segunda-feira, novembro 14, 2016

Songs From The Old House #4

01.Coastal Stations - July Skies 02.Let Me Down Gently - Spacemen 3 03.You Know It's True - Spiritualized 04.Mesmerene - Thomas Feiner & Anywhen 05.Low Country - Chris Eckman 06.No Fun - Hederos & Hellberg 07.Willing To Wait - Sebadoh 08.She Brings The Rain - Can 09.Chicago People - Sam Prekop 10.Queenie - Brazzaville 11.Bittersweet - Everything About The Girl 12.It's a Very Deep Sea - Style Council 13.Jump In The River - Cousteau 14.A.M. Radio - Hugo Race + True Spirit 15.All The Time In The World - The Apartments 16.Two Birds Blessing - Old Jerusalem

sexta-feira, outubro 28, 2016

Vanishing Twin - "Choose Your Own Adventure"

Projeto liderado por Cathy Lucas outrora membro dos Fanfarlo e mentora de Orlando, os Vanishing Twin, cujo nome provém do raro fenómeno de um gémeo absorver outro ainda em gestação quando um dos fetos morre (algo que ocorreu com Cathy), são uma espécie de super-grupo tendo em conta que nas suas fileiras contam com Valentina Magaletti (Fanfarlo, Tomaga, Neon Neon), o produtor japonês mais conhecido por Zongamin e colaborador nos Floating Points, Phil M.F.U. (Man From Uranus, Broadcast) e o artista visual Elliott Arndt, ao qual acrescenta-se o produtor Malcolm Catto colaborador dos Heliocentrics e Quantic entre outros.

"Choose Your Own Adventure" editado pela conceituada Soundway Records, resulta num disco tipo "caldeirão" no qual despejam diversos ingredientes (pop experimental, krautrock, psicadelismo, easy-listening, jazz, eletrónica, library music, bandas-sonoras), temperos variados (caixas-de-ritmo, vibrafone, sintetizadores, tablas e harpa) e cujo desfecho resulta num disco quiçá com alguma falta de coesão mas suficientemente apetitoso para ser degustado sem embaraço. Perante a descrição facilmente associamos esta fusão sonora a bandas tão marcantes quanto os Stereolab e Broadcast, algo que os Vanishing Twin não terão pudor em confirmar a sua influência, no entanto a banda aponta igualmente para as mesmas fontes de inspiração e não só de modo a não soar a mero pastiche, um objetivo no qual são bem sucedidos.

 "Vanishing Twin Syndrome" a extensa faixa de abertura alicerça-se em dois andamentos, com uma primeira parte assente numa batida à Can fundida com a pop experimental dos The United States of America e algo semelhante a um sampler sacado à banda-sonora de "Get Carter", sendo que a segunda revela a devoção aos Silver Apples adornada por violino e vibrafone. "Telescope" é porventura a mais aproximada aos Broadcast nos seus momentos mais pop ainda assim repleta de efeitos. "Floating Heart" com a sua aura fantasmagórica abre terreno para a cinemática "Eggs" com destaque para o sinistro teclado e a austera percussão com a voz de Cathy a ondular por entre uma ocasional flauta.

"Under The Water" poderia pertencer a um filme obscuro da década de 60, ao passo que "The Conservation of Energy" incorpora elementos conotados com o easy-listening numa espécie de cruzamento entre os Stereolab e os Air. Já o tema que dá titulo ao disco poderia ser assinado pelos Soundcarriers, banda que a par dos Gulp, Virginia Wing e Death and Vanilla bebem (bem) das mesmas fontes. "Truth is Boring" é bossa-nova filtrada pela exotica com manipulação dub, sintetizadores a soltarem blips, ocasionais aparições de harpa e tabla, num total de dez minutos que o Sun Ra aprovaria. A conclusão fica a cargo da faixa-bónus "It Sends My Heart Into a Spin" com uma inclinação mais étnica enfeitada com as costumeiras vocalizações easy. Se escolherem a aventura de entrar no universo sonoro deste disco, decerto não se vão arrepender.

