terça-feira, julho 04, 2017

Sugestões auditivas 2017 (1º semestre)

Ultrapassada a metade do corrente ano, é altura de fazer balanços à enormidade de edições até agora ao dispor do ouvinte e destacar alguns registos que na minha humilde opinião merecem a devida atenção. Tendo em conta a minha ausência em termos de resenhas mais detalhadas, aproveito agora para colocar a escrita em dia.

(Para audição basta clicar no titulo)

B Boys - "Dada"














Álbum de estreia deste trio oriundo de Brooklyn com uma sonoridade post-punk criativa reminiscente dos Wire, Devo, Gang of 4, The Fall ou os mais recentes Parquet Courts.


Battle of Santiago - "La Migra"














"La Migra" é o segundo álbum desta  formação sediada em Toronto,  e segundo os próprios praticam afro-cuban-post-rock e quem sou eu para discordar.

Buttertones - "Gravedigging"














Provavelmente o registo mais empolgante que ouvi até agora com o seu cocktail explosivo de Morricone, surf-rock, Cramps, Gallon Drunk, Gun Club e perfeito para noites de Halloween.

Dreamdecay - "YÚ"














Entre o post-punk e o noise-rock, o segundo disco deste quarteto de Seattle não é recomendável a ouvidos sensíveis.

Great Ytene - "Locus"














Comparações sonoras aos Disappears e Preoccupations, misturado por MJ dos Hookworms e editado pela Faux Discx, tudo bons ingredientes para um cativante resultado.

Ibibio Sound Machine - "Uyai"














Segundo álbum para esta imparável máquina de ritmo que conjuga de forma exemplar diversas sonoridades.

Laetitia Sadier Source Ensemble - "Find Me Finding You"














A carismática vocalista e teclista dos saudosos Stereolab, socorre-se desta feita de uma banda para continuar a sua exploração pop de contornos experimentais com uma maior inclinação para a bossa-nova.

New Year - "Snow"














Nove anos após "The New Year" , os irmãos Kadane voltam à carga com o seu ritmo lento mas sempre expressivo.

Parlor Walls - "Opposites"














Os ep's já indiciavam estarmos perante uma banda promissora, e este álbum de estreia do trio Parlor Walls confirma as expectativas. Uma banda que só podia surgir em Brooklyn.

Pissed Jeans - "Why Love Now"














Provavelmente o mais coeso de todos os que já editaram (e vão cinco)! A esta altura do campeonato já devem saber o que a casa gasta...

Real Life Buildings - "Significant Weather"














Discos como este levam-me ainda a acreditar que o indie-rock consegue ser estimulante.

Rips - "Rips"














Mais um disco de estreia e novamente Brooklyn no centro das atenções. Pensem nos Television, Feelies e Parquet Courts e andam lá perto.

Sea Pinks - "Watercourse"














Um ano após a edição de "Soft Days", os irlandeses retornam com mais um belo disco indie-pop.

Sneaks - "It's a Myth"














Sneaks é o alter-ego de Eva Moolchan que aposta numa pop-electrónica minimal na qual se detecta a marca das E.S.G., Suicide e Anne Clark.

Songhoy Blues - "Résistance"














A banda do Mali continua em alta com "Résistance" assente numa fusão de blues do deserto, funk, rock, para além de contarem com Iggy Pop como convidado.

Surf Curse - "Nothing Yet"














Viciante e veraneante lo-fi-surf-indie-pop a cargo desta dupla que recentemente passou pelo nosso país.

Taiwan Housing Project - "Veblen Death Mask"














Longe de ser um disco acessível, a estreia desta banda de Filadélfia, é um exercício que requer diversas audições ao seu espectro sonoro que vagueia entre o post-punk, a no-wave e o art-rock.

The Comet Is Coming - "Death To The Planet"














Jazz-cósmico em fusão com batidas acid house. Venha o cometa que eu cá estarei pronto para dançar.

Thurston Moore - "Rock & Roll Consciousness"














Sinceramente não tinha grandes expectativas em relação a este disco, contudo a minha opinião alterou-se após a audição destas extensas cinco faixas. Quem sabe, sabe!

Uniform - "Wake in Fright"














Espancamento sonoro puro e duro!!

