quarta-feira, fevereiro 10, 2016
Pop. 1280 - "Paradise"
Eu reconheço que enumerar influências para descrever uma banda ou um álbum é uma via facilitista e redutora, contudo, após as contínuas audições do terceiro registo dos Pop. 1280 a minha mente é invadida por uma avalanche de referências que o mais complicado é evitar citar todas sob o risco de estar a descrever "Paradise" como um mero exercício revisionista da matéria dada, o que não é o caso mas pouco falta.
Desta feita a banda de Brooklyn acentua a sua devoção pelo rock industrial através dos sinistros teclados e a incessante percussão ao qual se adicionam vocalizações em tom de discurso inflamado e guitarras a imitar o alvoroço de uma qualquer siderurgia. "Paradise" soa a disco conceptual baseado numa sociedade que no atual panorama politico e económico, perdeu a esperança num mundo melhor e depara-se com um cenário distante do paraíso a que o titulo sarcasticamente alude.
Confesso que nunca fui um grande adepto das sonoridades industriais, regra geral aprecio algumas das suas características aliadas a outras vertentes de que são um bom exemplo os Cop Shoot Cop, banda que saltou logo à memória e que estranhamente não vi referida nas diversas criticas a este disco, mesmo tendo em conta que a produção ficou a cargo do afamado Martin Bisi. A partir daí surge a tal enxurrada de similaridades sonoras com os Suicide, Killing Joke, Birthday Party, Nitzer Ebb, Big Black, Swans, Sisters of Mercy, Front 242, Scrapping Foetus Of The Wheel, Fad Gadget, Nine Inch Nails, Klinik, Virgin Prunes e mais umas quantas através das 9 faixas que regra geral possuem uma carga plena de agressividade: "Phantom Freighter", "In Silico", "USS ISS", alternadas com momentos mais pausados e diria até cinematográficos como a faixa que dá titulo ao álbum, "Rain Song" ou "Pyramids on Mars".
Embora "Paradise" possua argumentos suficientes para entusiasmar, no entanto não são suficientes para ultrapassar a barreira de um disco que forçosamente remete em demasia para um exercício de nostalgia.
quarta-feira, fevereiro 03, 2016
Fat White Family - "Songs For Our Mothers"
Os Fat White Family são uma banda de drogados (eles próprios admitem!) com uma sonoridade difícil de catalogar, um sentido de humor deveras peculiar (basta atentar ao titulo deste disco) e cuja pretensão é agitar consciências ao invés de alcançar uma notoriedade que os posicione num horário nobre de um qualquer mega-festival.
"Songs For Our Mothers" é o aguardado sucessor do indefinível registo de estreia "Champagne Holocaust" (2013) que colocou esta bizarra banda nas bocas do mundo graças às suas canções pouco convencionais, vídeos a tender para o chocante e atuações ao vivo a roçar o caótico. Tudo bons indícios portanto, para que este novo disco criasse algum burburinho quanto ao que esta rapaziada seria capaz de elaborar e verdade seja dita, os Fat Whites não só corresponderam às expetativas como tornaram-se ainda mais inclassificáveis.
Apesar de terem melhores condições de gravação, a banda apostou novamente numa produção a tender para o caseiro, contudo, teve mais tempo para explorar em estúdio algo que é notório através da inclusão de vário instrumentos pouco usuais e em extrair sons atrofiados das suas guitarras (por vezes sou levado a pensar que estão verdadeiramente desafinadas!).
"Whitest Boy On The Beach" tem as honras de abertura e não podiam começar melhor com este cruzamento de Suicide, Silver Apples e Clinic. "Satisfied" avança com caixa de ritmos, toada glam, guitarras dissonantes e por momentos dou por mim a pensar nos Tones On Tail. "Love Is The Crack" soa a Thee Oh Sees quando tiram o pé do acelerador e tentam imitar os Beatles mergulhados em ácido, ao passo que a extensa "Duce" é toda uma missa fúnebre de contornos industriais digna do catálogo dos Swans.