quinta-feira, outubro 13, 2016

Hips, tits, lips, power! (A tribute to women in rock)

01."Slide" - L7 02."Bluebell" - Babes In Toyland 03."Orange Rolls, Angel Spit" - Sonic Youth 04."Big Bad Baby Pig Squeal" - Silverfish 05."Pink Flower" - Daisy Chainsaw 06."What The Fuck" - Boss Hog 07."Fried My Little Brains" - The Kills 08."Who The Fuck?" - P.J. Harvey 09."Miles Away" - Yeah Yeah Yeahs 10."Scorch" - Bandit Queen 11."Safari" - Breeders 12."Lay It Down" - Magnapop 13."Everybody's Going Wild" - The Detroit Cobras 14."House In My Head" - Sons And Daughters 15."Stutter" - Elastica 16."Eyes Open" - Gossip 17."I Wanna Be Your Joey Ramone" - Sleater-Kinney 18."Don't Tred" - Frankie Rose And The Outs 19."Rollercoaster" - Golden Triangle 20."Damn 92" - Las Robertas 21."Bed Rock" - Shannon And The Clams 22."Free Way" - Beaches 23."Start" - Throwing Muses 24."Now They'll Sleep" - Belly 25."Rock N Roll Nigger" - Patti Smith

segunda-feira, outubro 10, 2016

GOAT - "Requiem"


"Requiem" é o terceiro e mais recente registo de originais deste colectivo sueco que desde a sua estreia em 2012 com "Commune" tem conquistado a critica em geral em virtude da sua original fusão de psicadelismo com diversas sonoridades de vários pontos do globo, e são precisamente essas influências globais que sobressaem neste disco em detrimento do convencional uso de guitarras e pedais de efeito.

Conforme foi possível constatar na sua prestação na última edição do Milhões de Festas, estes mascarados escandinavos fazem uso de uma vasta variedade de instrumentos em particular de percussão,sendo que em estúdio abrem-se possibilidades para mais uns quantos auxiliarem a colorir estes temas que nos transportam para diversas partes do globo, e é nesse aspecto que "Requiem" se diferencia um pouco mais dos anteriores, ou se preferirem a definição, digamos que é um disco mais "folk".

Com uma construção musical que assenta numa certa repetição devedora do psicadélico, nalguns casos próxima de mantras, a banda vai acrescentando com mestria inúmeros elementos sonoros de distintas procedências (Nigéria, Mali, África do Sul, Paquistão, Índia, são apenas alguns exemplos) com a já referida riqueza instrumental onde não faltam flautas, saxofone, pianos, percussões de várias origens, instrumentos de corda típicos de várias regiões (para quando a guitarra portuguesa?), e vocalizações a condizer a cargo das incansáveis vocalistas que ao vivo assumem um papel preponderante no entusiasmo do público.

A meu ver, "Requiem" peca essencialmente pela sua longa duração e um ou outro tema menos conseguido, no entanto o resultado final é deveras satisfatório e revela uma banda sem receio em experimentar e enveredar por terrenos menos usuais.

sexta-feira, setembro 30, 2016

Cold Pumas - "The Hanging Valley"


Oriundos de Brighton, os Cold Pumas são a meu ver uma das bandas mais estimulantes da atualidade e o mais recente "The Hanging Valley", precedido pelo registo debutante "Persistent Malaise" (2012), vem confirmar a minha humilde opinião, muito embora exista ainda espaço de manobra para refinar o seu som.

Editado pela revigorante Faux Discx gerida por Dan Reeves membro dos Cold Pumas e mentor dos Soft Walls, "The Hanging Valley" não se afasta muito das premissas do registo de estreia, contudo algum do nevoeiro que pairava em termos de produção dissipou-se, criando mais espaço para os instrumentos respirarem, factor a que não será alheio a escolha de M.J. dos Hookworms como responsável pela consola de gravação e a inclusão de Lindsay Cortstorphine para o cargo de baixista.
Para quem não está familiarizado com o seu som, poder-se-à descrever como um cruzamento entre a aparente frieza pós-punk dos Wire e a constante repetição apanágio dos The Fall, acrescente-se a batida motorik, o art-rock dos Sonic Youth e muralha sonora shoegaze e porventura teremos em linhas gerais o seu retrato sonoro.