Global Sounds Vol.1

01 - "Geamparalele de la Cernavoda" - Danubius 02 - "Ayestheni" - Natacha Atlas 03 - "Jah Sha Taan" - Fun'Da'Mental 04 - "Yebo!" - Art Of Noise 05 - "Who're You" - Fela Kuti & Africa 70 06 - "Cumbia de Mochilla" - Quantic 07 - "Bucovina Original" - Shantel 08 - "Sabroso Bacalão" - Adolfo Echeverria 09 - "Hankuri" - Mad Man Jaga 10 - "Carnival Long Ago" - Roaring Lion 11 - "Ole" - Black Santiagos 12 - "Bissa" - Fatoumata Diawara 13 - "Soukora" - Ali Farka Toure & Ry Cooder

sexta-feira, junho 02, 2017

Edu (Mouco) & Mar Superior present "Songs From the Old (Country) House #7"

01 - "Love Me, Someday" - Jesse Sykes & The Sweet Hereafter 02 - "Sleepy Little Sailor" - Oh Susanna 03 - "The Well" - Tarnation 04 - "Looking Forward To Seeing You" - Golden Smog 05 - "Eid Ma Clack Shaw" - Bill Callahan 06 - "How To Rent A Room" - Silver Jews 07 - "You Will Miss Me When I Burn" - Bonnie Prince Billy 08 - "Weightless Again" - The Handsome Family 09 - "Your Church Is Red" - Black Heart Procession 10 - "St. Cloud" - Neal Casal 11 - "Blue Fires" - Case, Lang, Veirs 12 - "Boats In A Sunken Ocean" - Dakota Suite 13 - "Front Porch" - Willard Grant Conspiracy 14 - "Funeral In The Rain" - Chris Isaak 15 - "Flutter" - 16 Horsepower 16 - "Blur Out" - Richmond Fontaine 17 - "Waiting 'Round To Die" - Townes Van Zandt 18 - "Tonight I Think I'm Gonna Go Downtown" - Jimmie Dale Gilmore 19 - "Desperate Kingdom of Love" - Giant Sand 20 - "I See a Darkness" - Johnny Cash

sexta-feira, maio 05, 2017

Made In France (90's)

01 "Prologue /Sacre Francais" - Dimitri From Paris 02 "Parlez Vous Anglais Mr. Katerine" - Katerine 03 "Look In Your Eyes" - Da Capo 04 "La Machine" - Holden 05 "Mes Amis" - Newell 06 "365 Jours Auvrables" - Diabologum 07 "Rappaccini's Daughter" - The Little Rabbits 08 "I Want Some More" - No Talents 09 "Sock It To Me" - T.V. KIllers 10 "Henry's Back" - Les Thugs 11 "Skyscraper Island (The Movie)" - Superstar Disco Club 12 "Motus" - Francoiz Breut 13 "Les Hauts Quartiers De Peine" - Dominique A 14 "Holidays" - Bertrand Burgalat 15 "Un Avis De Defaite (Remix)" - Jerome Miniere 16 "Kelly Watch The Stars (Edit)" - Air 17 "Jacques Your Body (Make Me Sweat)" - Les Rhytmes Digitales 18 "Le Patron Est Devenu Fou! [Sur la Ville]" - Minos Pour Main Basse

segunda-feira, março 13, 2017

Noughties Pop Gems #2

01 - Violens - "Already Over" 02 - The Isles - "Flying Under Cheap Kites" 03 - Hot Hot Heat - "Talk To Me, Dance With Me" 04 - Dogs Die In Hot Cars - "I Love You Cause I Have To" 05 - Apples In Stereo - "Energy" 06 - Imperial Teen - "Baby" 07 - Stephen Malkmus - "Phantasies" 08 - Adam Green - "Carolina" 09 - The Shins - "Australia" 10 - The New Pornographers - "My Slow Descent Into Alcoholism" 11 - Joy Zipper - "Go Tell The World" 12 - The Mae Shi - "Run To Your Grave" 13 - The Rosebuds - "Hold Hands and Fight" 14 - The Dodos - "Fables" 15 - Prints - "Too Much Water" 16 - Someone Still Loves You Boris Yeltsin - "Think I Wanna Die" 17 - Gomo - "Feeling Alive" 18 - Oh No! Oh My! - "Walk In The Park" 19 - Belle & Sebastian - "Step Into My Office, Baby" 20 - Peter, Bjorn & John - "Young Folks"

quarta-feira, março 08, 2017

Ibibio Sound Machine - "Uyai"


Após a estreia auspiciosa em 2014 com o seu registo homónimo, os Ibibio Sound Machine regressam com "Uyai" um autêntico caldeirão sonoro no qual detetamos afrobeat, disco, dub, funk, electro, pitadas de post-punk e diversos ingredientes de várias regiões do globo.

