quarta-feira, agosto 12, 2015
Sleaford Mods - "Key Markets"
Após vários anos a tentar alcançar um lugar ao sol no panorama musical britânico, a dupla Sleaford Mods finalmente atinge com este "Key Markets" o reconhecimento devido com a sua simples fórmula de baixo, bateria e vocalizações sempre a colocar o dedo na ferida em terras de Sua Majestade.
Se o anterior "Divide And Exit" conseguiu catapultar a banda para outros patamares graças a temas tão contagiantes quanto "Tied Up In Nottz" ou "Tweet Tweet Tweet", este novo registo surge como um aprimorar da sua conjugação de batidas ritmadas e baixos gordos na senda de bandas punk-funk como as E.S.G. ou Delta 5, e o discurso sempre inflamado de Jason Williamson algures entre a poesia non-stop de John Cooper Clarke e a critica mordaz de Mark E. Smith dos The Fall.
Sempre corrosivo, Williamson vai dissertando sobre várias vertentes da realidade britânica, seja a nível politico, económico mas acima de tudo social, sempre com imensos palavrões à mistura e um humor que muitos não entenderão. "Key Markets" revela-se um disco com poucas diferenças em relação aos seus antecessores, contudo podemos descortinar um maior cuidado com a produção, na elaboração das batidas e até um esforço por parte de Williamson em cantar!
As referências a várias bandas e músicos, na maioria negativas, continuam a povoar as suas letras, desta feita os visados passam por Shakin' Stevens, Von Bondies, Jack White, Rocket From The Crypt, Puff Daddy, Two Door Cinema Club, Blur e Kate Bush, mas se alguém levar a mal, decerto sai mais um "fuck off".
Sintoma de que os Sleaford Mods alcançaram a primeira divisão musical são as recentes colaborações em discos dos Prodigy e Leftfield e atuações em horário nobre em vários festivais. Fica a questão de até quando a sua sonoridade irá prevalecer de forma tão minimal e sedutora. Até lá é desfrutar temas como o cáustico"Live Tonight", o panfletário "No One's Bothered" ou o contundente "In Quiet Streets".
quinta-feira, julho 30, 2015
What Moon Things
Por sugestão de um amigo decidi investigar os What Moon Things e à primeira impressão calculei que teria escrito mal o seu nome pois tanto a capa como os títulos das faixas remetiam para paragens que não me seduzem por aí além. No entanto decidi ouvir e aos poucos fui percebendo o entusiamo que a banda tem criado à sua volta.
Oriundos de Nova Iorque, o trio composto por Jake Harms, John Morisi e Eric Sowalskie inciaram a sua atividade em 2012 tendo editado em Junho de 2014 o homónimo registo debutante que deambula por terrenos outrora calcorreados pelos The Cure, Walkmen, Slint, Codeine, Pinback ou Modest Mouse.
Nesta diversidade de boas influências assenta a mais valia desta banda que em temas como "Vampire", "The Astronaut" ou "Staring At The Radio" tanto remetem para uma face mais sombria do pós-punk, um indie rock mais esquizofrênico graças à vocalização de Harms, guitarras ora intimistas ora abrasivas e uma cadência slowcore em vários momentos que julgava ter desaparecido.
Enquanto não surgem mais novidades dos WMT aproveitem para ouvir um disco de uma banda que acredito terá muito mais reconhecimento num futuro próximo.
segunda-feira, julho 20, 2015
White Reaper - "White Reaper Does It Again"
Após o excelente cartão de visita com o "White Reaper Ep" publicado o ano passado, fiquei a salivar pelo álbum de estreia desta formação oriunda de Louisville no Kentucky, que entretanto adicionou o teclista Ryan Hater ao trio original composto por Tony Esposito (voz, guitarra) e os gémeos Sam e Nick Wilkerson (baixo e bateria respetivamente). "White Reaper Does It Again" confirma em pleno as expetativas que tinha em relação a esta banda como uma pandilha que apenas quer "rockar" e o resto é conversa.
Com uma sonoridade que pisa os terrenos garage-punk de Jay Reatard, Ty Segall, Bass Drum of Death ou Fidlar, sem esquecer a cartilha dos Ramones e a power-pop dos The Cars, este é daqueles discos para ouvir em alto volume, de preferência numa viagem de carro com amigos de longa data a caminho de um destino qualquer longe da realidade cotidiana.