A construção dos nove temas que preenchem este disco, baseia-se numa estrutura onde a repetição é palavra de ordem de modo a impregnar-se no cérebro do ouvinte, no entanto várias nuances vão surgindo ao longo das faixas de modo a que não caiam num fosso repetitivo, com variações vocais, camadas de efeitos a surgir quando menos se espera, mudanças de ritmo e um flectir para terrenos mais melodiosos ausente no primeiro disco, de que é exemplo máximo a faixa de encerramento "Murmur Of The Heart". Amiúde os Parquet Courts saltam à memória, o que não é de todo estranho tendo em conta os muitos pontos em comum a nível de influências, em particular nos temas mais acelerados como "Severed Estates"e "A Human Pattern".

No final da sua audição, ficamos com a sensação de termos estado a rodopiar incessantemente num carrousel ou até mesmo dentro de uma máquina de lavar roupa mas isso não impede a que voltemos a repetir a dose.

Edu (Mouco) & Mar Superior present "Songs From the Old House #3"

01."Soft Landing" - Appliance 02."Between Two Points" - The Montgolfier Brothers 03."Darling" - At Swim Two Birds 04."Is It Alright (Between Us)" - It's Immaterial 05."Miner at the Dial-A-View" - Grandaddy 06."If I Have Been Unkind" - Lanterns On The Lake 07."Bat Lies" - Tape Deck Mountain 08."Blue It Is" - Billy Mackenzie 09."My Funny Valentine" - Chet Baker 10."For One Moment" - Lee Hazlewood 11."Trigger" - Calexico 12."I'll Take Care of You" - Mark Lanegan 13."Good Day For Dying" - Eskobar 14."Accused of Stealing" - The Delgados 15."How I Long" - Gorky's Zygotic Minci 16."Little Star" - Stina Nordenstam 17."Cast Anchor" - Hanne Hukkelberg 18."Baibaba Bimba" - Tenniscoats 19."John Wayne Gacy, Jr." - Sufjan Stevens 20."Windmills of Your Mind" - Dusty Springfield

domingo, setembro 11, 2016

Beyond Surf Rock

01."Attack of the Ghost Riders" - Raveonettes 02."Thee Only One" - Frankie Rose 03."Flipside" - The Breeders 04."Gravedweller" - The Wytches 05."Cinco de Mayo" - Golden Triangle 06."Pajama Party in a Haunted Hive" - Beat Happening 07."Swampland" - Scientists 08."Get Ur Freak On" - Ping Pong Orchestra 09."If You Could Read Your Mind" - Clinic 10."Big Big Blood" - La Luz 11."Creature" - Tijuana Panthers 12."Death Beach" - Midriffs 13."I Spy" - Dead Kennedys 14."Spooks Night Out" - Legendary Invisible Men 15."Chasing For Young Blood" - Messer Chups 16."Planet Claire" - The B-52's 17."Washed Up" - The TeleVibes 18."Wasteland" - Hooded Fang 19."Love-A-Rama" - Southern Culture On The Skids 20."Wor" - Django Django 21."Big Toe" - The Growlers 22."Ana" - Pixies

quinta-feira, setembro 08, 2016

Show Me The Body - "Body War"



Com apenas 2 ep´s editados o trio nova-iorquino Show Me The Body caiu rapidamente nas boas graças da imprensa musical alicerçado em ruidosas atuações ao vivo. "Body War" é o comprovativo que faltava para catalogar esta banda como uma das mais promissoras da atualidade em virtude de uma sonoridade impregnada de vários estilos com os quais os SMTB souberam e bem conjugar de forma a criar um disco atual que espelha a realidade através de letras viscerais, sem medo de colocar o dedo na ferida. Para além de não alinharem com editoras e disponibilizarem o disco para descarga gratuita, são parte integrante do colectivo Letter Racer Collective com os Ratking.