"Lebensraum" assemelha-se a uma recriação do "Lonesome Town" de Ricky Nelson via Tom Waits, e a caixa de ritmos volta à carga em "Hits Hits Hits" para um menear da anca insinuante terminando em algo que os Primal Scream poderiam ser os autores. O ritmo motorik dá um ar da sua graça em "Tinfoil Deathstar", pincelada com teclados retro 60's e no final fica a impressão de ter escutado um cruzamento entre os Apse e os dEUS. Prosseguimos para um suposto clássico da Disney sob efeito de LSD e andamento de valsa em "When Shipman Decides" para de seguida entramos no inferno de "We Must Learn To Rise" e terminarmos em beleza com a acústica "Goodbye Goebbels", mais uma referência ao universo fascista que os mais incautos poderão não entender mas quem estiver ciente do quão subversivos os Fat White Family podem ser, acaba facilmente por esboçar um sorriso.
quarta-feira, janeiro 27, 2016
Sea Pinks - "Soft Days"
Liderados por Neil Brogan, outrora elemento dos Girls Names e membro dos CRUISING, os Sea Pinks editam "Soft Days" o seu segundo álbum como um trio (Steven Henry e Davey Agnew no baixo e bateria respetivamente), após 3 registos caseiros nos quais Brogan assumiu toda as tarefas musicais.
"Soft Days" é assumidamente um disco pop, cuja inspiração maior remete para a década de 80 através de bandas seminais como os The Smiths, The Go-Betweens, Felt ou para a vaga C86, num disco coeso, pleno de simplicidade e bom gosto, com uma produção básica que assenta na perfeição nas onze canções que o compõem.
Com a cadência jangle a imperar na maioria dos temas, a espaço detetamos rasgos de power-pop ("Keep Running") e até de surf-pop ("Yr Horoscope" poderia ter sido assinada pelos Two Wounded Birds), com a voz sempre melodiosa de Brogan a debitar histórias na sua maioria sobre relações amorosas num timbre que alterna entre o Tim Wheeler dos Ash ou um Billy Bragg com menos sotaque.
Num disco que não aspira a ser mais que um bom conjunto de canções, um objetivo alcançado com distinção, "Soft Days" tem o condão de soar bastante familiar sem no entanto descambar para o plágio ou mera devoção, revelando isso sim, qualidades mais do que suficientes para conquistar mesmo o ouvido mais rotinado nestas andanças do indie-pop.
segunda-feira, janeiro 18, 2016
Parlor Walls
Tendo em conta o ritmo mais lento nas edições discográficas quando um novo ano se inicia, aproveito esta oportunidade para destacar os Parlor Walls, um trio sediado no efervescente bairro de Brooklyn, composto por Alyse Lamb que lidera os recomendáveis EULA na voz e guitarra, a saxofonista Kate Mohanty e o multi-instrumentalista Chris Mulligan que conjuntamente com Alyse conduzem a editora e plataforma artística Famous Swords.
Rotulam a sua sonoridade de Trash Jazz, na qual elementos da No Wave, do rock experimental e do pós-punk, convivem com a improvisação jazzística, podendo o resultado dessa fusão ser escutado e descarregado através dos ep's Parlor Walls (2014) e o mais recente Cut (2015). Se no primeiro registo a banda procurava criar uma identidade própria, "Cut" é a prova de estarmos perante uma banda que tenta fugir aos clichés dos géneros mencionados mas que no entanto não tenta forçar a barreira do experimentalismo só para soar original. Porventura a veia um pouco mais convencional que Alyse explora nos EULA conduza-os a não descurar a questão da criação de canções onde elementos mais melódicos casam perfeitamente com essa vertente mais difícil de assimilar para o ouvido comum.
Em diversos momentos sou levado a recordar o "Past Life Martyred Saints" de EMA ou a descobrir ambiências comuns aos Esben & The Witch, derivado tanto ao registo vocal de Alyse como a um certo negrume e uma tensão nervosa latente que paira sobre estes temas. Sem soar a chavão (mas que não deixa de o ser), fica a frase usual neste tipo de artigos: uma banda a seguir atentamente no futuro.
quarta-feira, dezembro 30, 2015
2015 em concertos
Por diversas razões este ano não foi muito preenchido em termos de concertos, não pela falta de quantidade e qualidade, mas como diz a cantiga "you can't always get what you want", algo que lamento, uma vez que sou daqueles que gosta de tirar a prova dos 9 assistindo a uma banda a tocar e não entretido a dar à letra, a tirar fotos em catadupa ou a marcar o ponto em festivais de grande envergadura enquanto se digere bandas a metro e se publica nas redes sociais. (Eu tenho mau feitio, eu sei!)
