quarta-feira, maio 20, 2015

Thee Oh Sees - "Mutilator Defeated At Last"



Após a noticia em finais de 2013 que a banda faria uma merecida pausa em termos de edições discográficas e concertos que acabou por revelar-se infundada, os Thee Oh Sees não dão tréguas e retornam com este monstruoso "Mutilator Defeated At Last", um álbum bem mais musculado que o anterior "Drop" e digno sucessor do poderoso "The Putrifiers II" (2012).

Composto por nove faixas com uma duração total de pouco mais de 30 minutos, "Mutilator..." abre as hostilidades em grande com "Web", um tipico tema do seu cancioneiro no qual psicadelismo, garage rock, batida kraut e os habituais gritos de John Dwyer fazem-se notar. O terramoto sonoro de "Withered Hand" soa a Black Lips a tentar imitar os Blue Cheer ou Black Sabbath e aposto que ao vivo deve criar fendas nas paredes!

O melodioso "Poor Queen" numa vertente aproximada ao garage pop abre caminho para "Turned Out Light" desta feita a piscar o olho ao southern-boogie mas sem descambar. O devaneio sónico de "Lupine Ossuary" pode ser encarado como a continuação de "Lupine Dominus" tema maior de "The Putrifiers II". A roçar os quase 7 minutos de duração "Sticky Hulks" é uma pedrada psicadélica com os teclados a contrabalançar os espasmos guitarrísticos, seguido do instrumental "Holy Smoke", igualmente numa toada psicadélica mas numa abordagem mais folky. Logo de seguida somos abanados pelo garage-punk de "Rogue Planet" e o encerramento em beleza fica a cargo de "Palace Doctor".

Mais uma vez os Thee Oh Sees revelam-se como uma das poucas bandas da atualidade em que podemos apostar que nunca farão um disco mau, e isso nos tempos que correm vale muito!



quarta-feira, maio 06, 2015

Mikal Cronin - "MCIII"



Dois anos volvidos após a edição de "MCII",  o talentoso compositor Mikal Cronin regressa com o seu terceiro registo a solo "MCIII" na histórica editora Merge, tendo desta feita arriscado amplificar ainda mais o seu som com uma produção mais elaborada e maior atenção aos arranjos, contudo não fiquem com a ideia de Cronin ter virado um cantor pop com os olhos postos nos tops, a sua música embora acessível talvez figurasse na MTV da década de 90 aquando da euforia grunge e o rock alternativo era a nova mina a explorar.

Dividido em duas partes, "MCIII" apresenta na face A algumas das canções mais apelativas que Cronin já compôs, trilhando terrenos próximos aos Lemonheads, Built To Spill, Rogue Wave, The Shins e a pop californiana dos anos 60. Temas como "Made My Mind Up" ou "Feel Like" são exemplos máximos da sua mestria combinando refrões orelhudos, guitarras acústicas e distorcidas, violinos flutuantes e uma voz adocicada. O lado B consiste num relato sobre uma fase da sua vida aquando adolescente em que teve de se mudar para outra zona do mapa americano e os sentimentos que daí advieram, num relato deveras sincero em seis andamentos. Mais rebuscada, esta face apresenta temas ora "rockeiros" ("Gold", "Ready"), baladas com piano, cordas e sopro a sobressair ( "Alone", "Different") ou mais acústicos ("Circle", "Control").

Cronin estabelece-se definitivamente ao terceiro álbum como um músico a merecer os rasgados elogios que tem granjeado junto da critica especializada, mas acima de tudo, é já um nome com créditos firmados numa discografia exemplar.



terça-feira, maio 05, 2015

Metz - "II"


O power-trio canadiano retorna às lides discográficas após o explosivo disco de estreia editado em 2012 com direito a duas passagens por Portugal que não descolarão tão cedo da memória de quem assistiu. O novo registo simplesmente intitulado "II" não se desvia da avalanche sonora trilhada inicialmente: a guitarra continua a soar a um enxame de abelhas dentro de uma centrifugadora, o baixo não dá tréguas, a bateria tenta suplantar os restantes instrumentos e as vocalizações são basicamente um berreiro descontrolado, resumindo, isto é noise-rock com uma forte costela hardcore cujo alvo é abalar a estrutura óssea do ouvinte e colocar os seus tímpanos a sangrar!

Para além da referência aos Pixies, Big Black e Nirvana (fase Bleach) os Metz recuperam aquele indie-rock dos 90, repleto de suor, ruído, gritaria, violência e sujidade explorado por inúmeras bandas como os Unwound, Jesus Lizard, Unsane ou os colegas de editora Pissed Jeans. De fato os seus registos remetem para essa época dourada do rock alternativo ainda com um forte cunho "underground", e aí reside a sua popularidade, quiçá porque muita gente não se revê neste universo no qual as bandas andam de mãos dadas com o "mainstream", guiam-se pelo que está "in", esmeram-se nas produções mais limpinhas e no visual a condizer com o momento e num abrir e fechar de olhos já estão "out", ou seja, de alternativo possuem muito pouco.

Em apenas meia-hora os Metz sacodem o ouvinte de uma forma que muitos deixaram de estar habituados e uma geração mais nova é empurrada contra a parede questionando-se de onde saiu este tornado sonoro. Podemos afirmar que não descortinamos diferenças entre os dois álbuns, que a banda não se esforçou em mudar algo na sua sonoridade, mas este é daqueles casos em que a velha máxima "em equipa que ganha não se mexe" faz todo o sentido.

sexta-feira, maio 01, 2015

sexta-feira, abril 24, 2015

Built To Spill - "Untethered Moon"


Veteranos do panorama indie-rock americano, os Built To Spill liderados por Doug Martsch, regressam às edições discográficas seis anos após "There Is No Enemy", um disco que a meu ver indiciava alguma falta de criatividade e um certo esgotamento da fórmula sonora encetada em inícios da década de 90.

Muitos ficaram surpreendidos com o retorno dos Built To Spill tendo em conta algumas afirmações de Martsch no sentido de alguma desorientação e cansaço, no entanto a banda sofreu uma remodelação e "Untethered Moon" espelha bem essa mudança, de tal forma que sou levado a creditar este novo disco como o seu melhor desde o impactante "Keep It Like a Secret" datado de 1999.

A nível sonoro não detetamos alterações de maior, o cruzamento entre Neil Young e Dinosaur Jr. continua bem patente, assim como as guitarras em força com solos inspirados contrabalançados com a voz melodiosa de Martsch que em "Never Be The Same" aproxima-se do território dos The Shins e Rogue Wave. O que diferencia este disco dos restantes editados este século assenta num maior pendor melódico em detrimento dos extensos solos, mais pop se preferirem, e composições mais inspiradas e positivas, a expor um Doug Martsch  de bem com a vida e um espirito renovado na sua música.



terça-feira, abril 14, 2015

The Lucid Dream - "The Lucid Dream"




Com sete anos de existência, os The Lucid Dream têm vindo a trilhar o seu caminho de uma forma segura e com o recente homónimo segundo álbum, revelam que são mais do que uma banda da nova fornada psicadélica forçando as barreiras do género para criar uma sonoridade que não se acomoda com os tiques desta vaga.