"Body War" o tema que dá titulo ao disco poderia figurar na histórica banda-sonora "Judgement Night" na qual bandas rock uniram a sua criatividade ao universo hip-hop com resultados variados, embora neste caso os SMTB não necessitariam de convidados pois dão bem conta do recado sozinhos. A influência dos Fugazi é um denominador comum em vários temas e "Tight SWAT" é um bom exemplo da vertente post-hardcore que atravessa este disco que no seu desenrolar vai revelando inúmeras referências como o rap experimental dos Death Grips, a agressividade dos Dope Body, a cadência de Anthony Kiedis (Red Hot Chili Peppers), o crossover dos Suicidal Tendencies e Biohazard, a versatilidade dos Beastie Boys, o hardcore musculado dos Bad Brains, um King Krule em "Metallic Taste" com o banjo de Julian Cashwan Pratt em evidência ou até os Liars em "Aspirin". Tudo isto inúmeras vezes numa mesma música sem que os temas se ressintam das constantes variações o que, diga-se de passagem, é obra!

Eles rotulam a sua sonoridade de "sludge" e há mesmo quem afirme que são um bom exemplo de rap-metal, esse estilo mal-amado muito por culpa do nu-metal. Catalogações à parte, os SMTB são uma banda que, diria eu, fazia falta.


domingo, agosto 14, 2016

Surf Rock Revival!

01."Put Your Finger in the Socket [Maximum Voltage Version]" - Man Or Astro Man? 02."Tailspin" - Los Straitjackets 03."War of the Satellites" - The Bomboras 04."Haulin' Hearse" - The Ghastly Ones 05."Gravewalk" - Satan's Pligrims 06."Interstate Death Toll" - Huevos Rancheros 07."Bullet" - The Reverend Horton Heat 08."Echo Rocket 66" - Royal Fingers 09."Aoi Hoshikuzu" - Wild Sammy & The Royaltones 10."Constellation 814" - Aqua Vista 11."Transylvanian Orbit" - Space Cossacks 12."Il Padrino" - The Anacondas 13."Swanlake" - The Looney Tunes 14."Tico-Tico" - Tailgators 15."Seville" - Teisco Del Rey 16."Frontal Lobotomy" - Dr. Frankenstein 17."Sabre Jet" - Ralph Rebel 18."Space Twist 2010" - The Dynotones 19."Take A Look At The Spacy Men Drinkin' Astro Cocktails & Eatin' Their Frushtuk In A Rocket" - The Slow Slushy Boys 20."Suicide Bay" - The Halibuts 21."Having an Average Weekend" - Shadowy Men on a Shadowy Planet 22."Wait Until Spring, Bandini" - The Makers 23."Point of No Return" - Euroboys 24."Fadeaway" - Laika & The Cosmonauts

domingo, julho 31, 2016

Summer Tape 2016

01."Get It Right" - Braves 02."Smash" - Varsity 03."Honeydew" - Dazy Crown 04."Breathless" - Diet Cig 05."Sinister" - Frankie Cosmos 06."Holy Day" - Motorama 07."Vacation" - Simen Mitlid 08."Moby Dick" - Gurr 09."Midnight Lovers" - New Swears 10."Yr Horoscope" - Sea Pinks 11."The Way Things Should Be" - Modern Nomad 12."Ice Cream (On My Own)" - Goon Sax 13."Bone" - King Gizzard And The Lizard Wizard 14."Keep Swimming" - Soda Shop 15."Mess Of Me" - Malandros 16."Zookeeper" - Petite League 17."Easier Said" - Sunflower Bean 18."Out of Mind" - DIIV 19."Airport Bar" - Martin Courtney 20."Here's No Use" - Salad Boys

quinta-feira, julho 14, 2016

Bambara - "Swarm"


Recordo-me de ter ficado deveras impressionado com a atuação dos Bambara aquando da sua passagem pelo Porto em 2013 como banda de suporte aos A Place To Bury Strangers, e desde então tenho aguardado pelo sucessor do debutante "Dreamviolence". "Swarm" foi um parto complicado tendo em conta várias contrariedades que a banda sofreu, no entanto, souberam dar a volta e com o precioso auxilio na produção de Ben Greenberg (Uniform) e o resultado final é deveras compensador.