Tal como no seu antecessor, o coletivo de oito músicos liderado pela carismática Eno Williams aposta em ritmos dançantes que facilmente se tornam contagiantes. Muito embora as letras cantadas em inglês e ibibio abordem temas mais sérios como o rapto de 276 raparigas na Nigéria ou a igualdade entre as mulheres,a luta do povo africano ou o estado em que o mundo se encontra, ainda assim, o conceito musical é de esperança, celebração e positivismo.

Como já foi referido, a abundância de estilos e referências é tal que num mesmo tema gingamos com a batida tipicamente africana, soltamos uns movimentos de break-dance com o electro-funk-old-school (o Arthur Baker deveria ter sido convidado para produtor), em diversos momentos pensamos na synth-pop do Gary Numan e num ápice imaginamos uma rave com milhares de pessoas suadas e sorridentes ou no animado ambiente de um festival de músicas do mundo.

Se o tom festivo e bailante é vigente em quase todo o registo, contudo surgem ao longo do disco temas mais intimistas que a meu ver quebram o balanço como são o caso de "Quiet", "Lullaby" e "Cry (eyed)", bastando atentar aos seus títulos caso restassem dúvidas, contudo não retiram o imenso prazer de escutar este disco e de imediato abanar a anca com faixas do calibre de "Give Me A Reason", "The Pot Is On Fire", "Joy (Idaresit)", "Power Of 3", ou a frenética "Trance Dance".

sexta-feira, fevereiro 24, 2017

Pissed Jeans - "Why Love Now"


Os Pissed Jeans são um quarteto oriundo da Filadélfia e "Why Love Now" é já o quinto longa-duração novamente editado pela mítica Subpop, sendo mais um capitulo na sua sólida discografia iniciada em 2005 numa combinação sonora de hardcore, grunge, sludge e pigfuck, meros rótulos para descrever uma banda intensa, ruidosa, sarcástica, sombria, visceral, dignos sucessores de bandas tão impactantes quanto os Black Flag, Jesus Lizard e Mudhoney.

Este novo registo, quiçá o mais refinado, revela uma maior definição e diversificação sonora em relação aos discos anteriores onde raramente o pé era retirado do acelerador, facto evidente é a faixa de abertura "Waiting On My Horrible Warning" uma espécie de cruzamento entre os Cop Shoot Cop e o "grunhido" mais profundo de Tom Waits. Destaque igualmente para a faixa "I'm a Man" um relato sobre o assédio sexual no local de trabalho mas com a curiosidade de ser narrado pela escritora Lindsay Hunter.

No entanto não faltam malhas dignas do repertório clássico dos Pissed Jeans que facilmente imaginamos a criar reboliço na audiência como "The Bar Is Low", "Ignorecam" ou o relato de homens pagarem para serem ignorados. "Cold Whip Cream" é combustível  para o moshpit, ao passo que "Love Without Emotion" é o mais aproximado aos Killing Joke que alguma vez estiveram.

Ao longo da sua carreira os Pissed Jeans incidem em assuntos mundanos mas diria que o tópico principal é de evidenciar as fragilidades e desmistificar o papel do homem numa sociedade tendencialmente machista e misógina, algo facilmente detectável seja através das suas capas, títulos, ou conteúdo lírico de diversas faixas como "Not Even Married" ou a supra-citada "I'm a Man".

"Why Love Now" assegura um papel de destaque aos Pissed Jeans num panorama onde amiúde a agressividade sonora leva a lugares-comuns, algo que a banda contorna de forma exímia sem nunca deixar de soar contundente.



terça-feira, fevereiro 07, 2017

Crazy Rhythms (1978-1984)

01 "Warm Leatherette" - Grace Jones 02 "L'Elephant" - Tom Tom Club 03 "Me No Pop I" - Coati Mundi 04 "Rockit" - Herbie Hancock 05 "Cavern" - Liquid Liquid 06 "White Lines (Don't Do It)" - Grandmaster Flash & Melle Mel 07 "Walking on Thin Ice" - Yoko Ono 08 "I.O.U." - Freeez 09 "Is It All Over My Face" - Loose Joints 10 "Bustin' Out" - Material W/ Nona Hendryx 11 "Aspectacle" - Can 12 "Wheel Me Out" - Was (Not Was) 13 "Clear" - Cybotron 14 "Confusion" - New Order 15 "Fire" - Lizzy Mercier Descloux