Assente numa produção a puxar tudo para o 11, "White Reaper Does It Again" não é um disco original (nem o pretende ser), mas assegura ao ouvinte, em particular os que já passaram a adolescência e cujos ouvidos já estão calejados, um regresso ao passado quando as guitarradas eram assimiladas como forma de mandar tudo às urtigas. Temas como a abertura explosiva de "Make Me Wanna Die", o "Just What I Needed" dos Cars revisitado em "Pills", os Weezer de boa memória em "Sheila" ou o ramoniano "Wolf Trap Hotel" são alguns exemplos da construção musical dos White Reaper que conjugando velocidade punk, sujidade garage-rock e refrões punk-pop criaram até ver o melhor "fuck-off" álbum deste ano.
terça-feira, julho 14, 2015
quarta-feira, julho 08, 2015
Jacco Gardner - "Hypnophobia"
"Hypnophobia" é o segundo álbum do multi-instrumentalista holandês Jacco Gardner que recentemente esteve em Portugal a promove-lo, tendo previamente passado pela edição de 2013 do Milhões de Festa.
Com uma sonoridade bem assente numa pop psicadélica a roçar o barroco na qual os teclados predominam, este novo disco abre com "Another You" a recordar os saudosos The Bees, prossegue com "Grey Lanes" um instrumental ideal para filmes de culto da década de 60, pisca o olho à folk-pop em "Brightly" e desliza para "Find Yourself" que poderia ter a assinatura dos Temples, The Coral ou Super Furry Animals, resultando perfeita numa qualquer mixtape de Verão.
"Face To Face" revela a devoção a Syd Barrett, enquanto "Outside Forever" soa a cruzamento entre os The Zombies e os Air. Os contagiantes oito minutos de "Before The Dawn" inspiram-se no legado de bandas como os Stereolab e Broadcast, ao passo que o tema-titulo estica-se para lá da convencional duração pop num remoinho psicadélico espacial, encerrando em beleza com "All Over", novamente um instrumental no qual Gardner explora várias tonalidades dos seus teclados vintage, num disco que apesar de soar a pérola perdida da época áurea do psicadelismo dos 60, possui argumentos mais do que suficientes para obter a devida atenção e devoção.
quinta-feira, junho 25, 2015
Leon Bridges - "Coming Home"
"Coming Home" é o registo de estreia na Columbia Records do jovem texano Leon Bridges, um apaixonado pela soul e R&B de meados da década de 60 que já lhe valeu comparações a Otis Redding, Sam Cooke, Marvin Gaye ou ao colega de editora Raphael Saadiq.
Com uma voz aveludada e melodias de fácil audição, Bridges contou com o precioso auxilio de Josh Block e Austin Jenkins dos White Denim como banda de apoio e produção, resultando num disco com um forte travo à época dourada da soul onde não faltam os teclados à Booker T., coros femininos e uma eficiente seção de metais. Vagueando entre baladas que em nada destoariam no cancioneiro da falecida Amy Winehouse, R&B para bater o pezinho que o Nick Waterhouse tão bem explora, aproximação aos Black Keys do galardoado "Brothers" e gospel no arrepiante "River" que encerra este disco, tudo foi pensado ao pormenor e a apontar algum defeito a "Coming Home", será apenas por soar tão deslocado do tempo e por faltar um toque mais pessoal que estou em crer surgirá com o crescimento de Bridges como músico.
sexta-feira, junho 19, 2015
Spray Paint - "Punters On A Barge"
Segundo álbum dos texanos Spray Paint com selo da editora australiana Homeless Records, "Punters On A Barge" revela uma banda imersa nas sonoridades ruidosas da no wave e post-punk com apontamentos de noise-rock e até uma certa aura industrial.
Com uma construção musical assente em ritmos repetitivos, guitarras dissonantes e vocalizações a tender para o agressivo, a referência aos Jesus Lizard é óbvia, no entanto, creio que este disco incide mais nos primórdios dos Sonic Youth (com semelhanças vocais a Lee Ranaldo) e segue um trilho aproximado aos Cold Pumas e Yvette duas das mais estimulantes bandas da atualidade.