Desde logo o maior destaque neste registo incide no espaço dado à voz de Reid Bateh, desta feita bem mais audível e a revelar-se uma enorme surpresa. Qual filho bastardo de Nick Cave à procura de reconhecimento, Reid e as suas letras tingidas a negro são agora bem mais perceptíveis e com isso a banda alcançou uma intensidade que outrora encontrava-se submergida em ruído.
Todavia, não fiquem com a ideia que a banda abandonou o seu característico noise-rock / post-punk em detrimento de baladas sobre assassinos, nada disso, prosseguem dentro da mesma matriz contudo o seu som é agora mais nítido e a utilização de loops mais criteriosa.

Ao longo das doze faixas que compõem "Swarm" detetamos a influência dos The Birthday Party, Swans, Bad Seeds, Sonic Youth, Scientists, Gallon Drunk, Cramps, Gun Club ou semelhanças com os Disappears, Destruction Unit, Iceage e até os Girl Band, pontuadas por guitarras a roçar o psychobilly, o cowpunk ou em constante frenesim, ambiências industriais por vezes a deslizar para território gótico, num todo que resulta num disco denso, claustrofóbico, rico em texturas, ao qual voltamos com o mesmo prazer.

quinta-feira, junho 30, 2016

Swans - "The Glowing Man"


Com uma carreira que ascende a mais de 30 anos, encerra-se com este "The Glowing Man" mais um capitulo na vasta e turbulenta discografia dos Swans sempre com Michael Gira a comandar as operações. Esta nova fase que se iniciou em 2010 com "My Father Will Guide Me Up A Rope To The Sky", sucedendo os duplos registos "The Seer" e "To Be Kind" é porventura a sua melhor etapa muito por culpa dos excelentes músicos que rodearam Gira mas também de um amadurecimento de ideias que o capitão desta embarcação conseguiu levar a cabo ao longo desta década.

"Cloud of Forgetting" abre as hostilidades com Gira a clamar no final "I Am Blind" após uma tempestade sonora que não destoaria no cancioneiro dos Godspeed You Black Emperor. Seguem-se os 25 extasiantes minutos de "Cloud of Unknowing", repletos de crescendos e momentos de acalmia. Basta atentar nos títulos das 8 faixas que compõem este registo para facilmente detetar estarmos perante mais um disco conceptual pleno de questões existenciais, ao qual não faltam alusões a religião, sexo, violência, droga e politica e espiritualidade.

"The World Looks Red/The World Looks Black" assenta num dos truques mais usados pelos Swans no qual a repetição de certas frases ecoam no nosso cérebro numa espécie de mantra do qual não temos escapatória. A curta (segundo os cânones da banda) e melódica "People Like Us" resulta numa espécie de intervalo para respirar um pouco ante o sufoco que se avizinha com "Frankie M" dotado de uma primeira parte em registo coral fantasmagórico algo extensa até ao irromper das guitarras num riff que soa a Mono a tentar fazer uma versão do "Revolution" dos Spacemen 3, surgindo posteriormente Gira a cantar sobre drogas numa toada mais descontraída do que lhe reconhecemos, para num ápice a banda voltar à carga com toda a pujança que se lhe reconhece.

A polémica "When Will I Return" interpretada por Jennifer, esposa de Gira, resulta num exorcizar da experiência traumática de violação que foi alvo, algo que poderia ser encarado de uma forma positiva, não fossem os acontecimentos recentes com a cantora Larkin Grimm a acusar Gira do mesmo, algo que foi refutado pelo casal. (A aguardar pelos próximos capítulos).