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

Uniform - "Wake In Fright"



"Wake in Fright", segundo registo de originais da dupla Michael Berdan (ex-Drunkdriver) e Ben Greenberg (ex-The Men), porventura será o disco mais agressivo que terão oportunidade de ouvir este ano, assente num noise-rock a tender para o industrial repleto de samples e vocalizações "in-your-face" que decerto vão deixar marcas no pavilhão auricular de quem se atrever a subir um pouco mais o volume.

 Assente numa ideia de como lidar com os anjos e demónios que povoam a nossa mente, o desespero como denominador comum a muitas sociedades que levam a certos vícios, a noção de guerra e violência constante, já para não falar nas politicas levadas a cabo por certos lideres, em suma, este mundo está fodido mas todos temos de lidar com isso. A partir daqui os Uniform idealizam um banda sonora de forma a retratar todas estas noções sem floreados nem rodeios.

"Tabloid", a faixa de abertura, irrompe pelas colunas e desde logo a batida maquinal e a vocalização possessa de Berdan num registo entre David Yow, Steve Albini e Al Jourgensen, revelam um disco pronto para deixar o ouvinte K.O. logo ao primeiro round. "Habit" que aborda o tópico do alcoolismo e "Night of Fear" poderiam encaixar perfeitamente na discografia dos colegas de editora Pop.1280 sobre os quais já discorri neste espaço e que comungam com os Uniform uma temática e sonoridade semelhantes.

Ao longo do disco vamos detetando um cunho EBM dos Nitzer Ebb aos Nine Inch Nails, ("The Lost" é quase dançável), contudo transpira igualmente as sementes punk lançadas pelos Suicide e Big Black, para além do industrial-metal dos Ministry, KMFDM, Godflesh e Fear Factory ("The Light At The End (Cause)", "The Killing of America" com direito a solo à Slayer e o puro espancamento sonoro de "Bootlicker"), num todo que transmite uma sensação de terror, pânico e agonia com as quais infelizmente temos de lidar diariamente.

domingo, janeiro 08, 2017

(Sort of a ) Best of 2016

01 "Boyfriend" - The Goon Sax 02 "Cold Reading" - Sea Pinks 03 "Bills" - Ultimate Painting 04 "The Conservation of Energy" - Vanishing Twin 05 "Whitest Boy on the Beach" - Fat White Family 06 "Melody in High Feedback Tones" - Cavern of Anti-Matter 07 "Fröhlichkeit" - Camera 08 "Slippery Slopes" - Cold Pumas 09 "Sytrawberry Glue" - Ulrika Spacek 10 "Magic Landing" - Holy Wave 11 "Prisunic" - Limiñanas 12 "Astrologie Siderale" - Whyte Horses 13 "Dana Katherine Scully" - Tacocat 14 "Body of Work" - Cave Story 15 "Coffee" - Kal Marks

quarta-feira, dezembro 21, 2016

2016 (concertos)

Resumo de um ano de concertos. Infelizmente não pude presenciar mais uns quantos por diversas razões. A ver se o panorama melhora para o ano.

-Cobalt Cranes (Maus Hábitos)
-Teeth Of The Sea (Rivoli)
-Minus One (Mercedes)
-Chicos De Nazca (Mercedes)
-White Haus / BEAK/ Dinosaur Jr/ Mudhoney/ Tortoise (Primavera Sound - Porto)
-Föllakzoid (GNRATION - BRAGA)
-Tijuana Panthers / Three Trapped Tigers (Ignition - Penafiel)
-Evols / Sons of Kemet / GOAT (Milhoes de Festa – Barcelos)
-Thurston Moore Group + Alek Rein (CC Vila Flor - Guimarães)
-La Luz (Maus Hábitos)
-Pop.1280 (Rivoli)
-65daysofstatic + Thought Forms (Hard Club)
-Cave Story + Palmiers (Associação Plata)
-Zu (Cave 45) -Indignu (Hard Club)

terça-feira, dezembro 20, 2016

2016 (um possível balanço musical)



A cada ano que passa a vontade em elaborar uma lista dos melhores discos do ano vai reduzindo tendo em conta a elevada percentagem de edições que não é escutada, de outros tantos que ficam aquém das expetativas, do tempo necessário para assimilar um disco em condições e obviamente das inúmeras listas por essa net fora nas quais pouco ou nada me revejo, salvo raríssimas exeções, que me levam a crer que andei a ouvir os discos errados durante todo este tempo (mentira!).