Em contrapartida estive orgulhosamente envolvido no Indouro Fest, tive a oportunidade de privar com várias bandas e músicos que admiro, apreciei bandas em locais nunca antes visitados e consegui uns quantos autógrafos e recordações de quem realmente teve impacto no meu crescimento musical.
Apresento por ordem de visionamento a reduzida mas satisfatória lista dos concertos assistidos em 2015, na esperança que 2016 seja mais recheado.
Em contrapartida estive orgulhosamente envolvido no Indouro Fest, tive a oportunidade de privar com várias bandas e músicos que admiro, apreciei bandas em locais nunca antes visitados e consegui uns quantos autógrafos e recordações de quem realmente teve impacto no meu crescimento musical.
Apresento por ordem de visionamento a reduzida mas satisfatória lista dos concertos assistidos em 2015, na esperança que 2016 seja mais recheado.
- Dead Neaderthals + Orthodox @ Cave 45 (29-01-2015)
- Pop Dell' Arte + Plaza @ Hard Club (21-02-2015)
- Putan Club + Tren Go Sound System @ Cave 45 (24-02-2015)
- Rated With an X @ Casa de Ló (27-02-2015)
- Enablers @ Clube de Vila Real (11-03-2015)
- Luna @ Casa da Musica (26-04-2015)
- Indouro Fest : Rainy Days Factory/ Lost Rivers/ Electric Litany/ Limiñanas/ Tristesse Contemporaine/ Lucid Dream/ White Haus @ Serra do Pilar (02-05-2015)
- Indouro Fest : Os Principes / Whistlejacket/ Yuck/ Lola Colt/ Malcontent / British Sea Power @ Serra do Pilar ( 03/05/2015)
- Mute Swimmer @ Casa de Ló (07-05-2015)
- Clinic + Toy + Eat Bear @ Hard Club (04-07-2015)
- Pega Monstro + Filho da Mãe & Ricardo Martins + Girl Band @ CAAA Guimarães (10-10-2015)
- Rated With an X @ Canhoto (24-10-2015)
- And So I Watch You From Afar + Homem Em Catarse @ Hard Club (05-11-2015)
- Lower Dens @ GNRATION (Braga) (22-11-2015)
- Rita Braga + Ian Svenonius @ Sonoscopia (05-12-2015)
terça-feira, dezembro 15, 2015
Best Of 2015
Esta necessidade de criar uma lista dos melhores discos de cada ano tem muito que se lhe diga, mas levaria a uma dissertação que no final resume-se a um critério pessoal e a determinados factores que influenciaram as escolhas, e além do mais, ninguém gosta de ler textos extensos na net.
Eleger o melhor do ano é tarefa que tenho vindo a evitar e este ano não é excepção, muito embora o mais forte candidato fosse "Holding Hands With Jamie" dos Girl Band. Prefiro resumir um ano de edições musicais a uma quantidade de discos que ouvi amiúde com satisfação e basicamente é isso que conta. Muitos ficaram de fora desta lista de 40 registos, derivado a vários factores e quem sabe, poderão vir a seduzir os meus ouvidos no futuro.
Apesar das inúmeras horas passadas a ouvir os lançamentos de 2015 (acreditem, foram muitas!) é óbvio que muito ficou por descobrir, mas esse questão é a mesma de todos os anos. Sem mais delongas apresento-vos por ordem alfabética os tais "Melhores de 2015" acrescidos de uma pequena resenha e link para a sua audição na esperança que vos desperte o interesse.
Como espécie de bónus adicionei uma mixtape assente em 20 faixas representativas dos tais 40 registos. Ficam os votos de um bom ano, claro está, repleto de boa música!
01 - Blacklisters - "Adult"
Segundo álbum desta formação de Leeds com uma sonoridade noise-rock ao nível do melhor Jesus Lizard e Pissed Jeans. Produção a cargo de MJ dos Hookworms.
02 - Built To Spill - "Untethered Moon"
Regresso em grande forma da banda liderada por Doug Martsch, Quiçá um pouco mais pop mas sempre com aquela qualidade que lhes é reconhecida.