"The Lucid Dream" abre as hostilidades com o extenso instrumental "Mona Lisa", uma viagem vertiginosa repleta de efeitos com uma dinâmica criativa. Segue-se "Cold Killer", faixa poderosa que os Crocodiles ou os The Vacant Lots não desdenhariam serem os autores. "Darkest Day/ Head Musik" é composta a dois tempos, uma abertura na linha dos Spectrum que evolui para uma explosão sónica ao estilo dos White Hills. Aceleramos a bom ritmo com "Moonstruck" um cruzamento entre as Electrelane e os My Bloody Valentine para abrandar pouco depois com "Unchained Dub", com a banda a exibir a sua devoção para com este estilo mas à sua maneira. "Unchained" é a faixa mais acessível com uma piscadela de olho ao psych-pop da década de 60. A finalizar temos o mantra hipnótico de "Morning Breeze" com distorção a rodos balanceado por uma parte mais atmosférica a lembrar os Verve, Spacemen 3 e Spiritualized. Por último "You & I" poderia ser a faixa de encerramento de um disco dos Warlocks com uma cadência mais lânguida mas sempre com um forte cunho psicadélico presente.

Após ter visto a banda em 2013 ainda o álbum de estreia "Songs of Lies and Deceit" não tinha sido editado, é com grande expetativa que anseio o concerto dos The Lucid Dream na primeira edição do Indouro Fest, no qual decerto irão tocar vários temas deste cativante disco.

Post-Punk Mixtape

Edu (Mouco) & Ex Lion Tamer apresentam o primeiro volume da post-punk mixtape. Uma seleção sobre um período da história musical cuja influência perdura ainda nos dias de hoje. Enjoy!


terça-feira, março 31, 2015

Föllakzoid - "III"


Hipnótico, psicadélico e tribal são alguns adjetivos empregues amiúde quando nos referimos ao som produzido pelos Föllakzoid, banda oriunda de Santiago do Chile que editou esta semana, (tal como o titulo indicia), o seu terceiro álbum pela consagrada editora Sacred Bones. Como é evidente, esses e mais alguns adjetivos funcionam na perfeição para descrever a sua sonoridade que fixa-se na eterna escola kraut, ou em bandas como os Hawkwind, White Manna, Wooden Shjips, e até The Hair & Skin Trading Company a título de exemplo. Quiçá o que tem levado o grupo chileno a conquistar um lugar de destaque no território cada vez mais populoso do rock psicadélico, estará alicerçado na herança da antiga música dos Andes levando a que as suas composições soem a autênticos mantras e para o comprovar surgem "Electric", "Earth", "Piure" e "Feuerzeug" as quatro extensas faixas (oscilando entre 10 a 12 minutos de duração), de "III".
Este novo disco é mais um exercício de exploração sonora através da incessante repetição de acordes, constante batida, vocalizações fantasmagóricas e efeitos electrónicos bizarros (cortesia de Atom TM), com vista a levar o ouvinte a entrar noutra dimensão, como que de um ritual se tratasse, e verdade seja dita, facilmente somos transportados para outra realidade, seja ela espacial ou transcendental. Garantidamente um disco "para avariar a mioleira!".

quinta-feira, março 26, 2015

LoneLady - "Hinterland"


LoneLady é o alter-ego de Julie Campbell, uma mancuniana cujo primeiro registo "Nerve Up" editado em 2010 escapou ao meu atento radar. 5 anos após o disco debutante, Julie regressa com "Hinterland", um álbum mergulhado no legado pós-punk da sua Manchester-natal mas também no punk-funk e mutant-disco de finais da década de 70, inícios de 80.
A sombra industrial, cinzenta, e melancólica da cidade que revelou ao mundo os Joy Division faz-se notar como que um fantasma do passado se tratasse, a que não será alheio a inclusão de elementos sonoros semelhantes aos incorporados em "Unknown Pleasures", contudo este "Hinterland" fixa-se no presente como um belo exercício de conjugação de inúmeras influências sem nunca soar datado.
Para além da banda de Ian Curtis, detetamos igualmente a marca dos A Certain Ratio, Liquid Liquid, Gang of 4, E.S.G., Talking Heads, Tom Tom Club, Maximum Joy, a vertente pop melodiosa das Luscious Jackson, sem olvidar a nova pop eletrónica de Lykke Li ou Grimes, resultando num disco dançável imerso numa atmosfera próxima do urbano-depressivo. Temas como "Bunkerpop", "Groove It Out", e "(I Can See) Landscapes" são exemplos de como pegar no legado do passado e transforma-lo em algo novo e excitante.

quinta-feira, março 19, 2015

The TeleVibes


Ultimamente a cidade de Boston tem sido citada como um autêntico viveiro de bandas mui recomendáveis e os The TeleVibes são mais uma a destacar-se graças à sua sonoridade pop psicadélica com muito surf-rock à mistura e uma forte componente garage-punk.
Com uma discografia assente apenas num ep (k7) e dois meros singles todos eles em formato digital e passíveis de serem descarregados legalmente, estou em crer que esta banda vai dar o salto muito em breve (se tal não acontecer anda tudo surdo). Se apreciam Ty Segall, Thee Oh Sees, Jay Reatard, Sonny & The Sunsets, Shannon & The Clams e uma boa surfalhada, para além dos soalheiros Beach Boys, então os The TeleVibes são definitivamente uma banda que devem investigar. Toca a curtir aqui!

terça-feira, março 17, 2015

Modest Mouse - "Strangers to Ourselves"


Após um hiato de 8 anos, os Modest Mouse regressam finalmente com "Strangers To Ourselves", um disco demorado e atribulado mas que no fim de contas soa precisamente à sucessão natural do injustamente mal-amado "We Were Dead Before The Ship Even Sank." Como grande apreciador da banda que sou, confesso que receava igualmente pelo pior, mas conforme os temas iam sendo apresentados em antecipação (6 no total) a crença de que este álbum seria digno da sua já vasta discografia, tornou-se uma certeza.

Neste período de tempo que medeia os álbuns, sucederam uma variedade de situações que levaram a este anormal atraso: Johnny Marr regressou a Inglaterra, o baixista Eric Judy abandonou a banda, as gravações tiveram 5 produtores envolvidos, Isaac Brock decidiu construir um estúdio para o refazer novamente pois não estava satisfeito, constantes digressões e as reedições de "This Is A Long Drive For Someone With Nothing To Think About" e "The Lonesome Crowded West". Todas estas circunstâncias levaram muito crítico e fãs a pensar que este novo disco soaria a uma manta de retalhos ou pior ainda, seria um flop de todo o tamanho.

Outra questão que envolve regularmente os Modest Mouse diz respeito à sua sonoridade que muitos agora vêm como comercial devido ao inesperado sucesso de "Good News For People Who Love Bad News" e ao facto de pertencerem a uma major. A meu ver é tudo uma questão de criatividade e mantenho a opinião que não os considero tão acessíveis quanto os The Shins ou Death Cab For Cutie (bandas do mesmo campeonato) e ao fim de uma carreira de 20 anos é natural que uma banda tenha os seus tiques sonoros, algo bem patente em "Strangers To Ourselves" mas que não é de censurar.

À exceção de 2 a 3 temas menos conseguidos (Pistol é uma trapalhada) existem inúmeros motivos de interesse para ouvir este disco e para voltar a ver os Modest Mouse como uma banda válida e não uma mera recordação do indie da década de 90 ou banda de um disco só, e para o comprovar, fica a promessa de que o irmão deste registo será editado assim que for possível.

quarta-feira, março 11, 2015

Pope - "Fiction"


Editado esta semana, "Fiction" é o álbum de estreia dos Pope, um power-trio oriundo de Nova Orleães apostado em recuperar uma estética lo-fi tão em voga no universo alternativo da década de 90, onde não faltam as referências aos Pavement, Sebadoh, Built To Spill, Seam, Les Thugs, Dinosaur Jr., Guided By Voices, só para citar algumas.