Todavia, não resisto em partilhar uma básica lista (ordenada alfabeticamente) dos álbuns que degustei ao longo do ano, na qual poderão detetar sonoridades variadas desde o indie-rock mais musculado ao indie-pop mais delicado,do pós-punk ao pós-hardcore,  psicadelismo q.b., sons globais, a omnipresente batida kraut, um cheirinho de hip-hop, fusões de vários géneros num mesmo disco, algum experimentalismo como é de praxe entre outros ingredientes, espelhando um espectro sonoro bastante alargado.

2016 não deixa saudades muito por culpa do panorama politico-social que se viveu e da saída de cena de ilustres nomes do panorama musical, no entanto, a música continua a ser um fiel escape à nossa existência, aquela nesga de sol por entre nuvens carregadas de stress, pessimismo e complicações, e por essa razão não consigo evitar em redigir umas linhas sobre um álbum, publicar um video, destacar uma canção, elaborar mixtapes, ou neste caso, simplesmente sugerir a audição destes discos, onde cada um à sua maneira, serviu de banda-sonora para mais um ano neste planeta. Até já 2017!

(clicar no titulo para ouvir)

01 - Aesop Rock"The Impossible Kid"
02 - Animal Faces"Other Places"
03 - Bambara"Swarm"
04 - Big Ups - "Before a Million Universes"
05 - Camera"Phantom Of Liberty"
06 - Cave Story"West"
07 - Cavern Of Anti-Matter"Void Beats/Invocation Trex"
08 - Chook Race"Around The House"
09 - Cold Pumas"The Hanging Valley"
10 - Fat White Family"Songs For Our Mothers"
11 - Future Of The Left"The Peace and Truce"
12 - GOAT"Requiem"
13 - Holy Wave"Freaks of Nurture"
14 - Idle Pilot "You Are Presently Looking Upwards"
15 - Imarhan"Imarhan"
16 - Kal Marks"Life Is Alright, Everybody Dies"
17 - Melt Yourself Down"Last Evenings On Earth"
18 - Mugstar -"Magnetic Seasons"
19 - Nick Waterhouse"Never Twice"
20 - Petite League"No Hitter"
21 - Scott & Charlene's Wedding"Mid Thirties Single Scene"
22 - Sea Pinks"Soft Days"
23 - Senior Service"The Girl In The Glass Case"
24 - Show Me The Body"Body War"
25 - Swans"The Glowing Man"
26 - Tacocat"Lost Time"
27 - The Goon Sax"Up To Anything"
28 - The Limiñanas"Malamore"
29 - The Lucid Dream - "Compulsion Songs"
30 - The Numerators"Strange"
31 - Ulrika Spacek"Album Paranoia"
32 - Ultimate Painting"Dusk"
33 - Vanishing Twin - "Choose Your Own Adventure"
34 - Wedding Present "Going, Going"
35 - Whyte Horses"Pop Or Not"

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Noughties Pop Gems #1

01 - TUNNG - "Bullets" 02 - I'm From Barcelona - "We're From Barcelona" 03 - Acid House Kings - "Do What You Wanna Do" 04 - Concretes - "You Can't Hurry Love" 05 - Electric Soft Parade - "Empty At The End" 06 - Panther - "Violence, Diamonds" 07 - My Teenage Stride - "To Live And Die In The Airport Lounge" 08 - Little Ones - "Lovers Who Uncover" 09 - Long Blondes - "Giddy Stratospheres" 10 - Los Campesinos - "You! Me! Dancing!" 11 - Changes - "Water Of Gods" 12 - Envelopes - "Sister In Love" 13 - Mazarin - "For Energy Infinite" 14 - Hidden Cameras - "I Believe In The Good Of Life" 15 - Those Dancing Days - "Hitten" 16 - Camera Obscura - "LLoyd, I'm Ready to be Heartbroken" 17 - Magic Numbers - "Forever Lost" 18 - Boy Least Likely To - "Be Gentle With Me" 19 - Architecture In Helsinki - "It's 5" 20 - Ra Ra Riot - "Ghosts Under Rocks"

quinta-feira, novembro 17, 2016

Ultimate Painting - "Dusk"



Ao terceiro registo, aquilo que inicialmente seria um projeto paralelo transformou-se numa banda que suplantou em termos de edições os Veronica Falls e não tarda ultrapassa os Mazes, bandas de onde são originários os cabecilhas James Hoare e Jack Cooper respetivamente.