03 - Christian Fitness – "Love Letters In The Age Of Steam"
Christian Fitness é o alter-ego de Andrew Falkous, mentor de bandas como os Mclusky e Future Of The Left. Quem as conhecer já sabe o que a casa gasta!
04 - Conduct - "Fear and Desire"
Perante um disco que foi gravado por Steve Albini e masterizado por Bob Weston, membros dos Shellac, é óbvia a sua influência neste disco mas "Fear and Desire" é muito mais que simples devoção.
05 - Death And Vanilla - "To Where The Wild Things Are"
Terceiro registo deste duo sueco que combinam de forma exemplar exótica, krautrock, library music, bandas sonoras vintage, dream pop ou se preferirem, a banda perfeita para matar saudades dos Stereolab e Broadcast.
06 - Destruction Unit - "Negative Feedback Resistor"
Se algo ainda ficou de pé após a devastação do anterior "Deep Trip", este novo registo tratou de reduzir tudo a cinzas dada a sua carga demolidora.
07 - Disappears - "Irreal"
Art-rock negro, denso e claustrofóbico com elementos da No Wave, Post-Punk e industrial. Não é de fácil assimilação mas ainda bem que assim é.
08 - Enablers - "The Rightful Pivot"
Descrever o som dos Enablers não é uma tarefa que se toma de ânimo leve dada a sua complexidade sonora. Carreguem no link abaixo para confirmar como eu tenho razão.
09 - Föllakzoid - "III"
Os psicadélicos chilenos voltam à carga com mais uma valente dose de música tripante. Estão prontos para entrar noutra dimensão?
'Bora lá ouvir!
Os psicadélicos chilenos voltam à carga com mais uma valente dose de música tripante. Estão prontos para entrar noutra dimensão?
'Bora lá ouvir!
10 - Girl Band – "Holding Hands With Jamie"
As expectativas eram elevadas mas banda irlandesa confirmou em pleno, tanto em disco como ao vivo, que possuem talento, criatividade e energia mais do que suficientes para os seguirmos atentamente num futuro que aparenta ser bastante promissor. Brutal!
'Bora lá ouvir!
As expectativas eram elevadas mas banda irlandesa confirmou em pleno, tanto em disco como ao vivo, que possuem talento, criatividade e energia mais do que suficientes para os seguirmos atentamente num futuro que aparenta ser bastante promissor. Brutal!
'Bora lá ouvir!
11 - Jacco Gardner - "Hypnophobia"
O holandês investe numa pop psicadélica barroca com uma dose experimental q.b. em canções que ficam facilmente na memória.
'Bora lá ouvir!
O holandês investe numa pop psicadélica barroca com uma dose experimental q.b. em canções que ficam facilmente na memória.
'Bora lá ouvir!
12 - Krill - "A Distant Fist Unclenching"
Terceiro e infelizmente o derradeiro registo desta formação de Boston. Não tarda surgirão bandas a revelar a sua influência.
Terceiro e infelizmente o derradeiro registo desta formação de Boston. Não tarda surgirão bandas a revelar a sua influência.
13 - La Luz - "Weirdo Shrine"
Surf-pop, harmonias sacadas às girls groups de 60 e uma costela garage são os condimentos necessários para criar um disco estimulante.
Surf-pop, harmonias sacadas às girls groups de 60 e uma costela garage são os condimentos necessários para criar um disco estimulante.
14 - Lair – "Test"
Segundo álbum deste desconhecido duo que funde diversas vertentes de uma forma experimental, mas cujo resultado final surge como um todo homogéneo. Confusos?
15 - Leon Bridges - "Coming Home"
Basicamente basta descrever este disco debutante como o melhor registo soul deste ano.
Basicamente basta descrever este disco debutante como o melhor registo soul deste ano.
16 - Lonelady - "Hinterland"
Espécie de tributo à sua Manchester, Julie Campbell elabora um disco cimentado no catálogo da Factory e nos movimentos pós-punk e mutant disco de finais de 70 mas com um toque de modernidade.
17 - Mbongwana Star – "Mbongwana Star"
Combinação dos ritmos congoleses com eletrónica poderá soar algo estranho mas graças à produção de Doctor L., este disco com membros dos Staff Benda Bilili resulta em pleno.