Com uma curta existência, os Pope, compostos por Matthew Seferian, Alex Skalany e Atticus Lopez, são mais uma das novas bandas norte-americanas filiadas numa vaga que assola o underground, a resgatar as sonoridades caseiras e a edição de cassetes e vinil em contraponto à tecnologia e produção topo-de-gama que impera nos dias de hoje, à qual não será alheia a coerência da portentosa editora Community Records, onde para além dos Pope abundam novos valores como os Caddywhompus, All People, New Lands ou Donovan Wolfington nos quais Seferian também colabora.

Banda que aparenta andar em constante digressão numa carrinha mal-cheirosa mas cujo intuito é tocar o mais possível, os Pope estreiam-se em bom plano com este notável "Fiction", repleto de fuzz, velocidade punk e melodia, uma receita empregue nas 12 curtas mas concisas faixas que preenchem este disco que pode ser descarregado aqui.

segunda-feira, março 02, 2015

The Trip (Psychedelic Sounds Vol.2)

Já disponível para audição o segundo volume da mixtape "The Trip" dedicada a sonoridades psicadélicas que partem dos anos 60 até à nova vaga de bandas da atualidade.

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Public Service Broadcasting - "The Race For Space"


"Inform-Educate-Entertain", o álbum de estreia da dupla Public Service Broadcasting editado em 2013, foi uma enorme surpresa ao conjugar de uma forma original registos áudio de bibliotecas com uma base musical que deambulava entre o kraut, o pós-rock, a pop eletrónica e bandas sonoras vintage e por conseguinte, não foi de estranhar ter arrebatado o lugar cimeiro na minha lista de melhores discos desse ano.

Desta feita os PSB dedicam-se à corrida ao espaço levada a cabo por americanos e russos entre 1957 e 1972, um tópico com muito para explorar mas que neste disco fica um pouco aquém das expetativas, acima de tudo porque a imagem neste caso faz toda a diferença. Ao estar ausente desta espécie de banda-sonora sentimo-nos algo à deriva em certos episódios, e não teria sido mal pensado terem concebido "The Race For Space" como um DVD.

O tiro de partida de "The Race For Space" é despoletado com uma "intro", abrindo caminho para "Sputnik" um tema electro-ambient-house em crescendo épico que balança entre os The Orb, os Gus Gus, Daft Punk e roça o Jean-Michel Jarre. Segue-se o single de apresentação "Gagarin", uma malha bem funky com direito a secção de metais e um piscar de olho aos The Go!Team. "Fire In The Cockpit" descreve a tragédia da Apollo 1 mas fico com a sensação que poderia ter sido mais desenvolvida em termos de tensão dramática.

"E.V.A." relembra a diversidade do disco debutante, na qual se destacam a batida jazzy/funk e a presença de violino e piano. Assente numa linha inicial kraftwerkiana,"The Other Side" descreve o momento de suspense quando a Apollo 8 perde temporariamente contato com a central, atingindo posteriormente um crescendo pós-roqueiro que peca pela curta duração. "Valentina", com o auxilio das vozes angelicais das Smoke Fairies, aproxima-se da pop atmosférica dos Air mas falta-lhe substância algo que a ritmada "Go!" tem em fartura com insinuações aos TV On The Radio e ao math-rock dos Battles e que poderia ter sido assinada pelos Memória de Peixe.

Chegamos ao final da viagem com "Tomorrow" mais uma faixa que peca novamente pela curta duração com um ritmo a remeter para os Stereolab com direito a xilofone, violinos e um coro. Não sendo de todo um mau disco, "The Race For Space" acaba por ser uma boa ideia à qual faltam pormenores que poderiam alterar a sua audição em algo mais de acordo com o espirito aventureiro reinante neste período.

domingo, fevereiro 22, 2015

Girl Band - "Why They Hide Their Bodies Under My Garage"

Os Girl Band são uma banda irlandesa que aos poucos têm vindo a criar um certo burburinho, principalmente desde que assinaram pela mítica editora Rough Trade, tendo publicado recentemente o delirante vídeo de "Why They Hide Their Bodies Under My Garage" um dos temas incluído no seu "The Early Years Ep" que reúne os singles "Lawman", "De Bom Bom"e respetivo lado B "I Love You" uma versão dos Beat Happening e "The Cha Cha".
Com edição prevista para Abril, este ep servirá como cartão de visita para o álbum de estreia previsto ainda para este ano. O facto deste tema ser uma versão de Blawan, um produtor de dança, revela um pouco da atitude inconformista desta formação que desde 2012 com o single "In My Head"e o ep "France 98" (ambos para download gratuito) tem vindo a refinar a sua sonoridade que tanto pisca o olho ao grunge, como ao post-punk ou ao noise-rock. Muito me engano ou vamos ouvir falar muito mais desta banda que curiosamente não inclui nenhum elemento feminino.

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Indouro Fest!!

Foi hoje revelado o cartaz quase completo da primeira edição do Indouro Fest a decorrer nos próximos dias 2/3 de Maio na Serra do Pilar (Palco principal) e no Jardim do Morro (Palco secundário). O bilhete antecipado custa 45€ e o segundo palco é aberto ao público como mostra de novos valores da música nacional. Destaque obviamente para a presença dos Clinic (uma das minhas bandas de eleição) mas também para o epic-post-punk dos British Sea Power, o psych-kraut dos TOY, o garage-ye-ye dos Limiñanas ou o psicadelismo via México com os Lorelle Meets The Obsolete. Um cartaz com um critério de qualidade assinalável, com muitas estreias em solo luso e com fortes hipóteses de tornar-se numa referência futura no que a festivais urbanos diz respeito.


quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Krill - "A Distant Fist Unclenching"


"A Distant Fist Unclenching" é o terceiro álbum do trio Krill composto por Jonah Forman, Aaron Ratoff e Ian Becker, e são mais uma banda oriunda da fértil cidade de Boston que nos últimos tempos tem revelado ao mundo bandas tão recomendáveis quanto os Kal Marks, Pile e Speedy Ortiz entre outras.
Com a chancela da Exploding In Sound Records, este novo registo dos Krill revela uma banda cada vez mais entrosada e graças à excelente produção de Justin Pizzoferrato, com uma sonoridade ao nível do seu potencial.
Conhecidos pelas suas letras existencialistas, auto-depreciativas e filosóficas, o que levou alguma imprensa a rotula-los de "slacker rock", os Krill revelam uma fragilidade lírica que no entanto é suportada por um rock cuja espinha dorsal desenvolveu-se com base no post-punk, post-hardcore e indie rock que tanto remete para os Fugazi, como os Unwound, Modest Mouse, Joan of Arc, ou os já citados Kal Marks.
Algo que pode afastar ou apaixonar o ouvinte é o timbre algo "cartoonish" de Forman, próximo de um preguiçoso Gordon Gano (Violent Femmes), de um irritado Black Francis (Pixies) ou inclusive dos Ought, com os quais têm sido associados diversas vezes.
Num disco que vale como um todo, destacar faixas é algo escusado mas ainda assim "Torturer", "Tiger" ou "It Ends" são exemplos máximos de um álbum para ouvir em "repeat" aqui ou em formato físico.