Num total de 10 faixas que podem ser escutadas aqui, o trio Spray Paint demonstra em "Punters On A Barge" criatividade suficiente para cativar os ouvidos mais rotinados a estas andanças mais "noisy"e deixam em aberto um carreira para seguir com atenção.
segunda-feira, junho 08, 2015
Someone Still Loves You Boris Yeltsin - "The High Country"
Formados em meados da década passada em Springfield, Missouri, os Someone Still Loves You Boris Yeltsin surgiram em plena euforia da blogosfera e graças a isso conseguiram algum reconhecimento que levou a um contrato com a sempre recomendável Polyvinyl. "The High Country" é já o seu quinto registo de originais e após dois discos medianos "Let It Sway" (2010) e "Fly By Wire"(2013) retornam com algumas novidades sonoras ao investir mais na vertente rock muito embora a costela pop nunca deixe de estar presente.
"Line On You" abre este disco numa toada grunge-pop na senda dos Weezer e Superchunk, para logo de seguida atacarem com a orelhuda "Step Brother City" algures entre os Strokes e os Beach Boys, onde não faltam os inevitáveis "oooohhs". "Goal Mind", "Full Possession Of Her Powers" e a delicada " "Madeline" são faixas tipicamente indie-jangle-pop, tendência com que a banda foi alicerçando grande parte da sua discografia.
"What I Won" aventura-se em terrenos shoegaze e dream-pop a recordar os seus colegas de editora Headlights. Revelam músculo rockeiro com "Trevor Forever" novamente a inclinar para o território dos Weezer mas também dos Pixies e dos recentes Paws. A finalizar temos a power-pop na linha dos Telekinesis e Nada Surf em "Song Will" e "Total Meltdown", um pouco mais adocicada em "Foreign Future" e um aproximar à escola sónica de "Magnet's New Summer 'Do", concluindo assim um disco que pode resultar em pleno como banda sonora deste Verão.
quarta-feira, maio 27, 2015
Death And Vanilla - "To Where The Wild Things Are"
Banda que me escapou ao radar desde a sua formação em 2010, o duo sueco composto por Marleen Nilsson e Handers Hansson, produzem sob a designação de Death and Vanilla uma sonoridade retro-futurista psicadélica assente nas experiências radiofónicas da BBC na década de 60, em bandas-sonoras vintage, em grupos como os United States of America, Stereolab, Broadcast, no dream-pop dos Mazzy Star, Au Revoir Simone, Beach House e Still Corners, partilhando igualmente um universo similar com os recentes Gulp, Virginia Wing e Soundcarriers.
Apesar do seu som soar deveras familiar, estamos perante um disco que em nada fica a dever às suas influências, embora por vezes estas fazem-se notar em demasia. "To Where The Wild Things Are" foi gravado com parcos meios mas isso não impediu a banda de criar um disco com uma rigorosa produção com a voz de Marleen imersa em reverb, os teclados recheados de pormenores e uma guitarra fuzz a surgir a espaços.
Temas como "Necessary Distortions" (que titulo tão Stereolab!), "California Owls" (olá Beach Boys), a açucarada "Time Travel" ou "The Hidden Space" (olá Silver Apples) são alguns exemplos de um disco que cria vício e decerto fará parte de várias listas dos melhores deste ano.
quarta-feira, maio 20, 2015
Thee Oh Sees - "Mutilator Defeated At Last"
Após a noticia em finais de 2013 que a banda faria uma merecida pausa em termos de edições discográficas e concertos que acabou por revelar-se infundada, os Thee Oh Sees não dão tréguas e retornam com este monstruoso "Mutilator Defeated At Last", um álbum bem mais musculado que o anterior "Drop" e digno sucessor do poderoso "The Putrifiers II" (2012).
Composto por nove faixas com uma duração total de pouco mais de 30 minutos, "Mutilator..." abre as hostilidades em grande com "Web", um tipico tema do seu cancioneiro no qual psicadelismo, garage rock, batida kraut e os habituais gritos de John Dwyer fazem-se notar. O terramoto sonoro de "Withered Hand" soa a Black Lips a tentar imitar os Blue Cheer ou Black Sabbath e aposto que ao vivo deve criar fendas nas paredes!