18 - Metz - "II"
Porventura não tão impactante quanto o registo debutante, mas igualmente devastador.
19 - Mikal Cronin - "MCIII"
Desta feita Cronin coloca tudo no assador, seja em termos de diversidade sonora, em arranjos e produção e o resultado é deveras satisfatório.
20 - Minami Deutsch – "Minami Deutsch"
Banda japonesa cria um disco puramente kraut e soa uma maravilha. Daqueles que apetece colocar em modo repeat. Moca!
21 - Modest Mouse – "Strangers To Ourselves"
Oito anos volvidos os Modest Mouse regressam em forma embora com um disco algo desigual mas ainda assim com um número suficiente de boas canções para figurar nesta lista. Além disso já tinha saudades de Brock e companhia!
'Bora lá ouvir!
Oito anos volvidos os Modest Mouse regressam em forma embora com um disco algo desigual mas ainda assim com um número suficiente de boas canções para figurar nesta lista. Além disso já tinha saudades de Brock e companhia!
'Bora lá ouvir!
22 - OST – "The Man From U.N.C.L.E."
Quiçá fruto da minha recente devoção a bandas sonoras de culto, não resisti em colocar este disco composto por Daniel Pemberton que honra os grandes nomes do género como Morricone, Schifrin, John Barry e até David Holmes.
Quiçá fruto da minha recente devoção a bandas sonoras de culto, não resisti em colocar este disco composto por Daniel Pemberton que honra os grandes nomes do género como Morricone, Schifrin, John Barry e até David Holmes.
23 - PINS – "Wild Nights"
O segundo registo das PINS revela uma maior maturidade sonora vagueando por terrenos comuns às Vivian Girls e aos Duke Spirit.
'Bora lá ouvir!
O segundo registo das PINS revela uma maior maturidade sonora vagueando por terrenos comuns às Vivian Girls e aos Duke Spirit.
'Bora lá ouvir!
24 - Pope - "Fiction"
Recuperadores de uma certa estética lo-fi dos anos 90, o disco de estreia dos Pope não é um poço de originalidade mas possuí temas que, para quem cresceu com este som, ainda seduzem e convencem estes ouvidos.
'Bora lá ouvir!
Recuperadores de uma certa estética lo-fi dos anos 90, o disco de estreia dos Pope não é um poço de originalidade mas possuí temas que, para quem cresceu com este som, ainda seduzem e convencem estes ouvidos.
'Bora lá ouvir!
25 - Protomartyr – "The Agent Intellect"
Ao terceiro registo esta banda de Detroit eleva a fasquia e cria o seu melhor registo até à data, revelando um aprimorar na sua construção musical e letras existencialistas.
'Bora lá ouvir!
Ao terceiro registo esta banda de Detroit eleva a fasquia e cria o seu melhor registo até à data, revelando um aprimorar na sua construção musical e letras existencialistas.
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26 - Salad Boys – "Metalmania"
Herdeiros da sonoridade da Flying Nun e do indie rock americano dos 80, estes neozelandeses foram uma das melhores surpresas deste ano.
'Bora lá ouvir!
Herdeiros da sonoridade da Flying Nun e do indie rock americano dos 80, estes neozelandeses foram uma das melhores surpresas deste ano.
'Bora lá ouvir!
27 - Shopping – "Why Choose"
Segundo álbum deste trio londrino repleto de ritmos punk-funk com uma atitude politizada. A revolução também pode ser uma festa!
28 - Sleaford Mods - "Key Markets"
Não existem grandes mudanças em relação ao anterior "Divide & Exit", uma produção mais aprimorada, batidas mais refinadas mas não é preciso mexer muito numa fórmula vencedora.
Não existem grandes mudanças em relação ao anterior "Divide & Exit", uma produção mais aprimorada, batidas mais refinadas mas não é preciso mexer muito numa fórmula vencedora.
29 - Someone Still Loves You Boris Yeltsin - "The High Country"
Mais rock do que é usual nesta banda mas sempre com a pop a pontuar as suas canções, numa carreira que conta já com cinco discos merecedores de atenção.
'Bora lá ouvir!