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Enablers - "The Rightful Pivot"


Corria o ano de 2006 quando a promotora Amplificasom estreou-se nestas lides com o concerto dos Enablers no agora defunto O Meu Mercedes. Quem assistiu deve ainda recordar-se da excelente entrega da banda liderada por um expressivo Pete Simonelli que não se escusou a caminhar sobre o balcão do bar enquanto cuspia palavras encharcado em suor. Posteriormente regressaram à edição de 2011 do Amplifest na Sala 1 do Hard Club (e a pequena promotora a criar um festival de referência) mas apesar do esforço não conseguiram motivar a malta mais dada a sons pesados que aguardavam outras bandas mais do seu agrado.
Chegados a 2015 e com o recém-editado "The Rightful Pivot" debaixo do braço, os Enablers voltam a visitar território luso, desta feita no próximo mês de Março em Vila Real e Lisboa. Recomendo vivamente que estejam presentes (vou fazer por ir a Vila Real) e presenciem uma banda de veteranos na cena underground americana, cuja sonoridade vagueia pelo "so-called-post-rock" de Chicago, Slint, Swans, Nick Cave, Karate e Fugazi e com um contador de histórias extraordinário como Simonelli que tanto é narrador como encarna as personagens das suas extensas letras de uma forma visceral.
"The Rightful Pivot" é o seu quinto registo e apesar da saída do histórico baterista Doug Scharin (Codeine/June of 44/ Rex/ HiM) os Enablers continuam em grande forma como poderão comprovar no seu bandcamp. O novo baterista Sam Ospovat mostra que é um sucessor à altura, enquanto que o resto da banda revela um entrosamento digno de registo. Estão avisados!

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

INDOURO FEST

Primeiro nome a ser anunciado para a primeira edição do InDouro Fest, que irá ocorrer nos dia 2/3 de Maio na Serra do Pilar. É caso para exclamar ooh la la!


terça-feira, fevereiro 03, 2015

Conduct - "Fear And Desire"


"Fear And Desire" é o registo de estreia dos canadianos Conduct, um quarteto originário de Winnipeg que resulta da extinção dos desconhecidos Departures, para além da inclusão de elementos dos Tunic e Cannon Bros.
Gravado no Electrical Audio com Steve Albini a tomar conta da gravação e Bob Weston da masterização, é óbvio que quem recruta dois elementos dos Shellac sabe muito bem que sonoridade pretende que o seu disco emane, e o que exala deste "Fear And Desire" é um rock agressivo, com fundações assentes no pós-punk e hardcore com alguns apontamentos industriais e experimentais, territórios para os quais Albini e companhia têm contribuído ao longo da sua carreira, seja através de bandas ou produção.
Com alguns momentos mais óbvios e outros um pouco à deriva, no entanto "Fear And Desire" possuí argumentos mais do que suficientes para obter uma nota positiva e criar expetativas para o futuro. Apreciadores de Young Widows, Pissed Jeans, Dope Body e Metz podem e devem ouvir aqui por tempo determinado.

sexta-feira, janeiro 30, 2015

Twerps - "Range Anxiety"


Após o bem sucedido álbum homónimo editado em 2011, os australianos Twerps regressam com um sedutor segundo registo no qual a marca da histórica editora neozelandesa Flying Nun (The Chills, The Clean, The Verlaines) se faz notar assim como os catálogos da Sarah Records e da escocesa Postcard, mas a meu ver a maior influência aloja-se no grandioso cancioneiro dos conterrâneos The Go-Betweens, algo que a banda já manifestou abertamente.
"Range Anxiety" é pop por todos os poros, seja na vertente twee, jangle ou simplesmente indie, composto 12 canções que tanto remetem para os exemplos acima citados, como para a fornada C86, os subvalorizados Talulah Gosh, a simplicidade dos Beat Happening, os omnipresentes Pastels, as guitarras cristalinas dos Felt, ou exemplos mais recentes como os Veronica Falls e Real Estate, sem esquecer os momentos mais cândidos dos Yo La Tengo.
Apesar de tantas e tão óbvias referências, este disco sobressai dada a qualidade de canções como "I Don't Mind", "Back To You"(óbvio single de antecipação), "Stranger", "White Snow", e o melhor é parar por aqui, senão acabo por citar todo o alinhamento!
Atualmente em digressão com os Belle & Sebastian, estou certo que os Twerps irão conquistar inúmeros admiradores e com o ano ainda a dar os primeiros passos o disco perfeito para o próximo Verão já está escolhido.

terça-feira, janeiro 27, 2015

The Trip (Psychedelic Sounds Vol.1)

The Trip (Psychedelic Sounds Vol.1) é uma mixtape assente em sonoridades psicadélicas desde o seu inicio na década de 60 até à nova vaga que marca e bem o panorama musical. Segundo volume será lançado em breve. R.I.P. Kim Fowley.

 

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Meat Market


A propósito de uma segmento na Out of Focus TV denominado American Music, no qual algumas novas bandas californianas revelam mais sobre si, como é o caso dos Twin Steps, dos Shannon & The Clams e do quarteto Meat Market, cujo som cativou-me e num ápice fui parar ao seu bandcamp onde o álbum de estreia datado de 2012 encontra-se disponível para download, tendo sido editado apenas em vinil pela Under The Gun Records.
Com uma sonoridade assente num garage-rock-surf-punk-pop, os Meat Market revelam-se eficientes obreiros de um cancioneiro que decerto anima qualquer festa, e pelo documentário deu para comprovar que ao vivo sabem mexer com o público e não é por acaso que já partilharam o palco com os Fidlar, Together PANGEA e Asmuteants entre outros.
Desde então apenas gravaram um single em 2013 e revelaram 2 novos temas em 2014, mas ao que apurei, este ano temos a promessa de um novo disco que aguardo com alguma expetativa.

sexta-feira, janeiro 23, 2015

FIDLAR - IF IT MAKES YOU HAPPY (ft. Cheryl Kro)

Autores do melhor hino para bebedeiras deste século com "Cheap Beer" incluído no homónimo registo de estreia datado de inícios de 2013, os Fidlar voltaram à carga recentemente com uma versão curiosa do hit single de Sheryl Crow - "If It Makes You Happy". Não satisfeitos em recriar a música, aproveitaram igualmente o vídeo original. Recorde-se que os Fidlar contam no seu historial com versões de Nick Cave e Elliott Smith. Novo álbum está a ser preparado e quem sabe será editado este ano.

 

quarta-feira, janeiro 21, 2015

Disappears - "Irreal"

Outrora um projeto paralelo de Brian Case (Ponys, 90 Day Men), os Disappears entretanto contam já com cinco álbuns no currículo e umas quantas variações sonoras.
"Irreal" revela uma banda a entranhar-se nos terrenos complicados mas compensadores do art-rock, em particular nos primórdios de bandas tão influentes quanto os Sonic Youth e Swans, absorvem igualmente resquícios da no wave e do pós-punk com pendor industrial e ainda piscam o olho a atmosferas góticas da vertente Bauhaus.
Com uma excelente produção a cargo do deveras solicitado John Congleton e gravado nos Electrical Audio Studios de Steve Albini, "Irreal" revela-se um disco negro tal como a sua capa, denso e bastante claustrofóbico, mas é um local de onde não desejamos sair, e verdade seja dita, gostamos de lá ficar.
Para além das referências ao passado, podemos inclusive encaixar este disco no mesmo lote de bandas como os Liars (fase alemã), Soft Moon, Yvette e A Place To Bury Strangers e facilmente tiram a pinta ao primeiro grande disco deste ano.


Podem descarregar o tema "Another Thought" aqui.

terça-feira, janeiro 20, 2015

A Blues Explosion está de volta!