Neste espaço já foram destacados ao figurar nas lista dos melhores dos dois últimos anos e com "Dusk" preparam-se para fazer um pleno, tendo em conta que a sua fórmula sonora não varia, no entanto, cada vez mais soam coesos e provavelmente este terceiro álbum revela a dupla mais inspirada do que nos anteriores "Ultimate Painting" e "Green Lanes".

 Nas passadas resenhas aos Ultimate Painting as referências musicais assentes no terceiro registo dos Velvet Underground, os Byrds, Love, a batida motorik, os Felt, Teenage Fanclub e até os Real Estate foram destacadas, e o mesmo discurso é válido para este disco, contudo, "Dusk" revela-se um disco mais fluido que os anteriores. As harmonias vocais continuam em destaque, a toada lânguida marca o tempo ao longo de todo o registo como vem sendo hábito, como que um espelho de uma construção musical que reflete dois músicos a exorcizar as suas influências em comum ao ritmo de pura desbunda, sem grandes preocupações em relação a colagens e isso tem sido a sua mais valia, pois estamos perante canções que apesar de nos transportar para outras paragens com facilidade, merecem ser apreciadas.

Tal como nos anteriores registos a costela krautrock é exposta em "Bills", "Song for Brian Jones" não soa a Rolling Stones mas revela-se como um honesto tributo, discretas teclas adornam "A Portrait of Jason", "Lead The Way" soa a cruzamento entre os Eskobar e os Ride de "Carnival of Light", "Monday Morning, Somewhere Central" assemelha-se a várias bandas influenciadas pela vaga germânica mas a um ritmo mais vagaroso, "Who is Your Target?" é um belo exemplo de indie-pop, "Skippool Creek" é balada narcótica que não destoaria no cancioneiro dos Brian Jonestown Massacre, "I'm Set Free" toda ela Velvetiana com uma linha de teclado aproximada a Jacco Gardner, "Silhouetted Shimering" soa a The Jesus & Mary Chain sob o efeito de "downers" e "I Can't Run Anymore" aproxima-se dos Yo La Tengo.

Tudo isto espremido, resulta num disco que após várias audições, possui aquela cola mágica que mesmo soando familiar encanta pela simplicidade das suas melodias e, acima de tudo, desvela-se como um disco sincero, que não aspira a mais do que ser um somatório de inspiradas canções.

Oh fuck it! It's another punk/HC mixtape!

01.(I'm) Stranded - The Saints 02.Blitzkrieg Bop - Ramones 03.White Riot - The Clash 04.Bodies - Sex Pistols 05.Born To Lose - Johnny Thunders 06.Problem Child - The Damned 07.In The City - The Jam 08.Orgasm Addict - Buzzcocks 09.Identity - X-Ray Spex 10.True Confessions - Undertones 11.Gary Gilmore's Eyes - The Adverts 12.Borstal Breakout - Sham 69 13.Stranglehold - U.K. Subs 14.D-7 - The Wipers 15.Rise Above - Black Flag 16.Group Sex - Circle Jerks 17.L.A. Girl - Adolescents 18.Myage - Descendents 19.Banned in D.C. - Bad Brains 20.Seeing Red - Minor Threat 21.Dehumanized - Void 22.Nic Fit - The Untouchables 23.Barbed Wire - Youth Brigade 24.Rock and Roll Bullshit - Government Issue 25.Drug Me - Dead Kennedys 26.Animais - Censurados 27.Chuta Cavalo... (E Morrerás) - Peste & Sida 28.Eu Tenho Um Pobre - Mata-Ratos

segunda-feira, novembro 14, 2016

Songs From The Old House #4

01.Coastal Stations - July Skies 02.Let Me Down Gently - Spacemen 3 03.You Know It's True - Spiritualized 04.Mesmerene - Thomas Feiner & Anywhen 05.Low Country - Chris Eckman 06.No Fun - Hederos & Hellberg 07.Willing To Wait - Sebadoh 08.She Brings The Rain - Can 09.Chicago People - Sam Prekop 10.Queenie - Brazzaville 11.Bittersweet - Everything About The Girl 12.It's a Very Deep Sea - Style Council 13.Jump In The River - Cousteau 14.A.M. Radio - Hugo Race + True Spirit 15.All The Time In The World - The Apartments 16.Two Birds Blessing - Old Jerusalem

sexta-feira, outubro 28, 2016

Vanishing Twin - "Choose Your Own Adventure"

