices, só para citar algumas.

Com uma curta existência, os Pope, compostos por Matthew Seferian, Alex Skalany e Atticus Lopez, são mais uma das novas bandas norte-americanas filiadas numa vaga que assola o underground, a resgatar as sonoridades caseiras e a edição de cassetes e vinil em contraponto à tecnologia e produção topo-de-gama que impera nos dias de hoje, à qual não será alheia a coerência da portentosa editora Community Records, onde para além dos Pope abundam novos valores como os Caddywhompus, All People, New Lands ou Donovan Wolfington nos quais Seferian também colabora.

Banda que aparenta andar em constante digressão numa carrinha mal-cheirosa mas cujo intuito é tocar o mais possível, os Pope estreiam-se em bom plano com este notável "Fiction", repleto de fuzz, velocidade punk e melodia, uma receita empregue nas 12 curtas mas concisas faixas que preenchem este disco que pode ser descarregado aqui.

segunda-feira, março 02, 2015

The Trip (Psychedelic Sounds Vol.2)

Já disponível para audição o segundo volume da mixtape "The Trip" dedicada a sonoridades psicadélicas que partem dos anos 60 até à nova vaga de bandas da atualidade.

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Public Service Broadcasting - "The Race For Space"


"Inform-Educate-Entertain", o álbum de estreia da dupla Public Service Broadcasting editado em 2013, foi uma enorme surpresa ao conjugar de uma forma original registos áudio de bibliotecas com uma base musical que deambulava entre o kraut, o pós-rock, a pop eletrónica e bandas sonoras vintage e por conseguinte, não foi de estranhar ter arrebatado o lugar cimeiro na minha lista de melhores discos desse ano.

Desta feita os PSB dedicam-se à corrida ao espaço levada a cabo por americanos e russos entre 1957 e 1972, um tópico com muito para explorar mas que neste disco fica um pouco aquém das expetativas, acima de tudo porque a imagem neste caso faz toda a diferença. Ao estar ausente desta espécie de banda-sonora sentimo-nos algo à deriva em certos episódios, e não teria sido mal pensado terem concebido "The Race For Space" como um DVD.

O tiro de partida de "The Race For Space" é despoletado com uma "intro", abrindo caminho para "Sputnik" um tema electro-ambient-house em crescendo épico que balança entre os The Orb, os Gus Gus, Daft Punk e roça o Jean-Michel Jarre. Segue-se o single de apresentação "Gagarin", uma malha bem funky com direito a secção de metais e um piscar de olho aos The Go!Team. "Fire In The Cockpit" descreve a tragédia da Apollo 1 mas fico com a sensação que poderia ter sido mais desenvolvida em termos de tensão dramática.

"E.V.A." relembra a diversidade do disco debutante, na qual se destacam a batida jazzy/funk e a presença de violino e piano. Assente numa linha inicial kraftwerkiana,"The Other Side" descreve o momento de suspense quando a Apollo 8 perde temporariamente contato com a central, atingindo posteriormente um crescendo pós-roqueiro que peca pela curta duração. "Valentina", com o auxilio das vozes angelicais das Smoke Fairies, aproxima-se da pop atmosférica dos Air mas falta-lhe substância algo que a ritmada "Go!" tem em fartura com insinuações aos TV On The Radio e ao math-rock dos Battles e que poderia ter sido assinada pelos Memória de Peixe.

Chegamos ao final da viagem com "Tomorrow" mais uma faixa que peca novamente pela curta duração com um ritmo a remeter para os Stereolab com direito a xilofone, violinos e um coro. Não sendo de todo um mau disco, "The Race For Space" acaba por ser uma boa ideia à qual faltam pormenores que poderiam alterar a sua audição em algo mais de acordo com o espirito aventureiro reinante neste período.

domingo, fevereiro 22, 2015

Girl Band - "Why They Hide Their Bodies Under My Garage"

Os Girl Band são uma banda irlandesa que aos poucos têm vindo a criar um certo burburinho, principalmente desde que assinaram pela mítica editora Rough Trade, tendo publicado recentemente o delirante vídeo de "Why They Hide Their Bodies Under My Garage" um dos temas incluído no seu "The Early Years Ep" que reúne os singles "Lawman", "De Bom Bom"e respetivo lado B "I Love You" uma versão dos Beat Happening e "The Cha Cha".
Com edição prevista para Abril, este ep servirá como cartão de visita para o álbum de estreia previsto ainda para este ano. O facto deste tema ser uma versão de Blawan, um produtor de dança, revela um pouco da atitude inconformista desta formação que desde 2012 com o single "In My Head"e o ep "France 98" (ambos para download gratuito) tem vindo a refinar a sua sonoridade que tanto pisca o olho ao grunge, como ao post-punk ou ao noise-rock. Muito me engano ou vamos ouvir falar muito mais desta banda que curiosamente não inclui nenhum elemento feminino.

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Indouro Fest!!

Foi hoje revelado o cartaz quase completo da primeira edição do Indouro Fest a decorrer nos próximos dias 2/3 de Maio na Serra do Pilar (Palco principal) e no Jardim do Morro (Palco secundário). O bilhete antecipado custa 45€ e o segundo palco é aberto ao público como mostra de novos valores da música nacional. Destaque obviamente para a presença dos Clinic (uma das minhas bandas de eleição) mas também para o epic-post-punk dos British Sea Power, o psych-kraut dos TOY, o garage-ye-ye dos Limiñanas ou o psicadelismo via México com os Lorelle Meets The Obsolete. Um cartaz com um critério de qualidade assinalável, com muitas estreias em solo luso e com fortes hipóteses de tornar-se numa referência futura no que a festivais urbanos diz respeito.