Após o desinspirado álbum "Meat and Bones" de 2012, a Blues Explosion comandada pelo carismático Jon Spencer regressa em Março com um novo registo "Freedom Tower - No Wave Dance Party 2015" e obviamente é dedicado a Nova Iorque, em particular à época em que a cidade fervilhava com o fenómeno Disco, a No Wave, o nascimento do Hip-Hop, o CBGB'S, o Punk e a Pop Art. Tudo isto pode ser comprovado no vídeo de "Do The Get Down". Promete!

Swings - "Detergent Hymns"


"Detergent Hymns" é o primeiro longa-duração do trio Swings (outrora Anchor 3), proveniente de Tenleytown, Washington D.C., a capital de distrito onde a mítica editora Dischord tem revelado inúmeros projetos locais desde 1980. Muito embora este não seja o caso, (ficou a cargo da Quiet Year Records no formato cassete) o espirito DIY continua bem patente.
"Detergent Hymns" deambula por terrenos slowcore, post-hardcore e post-rock, rótulos que tiveram o seu maior impacto na década de 90 mas cujo legado revela-se de boa saúde a avaliar pelo desabrochar de dezenas de boas bandas principalmente nos States.
Não se colando de uma forma óbvia a nenhum estilo ou banda, contudo referências aos Codeine, Slint, New Year, Chokebore, Logh, Seam ou Shudder To Think fazem-se notar ao longo das 9 faixas que o compõem e que poderá ser descarregado aqui.
Se a nível instrumental a banda dá conta do recado, no que a vocalizações diz respeito ainda não consegui encaixar totalmente com o tom arrastado/desafinado/emocionado, pois se por um lado fogem do convencional, por outro tendem a tornar-se maçadoras e esta será a única nota negativa a apontar.

domingo, janeiro 18, 2015

Mall Walk


Enquanto pesquisava no Soundcloud da editora Vacant Stare Records os interessantes Stalls, dei por mim a ouvir outra das suas bandas, mais concretamente o ep de estreia dos Mall Walk editado apenas em cassete em Outubro passado e que pode ser escutado aqui.
As 5 faixas que o preenchem vagueiam por entre guitarradas surf, psych-pop, espasmos sónicos e post-punk, servindo como excelente cartão de visita para este trio oriundo de Oakland composto por Daniel Brown, Nicholas Clark e Rob Miller.
Destaque ainda para o facto de já terem partilhado o palco com bandas tão recomendáveis quanto os Ought, Terry Malts, Creepoid, Creative Adult entre muitas outras que povoam o fervilhante underground americano. Uma banda definitivamente a seguir.

segunda-feira, janeiro 12, 2015

Rye Pines - "A Portrait of Dissonance as a Young Man"


Os Rye Pines são um duo oriundo de Boston  em vias de editar um novo ep "Dead Ocean". Enquanto esse disco aguarda por ver a luz, o primeiro álbum  "A Portrait of Dissonance as a Young Man" está prestes a cumprir um ano que foi lançado e pode ser descarregado gratuitamente aqui.
Com uma óbvia influência dos Modest Mouse a pairar sobre a sua música, esta dupla consegue ainda assim seduzir o ouvinte com o seu indie rock repleto de nervo com aproximações aos Built To Spill, Japandroids e Frank Black.
Não sendo uma gravação catalogável de lo-fi, acredito que com uma melhor produção este disco teria outro impacto, no entanto é deveras recomendável e acreditando no seu valor, decerto descolarão em breve para uma sonoridade mais própria.

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Fat White Family - "I Am Mark E. Smith"

Os promissores Fat White Family ou Fat Whites acabam de lançar pela Without Consent, editora pertença da banda, um novo 10" limitado com o sugestivo título "I Am Mark E Smith". Para quem não sabe o Mark é o líder dos The Fall e a faixa em si soa mais a T-Rex com uma valente dor de cabeça! O vídeo tenta descrever um dia na vida de Mr. Smith ou algo do género.



quarta-feira, janeiro 07, 2015

Chastity Belt

Chastity Belt  é a nova aposta da editora Hardly Art, em cujas fileiras militam bandas tão recomendáveis quanto os Tacocat, Shannon & The Clams, La Sera, Protomartyr entre muitas outras.
"Time To Go Home" tem data prevista para 24/03 e é o segundo longa duração deste quarteto feminino praticante de um fuzz-pop na linha de bandas como as Vivian Girls. Por agora ficamos com o aperitivo que dá titulo ao álbum e que pode ser descarregado gratuitamente.

segunda-feira, janeiro 05, 2015

Topshelf Records 2014 Sampler

A editora Topshelf Records sediada em Boston acaba de disponibilizar um sampler relativo ao ano de 2014 contendo 93 faixas e o melhor de tudo é que pode ser descarregado gratuitamente aqui


sábado, janeiro 03, 2015

Mouca Mixtape 8

A editora Mouca (sim, somos da mesma família) especializada na edição de cassetes, acaba de lançar a 8ª mixtape e pode ser apreciada e descarregada livremente. 11 temas onde o lo-fi impera, a pop está presente em quase todos os temas, o shoegaze dá um ar da sua graça e alguma eletrónica caseira pica o ponto também.

2014 em concertos

Em época de balanços deixo-vos com uma lista dos concertos a que assisti no ano que acabou de findar. Infelizmente a febre dos festivais ao ar livre está em alta originando que boas bandas apenas passem por cá nessa ocasião. Quem fica a perder sou eu mas confesso que não sou nada adepto desta forma de levar a música às pessoas. Poderia ficar aqui a dissertar sobre o assunto mas ninguém tem tempo para ler textos extensos, por isso, segue a dita por ordem de visionamento. A escolha do melhor recai obviamente sobre os Swans algo que vai muito para lá de um mero concerto transformando-se numa experiência sensorial. Destaque ainda para a iniciativa do concerto secreto dos Guerilla Toss, ter o Calvin Johnson pendurado em mim numa foto e ter passado som a seguir aos Fujiya & Miyagi.


HU + Pterossauros - 24/01 - canhoto
Holy Wave - 20/02 - Canhoto
Wooden Sjhips - 05/03 - hard club
Scorton Silver Arrow + peixe- 07/03 - Mercedes
Tamar Aphek - 16/04 - Canhoto
Old Yellow Jack - 18/04 - Mercedes
Calvin Johnson + Moxila - 01/05 - Passos Manuel
Les Synapses + Dirty Coal Train - 02/05 - Canhoto
Crocodiles + Be Forest + Spy On Mars - 03/05 - Hard Club
ZA! + Schnaak and the Rundu Choir - 08/06 - Maus Habitos
Kid Congo and The Pink Monkey Birds - 13/06 - Armazém do Chá
Girls Names + Japanese Girl - 27/09 - Hard Club
Amplifest: Peter Brotzmann & Steve Noble, Marissa Nadler, Swans, Pharmakon - 04/10 - Hard Club
Amplifest: Wovenhand, Cult of Luna, VVovnds - 05/10 - Hard Club
Fujiya & Miyagi + rainy days factory + O manipulador - 25/10 - Hard Club
Maybeshewill + Flood of Red + Memoirs of a Secret Empire - 06/11/ - Hard Club
The Wands - 20/11 - Maus Hábitos
Esben & The Witch - 28/11 - Hard Club
Guerilla Toss + PlusUltra - 01/12 - (local secreto)

sexta-feira, janeiro 02, 2015

Broken Social Scene - "Golden Facelift"