Mais rock do que é usual nesta banda mas sempre com a pop a pontuar as suas canções, numa carreira que conta já com cinco discos merecedores de atenção.
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30 - Songhoy Blues – "Music In Exile"
O desert blues do Mali numa luta acesa com a tradição blues/rock americana, pincelada com ritmos funky. Quem ganha é o ouvinte!
'Bora lá ouvir!
O desert blues do Mali numa luta acesa com a tradição blues/rock americana, pincelada com ritmos funky. Quem ganha é o ouvinte!
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31 - Spray Paint - "Punters On A Barge"
Os texanos Spray Paint são dignos herdeiros de uma geração de bandas underground americanas dos 80 cujo legado pode ser apreciado neste disco.
Os texanos Spray Paint são dignos herdeiros de uma geração de bandas underground americanas dos 80 cujo legado pode ser apreciado neste disco.
32 - The Lucid Dream - "The Lucid Dream"
Por entre tanto revivalismo psicadélico, os The Lucid Dream revelam-se como uma banda que não pretende meramente imitar, mas acima de tudo, evoluir, algo que se faz notar neste segundo álbum.
'Bora lá ouvir!
Por entre tanto revivalismo psicadélico, os The Lucid Dream revelam-se como uma banda que não pretende meramente imitar, mas acima de tudo, evoluir, algo que se faz notar neste segundo álbum.
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33 - The TeleVibes – "High Or Die"
Banda que aos poucos tem vindo a conquistar alguma notoriedade no povoado cenário indie americano, editam o primeiro disco que espremido resulta num ep do caraças!
'Bora lá ouvir!
Banda que aos poucos tem vindo a conquistar alguma notoriedade no povoado cenário indie americano, editam o primeiro disco que espremido resulta num ep do caraças!
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34 - Thee Oh Sees - "Mutilator Defeated At Last"
Disco mais musculado que o anterior "Drop" e digno sucessor do poderoso "The Putrifiers II". Como diria o homem da Regisconta a banda de John Dwyer é "aquela máquina!"
'Bora lá ouvir!
Disco mais musculado que o anterior "Drop" e digno sucessor do poderoso "The Putrifiers II". Como diria o homem da Regisconta a banda de John Dwyer é "aquela máquina!"
'Bora lá ouvir!
35 - Tijuana Panthers - "Poster"
Limparam alguma da sujidade habitual no seu som e criaram um conjunto de canções que saltita entre o garage, o surf, o punk e a pop.
'Bora lá ouvir!
Limparam alguma da sujidade habitual no seu som e criaram um conjunto de canções que saltita entre o garage, o surf, o punk e a pop.
'Bora lá ouvir!
36 - TRAAMS – "Modern Dancing"
Mais um disco produzido por MJ dos Hookworms (não foi propositado!) desta feita o segundo álbum deste trio inglês cujas coordenadas sonoras apontam para várias direcções dentro do espectro indie-rock.
'Bora lá ouvir!
Mais um disco produzido por MJ dos Hookworms (não foi propositado!) desta feita o segundo álbum deste trio inglês cujas coordenadas sonoras apontam para várias direcções dentro do espectro indie-rock.
'Bora lá ouvir!
37 - Twerps - "Range Anxiety"
Este é daqueles que cola logo à primeira e felizmente não acaba por enjoar. Um belo disco pop desta formação australiana.
'Bora lá ouvir!
Este é daqueles que cola logo à primeira e felizmente não acaba por enjoar. Um belo disco pop desta formação australiana.
'Bora lá ouvir!
38 - Ultimate Painting - "Green Lanes"
Nem um ano volvido, Jack Cooper (Mazes) e James Hoare (Veronica Falls) voltam ao ataque com as suas melodias simples mas devera eficazes.
'Bora lá ouvir!
Nem um ano volvido, Jack Cooper (Mazes) e James Hoare (Veronica Falls) voltam ao ataque com as suas melodias simples mas devera eficazes.
'Bora lá ouvir!
39 - White Reaper - "White Reaper Does It Again"
Outro registo que aguardava com ansiedade, a estreia dos White Reaper é uma fusão de garage-punk-rock com refrões orelhudos e teclados New Wave.
'Bora lá ouvir!