Projeto liderado por Cathy Lucas outrora membro dos Fanfarlo e mentora de Orlando, os Vanishing Twin, cujo nome provém do raro fenómeno de um gémeo absorver outro ainda em gestação quando um dos fetos morre (algo que ocorreu com Cathy), são uma espécie de super-grupo tendo em conta que nas suas fileiras contam com Valentina Magaletti (Fanfarlo, Tomaga, Neon Neon), o produtor japonês mais conhecido por Zongamin e colaborador nos Floating Points, Phil M.F.U. (Man From Uranus, Broadcast) e o artista visual Elliott Arndt, ao qual acrescenta-se o produtor Malcolm Catto colaborador dos Heliocentrics e Quantic entre outros.

"Choose Your Own Adventure" editado pela conceituada Soundway Records, resulta num disco tipo "caldeirão" no qual despejam diversos ingredientes (pop experimental, krautrock, psicadelismo, easy-listening, jazz, eletrónica, library music, bandas-sonoras), temperos variados (caixas-de-ritmo, vibrafone, sintetizadores, tablas e harpa) e cujo desfecho resulta num disco quiçá com alguma falta de coesão mas suficientemente apetitoso para ser degustado sem embaraço. Perante a descrição facilmente associamos esta fusão sonora a bandas tão marcantes quanto os Stereolab e Broadcast, algo que os Vanishing Twin não terão pudor em confirmar a sua influência, no entanto a banda aponta igualmente para as mesmas fontes de inspiração e não só de modo a não soar a mero pastiche, um objetivo no qual são bem sucedidos.

 "Vanishing Twin Syndrome" a extensa faixa de abertura alicerça-se em dois andamentos, com uma primeira parte assente numa batida à Can fundida com a pop experimental dos The United States of America e algo semelhante a um sampler sacado à banda-sonora de "Get Carter", sendo que a segunda revela a devoção aos Silver Apples adornada por violino e vibrafone. "Telescope" é porventura a mais aproximada aos Broadcast nos seus momentos mais pop ainda assim repleta de efeitos. "Floating Heart" com a sua aura fantasmagórica abre terreno para a cinemática "Eggs" com destaque para o sinistro teclado e a austera percussão com a voz de Cathy a ondular por entre uma ocasional flauta.

"Under The Water" poderia pertencer a um filme obscuro da década de 60, ao passo que "The Conservation of Energy" incorpora elementos conotados com o easy-listening numa espécie de cruzamento entre os Stereolab e os Air. Já o tema que dá titulo ao disco poderia ser assinado pelos Soundcarriers, banda que a par dos Gulp, Virginia Wing e Death and Vanilla bebem (bem) das mesmas fontes. "Truth is Boring" é bossa-nova filtrada pela exotica com manipulação dub, sintetizadores a soltarem blips, ocasionais aparições de harpa e tabla, num total de dez minutos que o Sun Ra aprovaria. A conclusão fica a cargo da faixa-bónus "It Sends My Heart Into a Spin" com uma inclinação mais étnica enfeitada com as costumeiras vocalizações easy. Se escolherem a aventura de entrar no universo sonoro deste disco, decerto não se vão arrepender.

quinta-feira, outubro 13, 2016

Hips, tits, lips, power! (A tribute to women in rock)

01."Slide" - L7 02."Bluebell" - Babes In Toyland 03."Orange Rolls, Angel Spit" - Sonic Youth 04."Big Bad Baby Pig Squeal" - Silverfish 05."Pink Flower" - Daisy Chainsaw 06."What The Fuck" - Boss Hog 07."Fried My Little Brains" - The Kills 08."Who The Fuck?" - P.J. Harvey 09."Miles Away" - Yeah Yeah Yeahs 10."Scorch" - Bandit Queen 11."Safari" - Breeders 12."Lay It Down" - Magnapop 13."Everybody's Going Wild" - The Detroit Cobras 14."House In My Head" - Sons And Daughters 15."Stutter" - Elastica 16."Eyes Open" - Gossip 17."I Wanna Be Your Joey Ramone" - Sleater-Kinney 18."Don't Tred" - Frankie Rose And The Outs 19."Rollercoaster" - Golden Triangle 20."Damn 92" - Las Robertas 21."Bed Rock" - Shannon And The Clams 22."Free Way" - Beaches 23."Start" - Throwing Muses 24."Now They'll Sleep" - Belly 25."Rock N Roll Nigger" - Patti Smith

segunda-feira, outubro 10, 2016

GOAT - "Requiem"