"Golden Facelift" foi gravada durante as sessões de "Forgiveness Rock Record" de 2010, tendo sido recentemente resgatada para ser incluída numa compilação levada a cabo pelo jornal canadiano "The Globe And Mail". Confesso que fui perdendo interesse neste colectivo com o passar do tempo, mas ao ouvir este tema com a sua interessante dinâmica deu para avivar a memória de quando tropecei neles pela primeira vez e o entusiasmo daí resultante. Ajuda igualmente ter um vídeo assente numa colagem de imagens,(espécie de resumo do ano em 5 minutos) onde o bom e o mau se fundem e espelha um 2014 que de acordo com a banda “has not been without its beauty, but it has also been a year of incredible brutality and all of humanity has a great deal to answer for.”

domingo, dezembro 21, 2014

Os Melhores de 2014


Muita, mas mesmo muita música foi editada este ano. Como tal, eleger os melhores discos entre tanta oferta torna-se algo deveras complicado e por conseguinte os supostos melhores acabam por revelar, acima de tudo, os discos que mais me agradaram no cômputo geral, mesmo num ano em que tive mais tempo para investigação e audição.
A lista que se segue é composta por 50 títulos por ordem alfabética com uma pequena resenha, onde o psicadelismo impera nas suas diversas variantes, em que a atual dança /electrónica continua a não me seduzir, onde vários deles foram descarregados livremente no Bandcamp e onde não há lugar a melhor disco do ano, embora o dos Goat fosse o mais forte candidato. Provavelmente a minha fasquia de qualidade anda um pouco rasteira, ainda assim, mais de uma dezena ficou à porta e aposto que mais uns quantos vão ser descobertos no decorrer de 2015. A história é sempre a mesma mas no fim o que conta é o prazer de ouvir música. BOM ANO!


01.Adebisi Shank - This Is the Third Album of a Band Called Adebisi Shank 
Terceiro e derradeiro registo deste trio irlandês cuja fusão de rock matemático, electrónica e vocalizações robóticas foi suficiente para criarem um culto à sua volta. Com um pouco mais de esforço e poderiam ter chegado ao patamar dos Battles.



02.Allah-las - Worship The Sun
Uma banda com tantas referências a L.A. (o nome, a localização, a sonoridade) é óbvio que este segundo registo iria manter as influências que fizeram do disco debutante um pequeno fenómeno (surf-rock, Byrds, Love). Embora não tão imediato mas com uma melhoria em termos de arranjos, "Worship The Sun" cumpre mas terão que fazer algumas mexidas para o próximo.



03.Alvvays - Alvvays
Um dos discos de estreia mais aclamados pela critica musical este ano, "Alvvays" é um belo exemplo de como a música pop deveria ser: boas melodias, arranjos interessantes, uma voz cativante mas sem floreados, letras melancólicas e refrões que colam ao cérebro. Sou só eu que noto a influência dos Belly?



04.Amazing Snakeheads - Amphetamine Ballads 
Esta banda oriunda de Glasgow editou um negro disco debutante, onde as sombras de Nick Cave, Gallon Drunk, Flaming Stars, Suicide ou até mesmo dos companheiros de editora Sons & Daughters e Kills são projetadas por entre a fumarada de clubes noturnos de má fama.



05.Austerity Program - Beyond Calculation
Este duo de NY não é muito prolifico (isto de ser músico não está fácil) mas também não me parece que estão com pressa para despachar material. Acima de tudo, são tipos atentos ao detalhe (isto de ter uma caixa de ritmos obriga a ser muito certinho com os tempos) e a sua sonoridade Big Black / Shellac, Godflesh, Jesus Lizard também não alinha com modas passageiras. Nota: O disco pode ser descarregado livremente no Soundcloud ou Bandcamp.



06.Beverly - Careers
A união de esforços entre Frankie Rose e a desconhecida Drew Citron dos Ava Luna resultou num disco com uma sonoridade muito próxima ao registo de estreia de Rose, que entretanto regressou à sua carreira a solo, e a toda uma fornada indie-fuzz-pop (Best Coast, Vivian Girls, La Sera, Dum Dum Girls) que por mais óbvias que sejam as influências continua a soar sedutor, e este disco não é excepção.



07.Cheatahs - Cheatahs
Após um par de ep's que os colocaram no mapa e que levou a assinar um contrato com a Wichita, o homónimo disco de estreia desta banda liderada pelo canadiano radicado em Londres Nathan Hewitt, confirma que temos uma banda imersa nos 90, seja através da vertente mais sónica ou a facção shoegaze. Um bom disco mas que terá de ser mais original no próximo capitulo. 



08.Creepoid - Creepoid
"Horse Heaven" o disco de estreia desta banda de Filadélfia foi uma boa surpresa e "Creepoid" vem cimentar a opinião de que  são uma banda a ter em atenção. A sua fusão de grunge-shoegaze-post-rock-slowcore com tonalidades psicadélicas é um regalo para os ouvidos.



09.Dean Wareham - Dean Wareham
Outrora membro dos Galaxie 500, Luna e da dupla Dean & Britta, surge finalmente o longa duração em nome próprio e como seria de esperar não existem surpresas mas basicamente aquilo que Wareham faz e muito bem: canções de recorte clássico cantadas no seu timbre tão característico, letras contemplativas, melodias que trauteamos facilmente com uma boa produção a cargo de Jim James dos My Morning Jacket. Simplicidade, sinceridade e bom gosto resulta em discos como este.



10.Dope Body - Lifer
Donos de uma sonoridade mergulhada no noise-rock, post-hardcore e o grunge com costela metaleira, o novo registo desta pandilha de Baltimore é daqueles que deixa o ouvinte atordoado como se tivesse levado uma carga de porrada, ou de uma forma mais ligeira, é ótimo para libertar o stress. Tipico registo que na década de 90 seria editado pela Amphetamine Reptile ou a Touch & Go.



11.Esben & The Witch - A New Nature
Confesso que aquando da sua passagem pela Matador nunca me deixei levar por esta banda, com este terceiro disco auto-editado em regime crowdfunding e gravado por Steve Albini, o caso mudou de figura. Mais visceral como seria de esperar e com inclinação para o território Swans, pós-rockeiro e aquela voz tão próxima a P.J. Harvey, o trio parece ter encontrado o seu som e a curta mas intensa atuação no Hard Club deu para o confirmar.



12.Ex Hex - Rips
Veterana do universo indie, Mary Timony possuí uma carreira com passagens pelos Autoclave, Helium, Wild Flag (com 2 Sleater-Kinney), discreta carreira a solo e agora as Ex Hex, um power-pop-trio decidido a recuperar uma sonoridade mais 70's, seja através do glam, do punk, da new wave e até de algum rock FM. O resultado foi um viciante disco de festa para por a tocar bem alto numa noite de sábado rodeado de amigos e cerveja.



13.Geronimo! - Cheap Trick
Trio de Chicago editam o seu terceiro disco na mui recomendável Exploding In Sound Records. Tipico disco de quem cresceu a ouvir um pouco de tudo dentro de um universo mais alternativo, tanto temos eletrónica marada aparentada dos Devo, post-hardcore às pazadas, berreiro constante próximo dos Mclusky, guitarradas em frenesim ou com toques à Pavement, tudo com uma urgência e agressividade como se fosse o último dia na terra. Discaço que pode ser descarregado no Bandcamp.