Prosseguimos para mais um tour-de-force com "The Glowing Man", outro exemplo da mestria musical desta banda que sob a batuta de Gira vai acrescentando ou subtraindo camadas, ora com sucessivas explosões sonoras, mudanças de ritmo inesperadas ou serenando os ânimos quando necessário, enquanto Gira diversifica o seu registo vocal de acordo com a toada reinante.

O apropriado e imponente "Finally, Peace" encerra as duas horas de duração deste disco que confirma uma vez mais que os Swans com esta formação criaram um território sonoro muito próprio e do qual não sabemos como Gira vai dar a volta. Seja como for, esta sucessão de discos fica desde já para a história.


quarta-feira, junho 29, 2016

Songs From The Old House Vol.2

Edu (Mouco) e Mar Superior apresentam o novo volume das "Songs From The Old House", uma seleção musical que porventura poderá levar ao verter de uma sorrateira lágrima, ao ponderar no que porra andamos aqui a fazer, a recordar alguns momentos da vida, a fumar um pensativo cigarro e muito provavelmente a uma certa sonolência. Sit back and enjoy!


domingo, junho 05, 2016

Edu (Mouco) e Mar Superior apresentam o primeiro volume das "Songs From The Old House", uma mixtape assente em canções intimistas, ideais para servir de banda sonora a momentos de relaxe, introspecção ou embalo. Sit back and enjoy!

01."Something On Your Mind" - Karen Dalton 02."You & Your Sister" - This Mortal Coil 03."Northern Sky" - Nick Drake 04."We Dance" - Pavement 05."Ocean Rain" - Echo & The Bunnymen 06."Adoration" - Cranes 07."Cattle And Cane" - The Go-Betweens 08."Under The Milky Way" - Grant-Lee Phillips 09."Some Candy Talking" - Richard Hawley 10."Avalanche" - Dan Michaelson 11."Bury Me Deep In Love" - The Triffids 12."Your Ghost" - Kristin Hersh 13."It's Up To You" - Shop Assistants 14."For The Damaged" - Blonde Redhead 15."Distortions" - Clinic 16."Hotcha Girls" - Ugly Casanova 17."N.I.T.A." - Young Marble Giants 18."Loneliness Is A Gun" - House Of Love 19."Desire As" - Prefab Sprout 20."True Love Will Find You In The End" - Headless Heroes

quarta-feira, junho 01, 2016

The Numerators - "Strange"



Após alguns anos de edições caseiras e ocasionais 7" partilhados com outras bandas, os The Numerators lançam o seu primeiro álbum oficial "Strange", um registo que decerto será do agrado de quem ainda aprecia um rock de garagem imbuído de um espírito punk, acrescido de nuances psicadélicas e guitarradas surf.

Liderados por Sammi e Burgers Rana, que apesar de distantes (Sammi em Austin, Texas e Burgers em Brooklyn, N.Y.) conseguem unir esforços para em conjunto com o baixista Andrew Chavez edificar um conjunto de canções, resultando num sólido registo de estreia que contou com a masterização a cargo de Oliver Ackerman dos A Place To Bury Strangers com o qual Burgers trabalha na construção de pedais de efeito.

Por entre referências a Dick Dale, Sonics, Ty Segall, Thee Oh Sees, Wytches ou Bass Drum of Death, "Strange" soa no entanto a uma banda capaz de pegar numa matéria já bastante utilizada e moldar em canções plenas de ritmos contagiantes que ao vivo surtirão um efeito ainda mais vibrante. Destacar faixas é tarefa ingrata dada a consistência dos 10 temas que o compõem, ainda assim não resisto em referir a surfalhada alucinada de "Wastoid", o festim de "Chencho", a aproximação aos Cramps de "Hi, I'm Kirk. Fuck You", a cavalgada furiosa de "Hope" ou "Feeel" imersa em ondas de psicadelismo.