O melodioso "Poor Queen" numa vertente aproximada ao garage pop abre caminho para "Turned Out Light" desta feita a piscar o olho ao southern-boogie mas sem descambar. O devaneio sónico de "Lupine Ossuary" pode ser encarado como a continuação de "Lupine Dominus" tema maior de "The Putrifiers II". A roçar os quase 7 minutos de duração "Sticky Hulks" é uma pedrada psicadélica com os teclados a contrabalançar os espasmos guitarrísticos, seguido do instrumental "Holy Smoke", igualmente numa toada psicadélica mas numa abordagem mais folky. Logo de seguida somos abanados pelo garage-punk de "Rogue Planet" e o encerramento em beleza fica a cargo de "Palace Doctor".
Mais uma vez os Thee Oh Sees revelam-se como uma das poucas bandas da atualidade em que podemos apostar que nunca farão um disco mau, e isso nos tempos que correm vale muito!
quarta-feira, maio 06, 2015
Mikal Cronin - "MCIII"
Dois anos volvidos após a edição de "MCII", o talentoso compositor Mikal Cronin regressa com o seu terceiro registo a solo "MCIII" na histórica editora Merge, tendo desta feita arriscado amplificar ainda mais o seu som com uma produção mais elaborada e maior atenção aos arranjos, contudo não fiquem com a ideia de Cronin ter virado um cantor pop com os olhos postos nos tops, a sua música embora acessível talvez figurasse na MTV da década de 90 aquando da euforia grunge e o rock alternativo era a nova mina a explorar.
Dividido em duas partes, "MCIII" apresenta na face A algumas das canções mais apelativas que Cronin já compôs, trilhando terrenos próximos aos Lemonheads, Built To Spill, Rogue Wave, The Shins e a pop californiana dos anos 60. Temas como "Made My Mind Up" ou "Feel Like" são exemplos máximos da sua mestria combinando refrões orelhudos, guitarras acústicas e distorcidas, violinos flutuantes e uma voz adocicada. O lado B consiste num relato sobre uma fase da sua vida aquando adolescente em que teve de se mudar para outra zona do mapa americano e os sentimentos que daí advieram, num relato deveras sincero em seis andamentos. Mais rebuscada, esta face apresenta temas ora "rockeiros" ("Gold", "Ready"), baladas com piano, cordas e sopro a sobressair ( "Alone", "Different") ou mais acústicos ("Circle", "Control").
Cronin estabelece-se definitivamente ao terceiro álbum como um músico a merecer os rasgados elogios que tem granjeado junto da critica especializada, mas acima de tudo, é já um nome com créditos firmados numa discografia exemplar.
terça-feira, maio 05, 2015
Metz - "II"
O power-trio canadiano retorna às lides discográficas após o explosivo disco de estreia editado em 2012 com direito a duas passagens por Portugal que não descolarão tão cedo da memória de quem assistiu. O novo registo simplesmente intitulado "II" não se desvia da avalanche sonora trilhada inicialmente: a guitarra continua a soar a um enxame de abelhas dentro de uma centrifugadora, o baixo não dá tréguas, a bateria tenta suplantar os restantes instrumentos e as vocalizações são basicamente um berreiro descontrolado, resumindo, isto é noise-rock com uma forte costela hardcore cujo alvo é abalar a estrutura óssea do ouvinte e colocar os seus tímpanos a sangrar!
Para além da referência aos Pixies, Big Black e Nirvana (fase Bleach) os Metz recuperam aquele indie-rock dos 90, repleto de suor, ruído, gritaria, violência e sujidade explorado por inúmeras bandas como os Unwound, Jesus Lizard, Unsane ou os colegas de editora Pissed Jeans. De fato os seus registos remetem para essa época dourada do rock alternativo ainda com um forte cunho "underground", e aí reside a sua popularidade, quiçá porque muita gente não se revê neste universo no qual as bandas andam de mãos dadas com o "mainstream", guiam-se pelo que está "in", esmeram-se nas produções mais limpinhas e no visual a condizer com o momento e num abrir e fechar de olhos já estão "out", ou seja, de alternativo possuem muito pouco.
Em apenas meia-hora os Metz sacodem o ouvinte de uma forma que muitos deixaram de estar habituados e uma geração mais nova é empurrada contra a parede questionando-se de onde saiu este tornado sonoro. Podemos afirmar que não descortinamos diferenças entre os dois álbuns, que a banda não se esforçou em mudar algo na sua sonoridade, mas este é daqueles casos em que a velha máxima "em equipa que ganha não se mexe" faz todo o sentido.
sexta-feira, maio 01, 2015
sexta-feira, abril 24, 2015
Built To Spill - "Untethered Moon"
Veteranos do panorama indie-rock americano, os Built To Spill liderados por Doug Martsch, regressam às edições discográficas seis anos após "There Is No Enemy", um disco que a meu ver indiciava alguma falta de criatividade e um certo esgotamento da fórmula sonora encetada em inícios da década de 90.