14.Goat - Commune
Como referi na introdução, o segundo álbum desta pandilha de mascarados nórdicos foi um dos mais entusiasmantes deste ano. A sua fusão psych-rock-world-dance resulta em pleno e só não assegura o primeiro lugar porque faltou-lhe assim um "bocadinho" para lá chegar.



15.Gulp - Season Sun
Belo registo de estreia do casal Guto Pryce dos Super Furry Animals e a sua esposa Lindsey Leven.
Combinaram melodias folk-pop na linha dos Free Design, adicionaram uma camada psicadélica tão em voga, acrescentaram elementos kraut, prog, Morricone e synth-pop, e apesar de nos trazer à memória uma catrefada de bandas, soa bastante original.



16.Have A Nice Life - The Unnatural World
Segundo álbum do duo Have A Nice Life cujas elogiosas criticas referem influências que vão do shoegaze dos My Bloody Valentine, passando pelo pós-punk dos Joy Division e Cure, piscando o olho ao gótico via Bauhaus, até ao industrial mais acessível dos Depeche Mode e Nine Inch Nails, sem esquecer uma ambiência doom/black metal. Não é um disco fácil mas acaba por entranhar-se.



17.Holy Wave - Relax
Composições garage-surf-pop com valentes camadas de reverb e um teclado vintage a fazer-se notar seja em temas mais lânguidos na linha dos Psychic Ills ou mais acelerados a la  13th Floor Elevators. Um ótimo concerto num espaço exíguo em Fevereiro fez com que ficasse ainda mais fã deste disco.



18.Hookworms - The Hum
Após o estrondoso impacto de "Pearl Mystic" editado o ano passado, os Hookworms não perderam tempo e editaram "The Hum" no qual refinaram a sua fusão garage-psych-kraut-drone-punk com excelentes resultados. Eles não querem deixar os seus empregos mas não tarda vão perceber que já existe uma legião que os admira, e verdade seja dita, é totalmente justificada.



19.Ibibio Sound Machine - Ibibio Sound Machine
Mais uma estreia em grande por parte deste coletivo londrino liderado pela nigeriana Eno Williams.
Um caldeirão de influências (disco, post-punk, electro, funk e afrobeat) que resulta em pleno. Com um ouvido no continente africano e outro nas grandes metrópoles, esta máquina sonora certamente coloca qualquer um a dançar.



20.Lorelle Meets The Obsolete - Chambers
Banda mexicana que só agora tive o prazer de conhecer através deste "Chambers", o seu terceiro álbum. Valentes doses de space-psych-kraut-rock com ocasionais inclinações para o shoegaze ou o indie-rock mais sónico. Ingredientes certos para avariar a mioleira!



21.Mazes - Wooden Aquarium
Se "Ores & Minerals" o anterior registo do trio Mazes assegurou com todo o direito um lugar na lista de 2013, este "Wooden Aquarium" tem igualmente todas as qualidades para o fazer este ano. Uma pop que evita lugares comuns mas que não entra por experimentalismos inconsequentes e uma vertente pós-punk sem exageros e sempre com um sentido melódico a toda a largura.



22.Midriffs - Subtle Luxuries
Uma das melhores descobertas deste ano foi este disco dos Midriffs, banda de Boston apostada em fazer um belo cagaçal através do seu surf-garage-punk-pop, algo que garantidamente acontece e para a descoberta ter tido contornos a roçar a perfeição, "Subtle Luxuries" pode ser descarregado gratuitamente!



23.Nick Waterhouse - Holly
O produtor dos Allah-Las retorna com mais uma dose bem servida de soul / R&B/ swing/ rock & roll com uma produção a condizer e a receita continua a funcionar plenamente. É de facto uma viagem a outros tempos mas com a pinta deste conjunto de canções, vale sempre a pena embarcar.




24.Ought - More Than Any Other Day
Estreia dos canadianos Ought na Constellation seria algo perfeitamente normal não fosse o caso do som desta banda não encaixar com a estética mais pós-rockeira da editora. Letras de cariz politico e muitas interrogações, estética punk e uma variedade sonora que soa familiar mas que a banda vira do avesso. Não é por acaso que figuraram em muitas das listas dos melhores de 2014.



25.Parkay Quarts - Content Nausea
Embora provoque alguma confusão esta mudança de designação, a meu ver esta banda sendo apenas 50% dos Parquet Courts e com outros elementos, deve ser vista como um projeto paralelo e não uma brincadeira à volta do nome. Dito isto, "Content Nausea" soa basicamente à banda-mãe com uns piscadelas ao Devo, versões de Nancy Sinatra, incursões num território mais country e " Uncast Shadow Of A Southern Myth" garantidamente uma das melhores músicas deste ano.



26.Parquet Courts - Sunbathing Animal
Não tão "apunkalhado" como o deslumbrante disco de estreia "Light Up Gold" mas ainda assim com inúmeros pontos em comum, "Sunbathing Animal" é a continuação natural com mais elementos post-punk, alguns temas mais longos mas no geral é um somatório de diversas influências num disco coeso, viciante e que assegura um lugar de destaque no atual panorama indie.



27.Posse - Soft Opening
São de Seattle mas a sua sonoridade nada tem a ver com aquilo que regra geral é associado à capital de Washington , e que felizmente tem vindo a desaparecer. Por aqui temos um indie/pop /rock na linha dos Yo La Tengo, Feelies, Galaxie 500, Beat Happening. Simplicidade é a palavra de ordem num disco que poderemos adjetivar de bonito.




28.Proper Ornaments - Wooden Head
O argentino Max Claps une esforços novamente com James Hoare dos Veronica Falls e constroem um álbum assente na paixão que nutrem por bandas como os Velvet Underground, Love, Felt, Byrds, Beach Boys, The Jesus & Mary Chain, Teenage Fanclub, Ride entre outras. Apesar da fácil percepção das influências, as suas composições são  do mais "catchy" e é certo que voltamos a ouvi-las com todo o prazer.



29.Quilt - Held In Splendor 
Pegando numa base folk-rock, os Quilt acrescentam texturas enriquecedoras às suas composições, transformando este segundo disco num belo exemplo de conjugação de melodia, harmonia e arranjos sem parecer saturado ou sobre-produzido.



30.Real Estate - Atlas
Ao terceiro álbum os Real Estate consolidam o seu estatuto como uma das melhores bandas pop da atualidade. Prosseguindo no mesmo trilho inciado com "Real Estate" e "Days", não existem grandes novidades neste disco, apenas um aprimorar da sua sonoridade e uma piscadela de olho a um country-pop sem descambar.



31.Reverend Horton Heat - Rev
O que faz com que um disco desta veterana banda surja nesta lista não é um caso de nostalgia mas sim a confirmação de que Jim Heath e parceiros continuam a soar tão bem como nos seus melhores registos da década de 90. Rockabilly, garage, rock & roll, surf, mariachi e exótica combinadas de forma superior.



32.Sex Hands - Pleh
Recuperadores de uma estética "arty-lo-fi-do-it-yourself" que parte do pós-punk, o disco de estreia dos Sex Hands na excelente Faux Discx pertença de um elemento dos Cold Pumas,  soa aos primórdios dos Pavement, a bandas indie neozelandesas e a um surf-garage-rock na linha dos Hooded Fang ou Sonny & The Sunsets. Mais que tudo é um disco divertido e isso continua a ser bom.



33.Shellac - Dude Incredible
Albini, Weston e Trainer regressam com o seu quinto disco. Se o anterior "Excellent Italian Greyhound" ficou uns furo abaixo do habitual, neste "Dude Incredible" o trio está em plena forma e comprova mais uma vez que o seu rock agressivo e matemático continua a saciar estes ouvidos, sem esquecer a sua forma de estar no mundo da música.