Outro registo que aguardava com ansiedade, a estreia dos White Reaper é uma fusão de garage-punk-rock com refrões orelhudos e teclados New Wave.
'Bora lá ouvir!
40 - Yo La Tengo - "Stuff Like That There"
Espécie de continuação daquele irresistível "Fakebook" (1990) no qual a banda desliga-se um pouco da eletricidade para recriar alguns dos seus temas, apresentar novas canções, e claro está, desbundar umas quantas versões como só eles sabem fazer.
'Bora lá ouvir!
Bónus Mixtape
Espécie de continuação daquele irresistível "Fakebook" (1990) no qual a banda desliga-se um pouco da eletricidade para recriar alguns dos seus temas, apresentar novas canções, e claro está, desbundar umas quantas versões como só eles sabem fazer.
'Bora lá ouvir!
Bónus Mixtape
segunda-feira, novembro 30, 2015
The TeleVibes - "High or Die"
Outrora destacados neste espaço, desta feita volto a redigir umas linhas sobre os The TeleVibes em virtude da edição do seu primeiro longa duração "High or Die" editado no passado mês de Maio e passível de ser descarregado gratuitamente aqui.
Se os registos anteriores indiciavam uma banda cujas coordenadas sonoras apontavam para o rock psicadélico, o garage rock e o surf-pop, neste disco reforçam o ênfase no psicadelismo, desde logo através da sua capa e diversos piscar de olho ao Pink Floyd em faixas como "The Piper At The Gates of Bong" e "Pete ColdPack". No entanto o trio não se deixa levar completamente pela corrente psicadélica, continuando a compor faixas que não destoariam num disco dos Thee Oh Sees com guitarras repletas de fuzz e vocalizações reverberadas de que são exemplo "DMT", "Asyd" e "Ex To See".
Se retirarmos os interlúdios experimentais algo inconsequentes, acabamos com um ep de elevada categoria e o reforço de que os The TeleVibes são uma banda a ter em conta no futuro.
quarta-feira, novembro 18, 2015
Shopping - "Why Choose"
Segundo registo do trio londrino composto por Rachel Haggs, Billy Easter e Andrew Milk que aos poucos tem vindo a conquistar o seu espaço graças a uma sonoridade tipicamente devedora da vaga pós-punk, mas que apesar de facilmente detetarem-se as influências (ESG, Delta 5, Au Pairs, Slits, Talking Heads, Kleenex, Bush Tetras, The B-52's) soam a algo que não inovador mas bem elaborado e de fácil assimilação.
Se o registo de estreia "Consumer Complaints" revelava uma banda promissora, este "Why Choose" confirma as expetativas criadas pelo seu antecessor, denunciando uma banda consciente da sua mensagem politica, embora sem radicalismos, e com uma percepção musical assente nas premissas do género mas demonstrando que dentro de um estilo tão batido ainda existe espaço de manobra para criar algo minimamente interessante.
Para além das referências musicais citadas, sempre com o ritmo como foco primordial, ou se preferirem, em colocar o ouvinte ou espetador a mover o corpo,os Shopping tentam acima de tudo, conjugar a crítica politica e social inerente a esta vertente sem entrar num registo sonoro repleto de agressividade mas sim de ondas sonoras dançáveis, porque a mensagem não tem de ser cuspida para ser compreendida.
Em apenas meia-hora os Shopping despacham 12 temas nos quais gostaria de ouvir mais o diálogo da voz feminina/masculina como em "Straight Lines", contudo o jogo de vozes é um dos trunfos da sua sonoridade, sempre alicerçado em guitarras devedoras dos Wire ou Gang of 4, baixos repletos de groove e batidas ritmadas. Por vezes remetem para exemplos mais recentes como o caso das Electrelane ou dos Gossip mas as suas raízes estão bem vincadas na viragem da década de 70.
quarta-feira, outubro 28, 2015
Christian Fitness - "Love Letters In The Age Of Steam"
Christian Fitness é o alter-ego de Andrew Falkous (Falco para os amigos) mentor de bandas tão relevantes quanto os Mclusky e Future of The Left, que nesta sua "one man band" decide dar vazão à sua criatividade tocando todos os instrumentos à excepção da bateria.