sexta-feira, maio 27, 2016

Noise Rock Mixtape Vol.2

01."Dead Joe" - Birthday Party 02."Asbestos Lead Asbestos" - World Domination Enterprises 03."Battered Children Twirling Battered Batons" - The Union of a Man and a Woman 04."Barbarian Boy" - Lightning Bolt 05."Headless" - Hella 06."Ultrabitch" - Lobster 07."Agony Flesh" - New Collapse 08."Identity Exchange Program, Rectum Return Policy" - Locust 09."Quitter" - Cherubs 10."Pigs Wear Blue" - XBXRX 11."Uvula" - Dmonstrations 12."Big Lies" - Uzeda 13."Camero" - Hammerhead 14."Cannibal" - Scratch Acid 15."Caught Licking Leather" - Pissed Jeans 16."Lazy Slave" - Dope Body 17."Old Skin" - Young Widows 18."Tumor" - His Electro Blue Voice 19."Little Hitlers" - Arsenal 20."Auto-Fuck" - Zeni Geva 21."He's My Thing" - Babes In Toyland 22."In My Head" - Girl Band 23."I Want To Take You Outside" - Ligament

sexta-feira, maio 13, 2016

The Limiñanas - "Malamore"



Com um notório crescendo de popularidade, o qual foi evidente na sua passagem pelo Indouro Fest (2015), o trajeto dos gauleses Limiñanas tem sido trilhado desde 2009 assente numa sonoridade onde cabem os Velvet Underground e os seus descendentes The Jesus & Mary Chain, Serge Gainsbourg, 60's garage-rock de contornos psicadélicos, bandas-sonoras vintage e essências de world music, não se escusando para tal em utilizar diversos idiomas (francês, inglês, espanhol, italiano) ou optar por instrumentais para melhor explorar o seu som. "Malamore" não se afasta destas premissas muito embora denote uma banda mais focada em não se desviar tanto da sua rota como no anterior "Costa Blanca".

Como é habitual a influência cinematográfica é algo de que a banda não abdica e o espectro de Morricone, Bacalov e John Barry entre outros, paira em temas como "Athen I.A.", "El Sordo" e "Paradise Now", este último a dever muito a "Midnight Cowboy". Confesso uma preferência vocal pelos temas francófonos em particular pelo tom narrativo de Lionel  de que são exemplo "El Beach", "Prisunic" com um teclado irresistível e "Kostas" adornado por um bouzouki. Na vertente feminina destaque para a balada sensual "Garden of Love" a cargo de Marie com o baixo de Peter Hook a dar um colorido mais pop, e o acelerado "Dahlia Rouge". Os restantes temas interpretados em inglês "Malamore" e "The Dead Are Walking" perdem algum impacto quiçá por uma questão de sotaque.

Para o final fica reservada a cereja no topo do bolo na forma de uma vertiginosa viagem de comboio de seu nome "The Train Creep A-Loopin" com um infernal Wah-Wah a conduzir uma locomotiva auxiliada pelo multi-instrumentalista Pascal Comelade com os quais a banda editou o ano transacto o recomendável "Traité de Guitarres Trioléctiques". Trés bon!


sexta-feira, abril 29, 2016

Holy Wave - "Freaks Of Nurture"


Oriundo de Austin, Texas, os Holy Wave editaram recentemente "Freaks Of Nurture" o seu segundo registo de originais, sucedendo ao sedutor "Relax" que apresentaram em concerto por terras lusas. Não se desviando da linha que têm vindo a trilhar desde 2008, os Holy Wave assentam a sua sonoridade num psicadelismo com inclinação pop inspirado nos Byrds, Love, Doors, ao qual acrescentam o típico fuzz do garage-rock dos conterrâneos 13Th Floor Elevators, não se escusando em entrar por territórios dream-pop e shoegaze.

Prosseguindo na aposta em compor canções mais lânguidas do que é usual nestes territórios, (quiçá o calor californiano a fazer das suas), os Holy Wave sabem bem levar a sua água ao moinho e o resultado final são temas povoados de teclados coloridos, nos quais as guitarras ora ondulam num registo surf-jangle ou arrebitam com o fuzz, o baixo e bateria cumprem a função de manter o ritmo e a voz ecoa de uma forma preguiçosa.