Muitos ficaram surpreendidos com o retorno dos Built To Spill tendo em conta algumas afirmações de Martsch no sentido de alguma desorientação e cansaço, no entanto a banda sofreu uma remodelação e "Untethered Moon" espelha bem essa mudança, de tal forma que sou levado a creditar este novo disco como o seu melhor desde o impactante "Keep It Like a Secret" datado de 1999.
A nível sonoro não detetamos alterações de maior, o cruzamento entre Neil Young e Dinosaur Jr. continua bem patente, assim como as guitarras em força com solos inspirados contrabalançados com a voz melodiosa de Martsch que em "Never Be The Same" aproxima-se do território dos The Shins e Rogue Wave. O que diferencia este disco dos restantes editados este século assenta num maior pendor melódico em detrimento dos extensos solos, mais pop se preferirem, e composições mais inspiradas e positivas, a expor um Doug Martsch de bem com a vida e um espirito renovado na sua música.
terça-feira, abril 14, 2015
The Lucid Dream - "The Lucid Dream"
"The Lucid Dream" abre as hostilidades com o extenso instrumental "Mona Lisa", uma viagem vertiginosa repleta de efeitos com uma dinâmica criativa. Segue-se "Cold Killer", faixa poderosa que os Crocodiles ou os The Vacant Lots não desdenhariam serem os autores. "Darkest Day/ Head Musik" é composta a dois tempos, uma abertura na linha dos Spectrum que evolui para uma explosão sónica ao estilo dos White Hills. Aceleramos a bom ritmo com "Moonstruck" um cruzamento entre as Electrelane e os My Bloody Valentine para abrandar pouco depois com "Unchained Dub", com a banda a exibir a sua devoção para com este estilo mas à sua maneira. "Unchained" é a faixa mais acessível com uma piscadela de olho ao psych-pop da década de 60. A finalizar temos o mantra hipnótico de "Morning Breeze" com distorção a rodos balanceado por uma parte mais atmosférica a lembrar os Verve, Spacemen 3 e Spiritualized. Por último "You & I" poderia ser a faixa de encerramento de um disco dos Warlocks com uma cadência mais lânguida mas sempre com um forte cunho psicadélico presente.
Após ter visto a banda em 2013 ainda o álbum de estreia "Songs of Lies and Deceit" não tinha sido editado, é com grande expetativa que anseio o concerto dos The Lucid Dream na primeira edição do Indouro Fest, no qual decerto irão tocar vários temas deste cativante disco.
Post-Punk Mixtape
Edu (Mouco) & Ex Lion Tamer apresentam o primeiro volume da post-punk mixtape. Uma seleção sobre um período da história musical cuja influência perdura ainda nos dias de hoje. Enjoy!
terça-feira, março 31, 2015
Föllakzoid - "III"
Hipnótico, psicadélico e tribal são alguns adjetivos empregues amiúde quando nos referimos ao som produzido pelos Föllakzoid, banda oriunda de Santiago do Chile que editou esta semana, (tal como o titulo indicia), o seu terceiro álbum pela consagrada editora Sacred Bones. Como é evidente, esses e mais alguns adjetivos funcionam na perfeição para descrever a sua sonoridade que fixa-se na eterna escola kraut, ou em bandas como os Hawkwind, White Manna, Wooden Shjips, e até The Hair & Skin Trading Company a título de exemplo. Quiçá o que tem levado o grupo chileno a conquistar um lugar de destaque no território cada vez mais populoso do rock psicadélico, estará alicerçado na herança da antiga música dos Andes levando a que as suas composições soem a autênticos mantras e para o comprovar surgem "Electric", "Earth", "Piure" e "Feuerzeug" as quatro extensas faixas (oscilando entre 10 a 12 minutos de duração), de "III".