34.Sleaford Mods - Divide And Exit
Confesso que inicialmente não fui muito à bola com este duo de Nottingham pois apesar de encontrar pontos de interesse, fiquei com a impressão que eram algo limitados. Recentemente voltei à carga e desta feita encaixei neste curioso universo de histórias repletas de dejetos, bebedeiras e palavrões a rodos. Dos The Fall passando por John Cooper Clarke até aos Streets, os Sleaford Mods prosseguem com o mesmo espirito de relatar a particular realidade britânica com um corrosivo sentido de humor.



35.Solids - Blame Confusion
Os Solids são um duo (guitarra / bateria) canadiano que não fogem muito da sonoridade dos conterrâneos Japandroids e Death From Above 1979. Adicione-se a escola indie americana dos Sonic Youth, Dinosaur Jr. ou exemplos mais recentes como os Metz e Paws e temos argumentos para um bom disco debutante, ficando por demonstrar no próximo disco se descolam de tão óbvias referências.



36.Soundcarriers - Entropicalia
Não foi preciso sequer chegar ao fim deste disco para perceber que tinha lugar garantido nesta lista. Colmatando o desaparecimento dos Stereolab e Broadcast, o terceiro álbum dos Soundcarriers conjuga, tal como os exemplos citados, easy-listening, jazz, bossa nova, tropicália, kraut, bandas sonoras vintage e obviamente o psicadelismo alucinogénico de outros tempos.



37.Swans - To Be Kind
Desde que regressaram ao ativo em 2010 e após discos tão louvados como "My Father Will Guide Me Up A Rope To The Sky" e "The Seer", Michael Gira e companhia continuam com uma qualidade e produtividade acima da média. Possuem um som único assente em excelentes músicos que recriam o que  a mente alucinada de Gira cria e ao vivo são uma coisa fora-de-série.



38.Tacocat - NVM
Os Tacocat são pop como as bolinhas coloridas que ilustram a capa do seu segundo álbum. São mais uma banda de Seattle, que como muitas outras da região, encontra forma de editar via Hardly Art uma subsidiária da Subpop com um catálogo invejável.  "NVM" é um belo disco de verão, daqueles que tocam em repeat seja no MP3 ou no leitor do carro.




39.Teleman - Breakfast
Com o fim dos subvalorizados Pete & The Pirates, parte da banda retorna sob a designação Teleman e com algumas alterações sonoras. A veia pop é impossível de disfarçar mas as guitarras nervosas dos Pirates dão lugar a um synth-pop que tanto se inspira nos Kraftwerk, nos anos 80, nos Grandaddy e até temos arranjos de cordas e saxofone. Acima de tudo mais um atestado de qualidade da composição de Thomas Sanders.



40.Temples - Sun Structures
Um dos discos mais aguardados deste ano, a estreia no formato longa duração dos Temples acabou por confirmar as expectativas criadas à sua volta. Uma pequena obra-prima de pop psicadélico/barroca onde não faltam as evidentes inspirações dos Beatles, Pink Floyd, Byrds, Donovan ou os mais recentes Kasabian e Tame Impala, uma produção caseira de topo e acima de tudo, um conjunto de canções com potencial de single. É obra!



41.Thurston Moore - The Best Day
Após a aventura Chelsea Light Moving, Thurston regressa aos discos em nome próprio  com um álbum mais de banda ao contrário do intimista "Demolished Thoughts". A sonoridade não difere muito dos Sonic Youth ou do anterior projeto, e apesar de haver todo um passado glorioso, Thurston continua a compor como se da antiga banda se tratasse. Basta ouvir os longos temas de abertura e perceber que podiam fazer parte do melhor cancioneiro da juventude sónica.



42.Tijuana Panthers - Wayne Interest
A sonoridade dos californianos Tijuana Panthers assenta num surf-garage-punk-rock onde nomes como os Gang of 4, Buzzcocks, Elvis Costello, Thee Oh Sees, Damned vêm à baila. Alternam entre temas bem acelerados com outros mais relaxados a entrar no terreno dos colegas de editora Allah-las. Longe de ser perfeito mas bem espremido dá um ótimo registo.



43.Ultimate Painting - Ultimate Painting
Ambos repetentes nesta lista, Jack Cooper (Mazes) e James Hoare (Veronica Falls, Proper Ornaments) após digressão em conjunto trocam composições e acabam por editar via Troubled In Mind este disco, onde facilmente reconhecemos a inspiração mas, acima de tudo, são 10 canções muito bem desenhadas.



44.Vacant Lots - Departure
Após um par de singles bem recebidos, o duo Vacant Lots estreia-se com "Departure", um registo onde o psicadelismo impera mas a marca Suicide faz-se igualmente notar. Por entre sintetizadores, caixa de ritmo e pedais de efeitos, acrescente-se uma costela punk que torna as suas músicas mais enérgicas e distancia a banda de um universo repleto de bandas regurgitadoras do passado.



45.Virginia Wing - Measures of Joy
Com um press release assente em referências aos influentes Broadcast, ao kraut cósmico dos Cluster e ao post-punk experimental dos This Heat, adicione-se os Stereolab, Ladytron e uns flocos de dream pop e ficamos com uma ideia de como soa "Measures of Joy" a promissora estreia desta banda londrina.



46.Warehouse - Tesseract
O caso em que tropeças numa canção e depois pesquisas no Bandcamp e a banda está oferecer o álbum começa a tornar-se algo usual mas não estava preparado para descarregar um disco tão fascinante quanto "Tesseract" a estreia desta banda de Atlanta que entretanto irá editar o disco através da nova editora do cabecilha dos Beach Fossils. Talvez por esta razão e pelo burburinho criado com este disco, já não é possível descarregar este belo pedaço de art-rock.



47.Weed Hounds - Weed Hounds
Já perdi a conta ao número de discos de estreia que povoam esta lista e este merece igualmente o seu lugar através do seu entusiasmante shoegaze reminiscente dos mais abrasivos My Bloody Valentine, da fase inicial dos Ride e Boo Radleys, dos crescendos à Sonic Youth e do noise-pop das Vivian Girls. Para compor o ramalhete, os Weed Hounds disponibilizam o disco através do seu site.



48.Woodsman - Woodsman
Terceiro, e a meu ver, o melhor álbum desta banda atualmente a residir em Brooklyn.  Temos kraut (Neu!, Can, Camera), temos psicadelismo (Hawkwind, Folläkzoid) e também algum experimentalismo. Porventura ainda vão aprimorar a sua fórmula mas dou-me por satisfeito com os resultados aqui obtidos. Trippy!



49.Wytches - Annabel Dream Reader
Power trio que foi criando uma expetativa em seu redor assegurando a edição do disco de estreia na Heavenly. "Annabel Dream Reader" conjuga um rock cavernoso próximo aos Birthday Party e Scientists, move-se por terrenos grunge da fase "Bleach" dos Nirvana, surf e berreiro à Pixies e uma adoração por garage psicadélico. Só não é perfeito porque é extenso e certas nunces vocais descambam para terrenos não muito do meu agrado.



50.Young Widows - Easy Pain
Formação noise-rock que com o passar do tempo tem vindo a refinar o seu som. "Easy Pain" localiza-se num espaço claustrofóbico e negro onde os Shellac, Jesus Lizard, Pissed Jeans e Nick Cave conseguem co-habitar mas todos lutam por obter mais uns centímetros.