A envolvente faixa de abertura "She Put a Seed In My Ear" soa a um cruzamento entre os Real Estate, Allah-las e The Seeds, ao passo que "Wendy Go Round" poderia ser da autoria dos Psychic Ills, já "Western Playland" não destoaria no "Carnival of Light" dos Ride. O ritmo acelera com "You Should Lie" abrandando de seguida com a balada narcótica "California Took My Bobby Away". O espírito dos Spacemen 3 e Stereolab pode ser detetado em "Air Wolf", "Our Pigs" convida ao menear da anca, "Sir Isaac Nukem" tem o carimbo "trippy", enquanto que "Magic Landing" encaixa perfeitamente numa compilação de celebração do Halloween. A viagem termina com "Minstrel's Gal" com adorno de cítara para dar aquele toque especial a um disco que coloca os Holy Wave a um passo de atingir o escalão principal desta nova vaga psicadélica, algo totalmente merecido.


quarta-feira, abril 27, 2016

Noise Rock Mixtape vol.1

01."Kill Yr. Idols" - Sonic Youth 02."Woly Boly" - Butthole Surfers 03."Plaster Casts of Everything" - Liars 04."A Pack Of Wolves" - Black Eyes 05."Sex Automata" - Ex Models 06."The Ugly American" - Big Black 07."Wet Blanket" - METZ 08."Ego Death" - A Place To Bury Strangers 09."Upside Down" - The Jesus & Mary Chain 10."I Feel Insane" - Daisy Chainsaw 11."T.F.A." - Silverfish 12."Thumbscrews" - The Jesus Lizard 13."Swords" - Blacklisters 14."Falco vs. The Young Canoeist" - Mclusky 15."Twenty Iron Men" - Wives 16."Herculoid" - Made Out Of Babies 17."Last Man Standing" - Unsane 18."B1" - Part Chimp 19."Fever Dreaming" - No Age 20."You Made Me Realise" - My Bloody Valentine

sexta-feira, abril 22, 2016

Future Of The Left - "The Peace and Truce Of The Future of The Left"


O quinto álbum dos galeses Future Of The Left liderados pelo carismático Andrew Falkous (Falco) não possui grandes diferenças em relação aos seus antecessores para bem da nossa sanidade auditiva, dada a sua fórmula vencedora assente num noise-rock bem esgalhado, povoado de letras corrosivas salpicadas de humor e cinismo.

Desta feita, o maior destaque de "The Peace and Truce..." recai num maior protagonismo da secção rítmica mercê de uma produção "Albiniana" na qual baixo e bateria fustigam o ouvinte sem piedade enquanto Falco vai cuspindo a sua bílis e estrangulando a sua guitarra, algo bem patente na brutal faixa de abertura "If AT & T Drank Tea What Would The BP Do" com uma linha de baixo reminiscente de um "Kerosene" dos Big Black.

Quiçá um pouco mais agressivo resultado de um retorno ao formato trio, este novo registo financiado em poucas horas pelos seus inúmeros admiradores, demonstra uma banda com uma coesão notável, capaz de criar dinâmicas que balançam entre o rock matemático e riffs mais imediatos, vocalizações que alternam entre a narrativa, a gritaria desenfreada e até o refrão cantarolável, alicerçadas na tal produção seca mas deveras poderosa, de que são exemplo faixas tão contundentes quanto ""The Limits of Battleships", "Eating For None", "Reference Point Zero" e "In A Former Life".

O trilho traçado inicialmente por Falco e o baterista Jack Egglestone no seminais Mclusky prossegue em grande forma com uns Future Of The Left cada vez mais apurados e senhores da sua carreira que ao contrário do titulo do seu novo disco não dão tréguas em abalar os nossos ouvidos e enquanto existirem motivos de sobra para soltar a sua raiva, também não teremos paz!