Após ter editado "I Am Scared Of Everything That Isn't Me" no passado ano, Falco volta à carga com "Love Letters In The Age Of Steam" de momento apenas disponível para download através da sua página no Bandcamp. Como apreciador do seu trajecto musical assente num rock bastante abrasivo e letras corrosivas, confesso que tive algum receio em ouvir este registo, uma vez que, regra geral, a tendência dos músicos é suavizar e revelar outra faceta mais intimista e menos usual nas bandas que os impulsionaram para um certo reconhecimento. Felizmente não é esse o caso, e diria até que este "Love Letters" poderia fazer parte da discografia dos Future Of The Left.
A rondar os 30 minutos de duração, Falco despacha 10 faixas maioritariamente curtas mas plenas de consistência numa fusão de punk, noisy-indie-rock mas sempre com um sentido melódico e refrões que noutra dimensão seriam cantaroláveis por muitos. Destaque para o registo vocal empregue que tanto balança em narrador de histórias de suspense, oscila num falsete esquizofrénico e termina num berreiro já marca registada, muito embora perca alguma intensidade quando entra numa faceta de "cantor pop".
Pleno de temas demolidores como "Upset Army", "Middleyurt" e a faixa que dá titulo a este disco, no entanto existe espaço para temas mais pop "Standard Issue Grief", experiências a roçar o Prince cruzado com Pixies em "The Harder It Hits"ou o abalo sónico de "3 Speed Limiters". Peca na parte final com um "Who Is Iron God?" algo irritante e "Psychic Reader" numa espécie de synth-pop com demasiado teclado para o meu gosto.
Christian Fitness pode ir editando discos que desta forma não sinto a falta dos Future Of The Left!
quarta-feira, outubro 21, 2015
Lair - "Test"
Os Lair são um duo oriundo de Boston composto pelos multi-instrumentalistas John Moxley e Alek Glasrud e "Test" é o seu segundo registo sucedendo ao recomendável homónimo disco editado em 2014. Com uma sonoridade algo complexa de descrever, onde se vislumbram elementos típicos do krautrock, valentes doses de noise-rock, eletrónica marada, e um manto experimentalista a cobrir todo o disco, os Lair revelam-se uma banda deveras excitante graças a toda esta fusão que resulta num disco que peca por curto e leva o ouvinte a salivar por mais.
Embora as influências não sejam fáceis de detetar, acredito que a banda seja apreciadora de Boredoms, Deerhoof, Devo, Suicide ou de exemplos mais recentes como os Liars, DFA 1979 e bandas mais obscuras como os Whirlwind Heat, Ex Models, Dmonstrations ou Black Eyes, no entanto o duo consegue dar um cunho bastante pessoal aos sete temas que preenchem este "test" que na gíria escolar teria uma nota bem elevada, ainda para mais porque disponibilizam gratuitamente a sua descarga.
sexta-feira, outubro 16, 2015
Protomartyr - "The Agent Intellect"
Quarteto oriundo de Detroit, os Protomartyr acabam de editar "The Agent Intellect" o seu terceiro longa-duração que decerto elevará a banda a outros patamares em termos de público e reconhecimento, graças a um refinamento da sua sonoridade outrora assente num garage rock apunkalhado com laivos de post-punk.
Um dos trunfos dos Protomartyr assenta obviamente em Joey Casey, tanto pela sua escrita como pela forma de cantar cada vez mais apurada, sem contudo olvidar uma banda que a cada registo revela uma maior coesão e inventividade. Com um titulo retirado a uma teoria filosófica, "The Agent Intellect" espelha um certo negrume derivado ao falecimento dos pais de Joey aquando da elaboração deste disco, fator preponderante para uma escrita mais focada em tópicos como a mortalidade, o bem e o mal, religião e demónios.
Com um maior pendor para a vertente post-punk cruzada com um familiar indie-rock, que tanto parte dos Joy Division, The Fall e Pere Ubu, trilha terreno desbravado por Nick Cave, diverge por caminhos mais punk-rock dos Parquet Courts e deságua no pantanoso território habitado pelos The National, "The Agent Intellect" reflete uma maior paleta sonora que os seus antecessores assim como uma vertente melódica omissa nos anteriores registos, no entanto convêm ter atenção no futuro para não cair no tal terreno "pantanoso".
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