"Requiem" é o terceiro e mais recente registo de originais deste colectivo sueco que desde a sua estreia em 2012 com "Commune" tem conquistado a critica em geral em virtude da sua original fusão de psicadelismo com diversas sonoridades de vários pontos do globo, e são precisamente essas influências globais que sobressaem neste disco em detrimento do convencional uso de guitarras e pedais de efeito.

Conforme foi possível constatar na sua prestação na última edição do Milhões de Festas, estes mascarados escandinavos fazem uso de uma vasta variedade de instrumentos em particular de percussão,sendo que em estúdio abrem-se possibilidades para mais uns quantos auxiliarem a colorir estes temas que nos transportam para diversas partes do globo, e é nesse aspecto que "Requiem" se diferencia um pouco mais dos anteriores, ou se preferirem a definição, digamos que é um disco mais "folk".

Com uma construção musical que assenta numa certa repetição devedora do psicadélico, nalguns casos próxima de mantras, a banda vai acrescentando com mestria inúmeros elementos sonoros de distintas procedências (Nigéria, Mali, África do Sul, Paquistão, Índia, são apenas alguns exemplos) com a já referida riqueza instrumental onde não faltam flautas, saxofone, pianos, percussões de várias origens, instrumentos de corda típicos de várias regiões (para quando a guitarra portuguesa?), e vocalizações a condizer a cargo das incansáveis vocalistas que ao vivo assumem um papel preponderante no entusiasmo do público.

A meu ver, "Requiem" peca essencialmente pela sua longa duração e um ou outro tema menos conseguido, no entanto o resultado final é deveras satisfatório e revela uma banda sem receio em experimentar e enveredar por terrenos menos usuais.

sexta-feira, setembro 30, 2016

Cold Pumas - "The Hanging Valley"


Oriundos de Brighton, os Cold Pumas são a meu ver uma das bandas mais estimulantes da atualidade e o mais recente "The Hanging Valley", precedido pelo registo debutante "Persistent Malaise" (2012), vem confirmar a minha humilde opinião, muito embora exista ainda espaço de manobra para refinar o seu som.

Editado pela revigorante Faux Discx gerida por Dan Reeves membro dos Cold Pumas e mentor dos Soft Walls, "The Hanging Valley" não se afasta muito das premissas do registo de estreia, contudo algum do nevoeiro que pairava em termos de produção dissipou-se, criando mais espaço para os instrumentos respirarem, factor a que não será alheio a escolha de M.J. dos Hookworms como responsável pela consola de gravação e a inclusão de Lindsay Cortstorphine para o cargo de baixista.
Para quem não está familiarizado com o seu som, poder-se-à descrever como um cruzamento entre a aparente frieza pós-punk dos Wire e a constante repetição apanágio dos The Fall, acrescente-se a batida motorik, o art-rock dos Sonic Youth e muralha sonora shoegaze e porventura teremos em linhas gerais o seu retrato sonoro.

A construção dos nove temas que preenchem este disco, baseia-se numa estrutura onde a repetição é palavra de ordem de modo a impregnar-se no cérebro do ouvinte, no entanto várias nuances vão surgindo ao longo das faixas de modo a que não caiam num fosso repetitivo, com variações vocais, camadas de efeitos a surgir quando menos se espera, mudanças de ritmo e um flectir para terrenos mais melodiosos ausente no primeiro disco, de que é exemplo máximo a faixa de encerramento "Murmur Of The Heart". Amiúde os Parquet Courts saltam à memória, o que não é de todo estranho tendo em conta os muitos pontos em comum a nível de influências, em particular nos temas mais acelerados como "Severed Estates"e "A Human Pattern".

No final da sua audição, ficamos com a sensação de termos estado a rodopiar incessantemente num carrousel ou até mesmo dentro de uma máquina de lavar roupa mas isso não impede a que voltemos a repetir a dose.