Este novo disco é mais um exercício de exploração sonora através da incessante repetição de acordes, constante batida, vocalizações fantasmagóricas e efeitos electrónicos bizarros (cortesia de Atom TM), com vista a levar o ouvinte a entrar noutra dimensão, como que de um ritual se tratasse, e verdade seja dita, facilmente somos transportados para outra realidade, seja ela espacial ou transcendental. Garantidamente um disco "para avariar a mioleira!".
quinta-feira, março 26, 2015
LoneLady - "Hinterland"
LoneLady é o alter-ego de Julie Campbell, uma mancuniana cujo primeiro registo "Nerve Up" editado em 2010 escapou ao meu atento radar. 5 anos após o disco debutante, Julie regressa com "Hinterland", um álbum mergulhado no legado pós-punk da sua Manchester-natal mas também no punk-funk e mutant-disco de finais da década de 70, inícios de 80.
A sombra industrial, cinzenta, e melancólica da cidade que revelou ao mundo os Joy Division faz-se notar como que um fantasma do passado se tratasse, a que não será alheio a inclusão de elementos sonoros semelhantes aos incorporados em "Unknown Pleasures", contudo este "Hinterland" fixa-se no presente como um belo exercício de conjugação de inúmeras influências sem nunca soar datado.
Para além da banda de Ian Curtis, detetamos igualmente a marca dos A Certain Ratio, Liquid Liquid, Gang of 4, E.S.G., Talking Heads, Tom Tom Club, Maximum Joy, a vertente pop melodiosa das Luscious Jackson, sem olvidar a nova pop eletrónica de Lykke Li ou Grimes, resultando num disco dançável imerso numa atmosfera próxima do urbano-depressivo. Temas como "Bunkerpop", "Groove It Out", e "(I Can See) Landscapes" são exemplos de como pegar no legado do passado e transforma-lo em algo novo e excitante.
quinta-feira, março 19, 2015
The TeleVibes
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Com uma discografia assente apenas num ep (k7) e dois meros singles todos eles em formato digital e passíveis de serem descarregados legalmente, estou em crer que esta banda vai dar o salto muito em breve (se tal não acontecer anda tudo surdo). Se apreciam Ty Segall, Thee Oh Sees, Jay Reatard, Sonny & The Sunsets, Shannon & The Clams e uma boa surfalhada, para além dos soalheiros Beach Boys, então os The TeleVibes são definitivamente uma banda que devem investigar. Toca a curtir aqui!
terça-feira, março 17, 2015
Modest Mouse - "Strangers to Ourselves"
Após um hiato de 8 anos, os Modest Mouse regressam finalmente com "Strangers To Ourselves", um disco demorado e atribulado mas que no fim de contas soa precisamente à sucessão natural do injustamente mal-amado "We Were Dead Before The Ship Even Sank." Como grande apreciador da banda que sou, confesso que receava igualmente pelo pior, mas conforme os temas iam sendo apresentados em antecipação (6 no total) a crença de que este álbum seria digno da sua já vasta discografia, tornou-se uma certeza.
Neste período de tempo que medeia os álbuns, sucederam uma variedade de situações que levaram a este anormal atraso: Johnny Marr regressou a Inglaterra, o baixista Eric Judy abandonou a banda, as gravações tiveram 5 produtores envolvidos, Isaac Brock decidiu construir um estúdio para o refazer novamente pois não estava satisfeito, constantes digressões e as reedições de "This Is A Long Drive For Someone With Nothing To Think About" e "The Lonesome Crowded West". Todas estas circunstâncias levaram muito crítico e fãs a pensar que este novo disco soaria a uma manta de retalhos ou pior ainda, seria um flop de todo o tamanho.
Outra questão que envolve regularmente os Modest Mouse diz respeito à sua sonoridade que muitos agora vêm como comercial devido ao inesperado sucesso de "Good News For People Who Love Bad News" e ao facto de pertencerem a uma major. A meu ver é tudo uma questão de criatividade e mantenho a opinião que não os considero tão acessíveis quanto os The Shins ou Death Cab For Cutie (bandas do mesmo campeonato) e ao fim de uma carreira de 20 anos é natural que uma banda tenha os seus tiques sonoros, algo bem patente em "Strangers To Ourselves" mas que não é de censurar.
À exceção de 2 a 3 temas menos conseguidos (Pistol é uma trapalhada) existem inúmeros motivos de interesse para ouvir este disco e para voltar a ver os Modest Mouse como uma banda válida e não uma mera recordação do indie da década de 90 ou banda de um disco só, e para o comprovar, fica a promessa de que o irmão deste registo será editado assim que for possível.
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