terça-feira, julho 06, 2004

as 5 mais brutais

Numa destas noites em que aguardava que o sono chegasse, veio-me à ideia criar mais uma lista de músicas que transmitissem um cenário de violência, brutalidade, crueza, quer pela registo lírico, quer pela composição musical.
Várias canções dispararam na minha mente e outras há que não me recordo, mas por agora decidi compilar estas cinco.

1-BIG BLACK - Kerosene
2-DINOSAUR JR. - Don't
3-PIXIES - Something Against You / Tame (não me consigo decidir)
4-BLACK EYES - A Pack Of Wolves
5-PANTERA - Fucking Hostile

8 comentários:

Pedro Caprichoso disse...

A Música

“Há que experimentar as duas faces da moeda.
Só podemos valorizar o que de bom há na vida depois de experimentarmos o que de mau existe."
Vamos pegar no exemplo da música:
Independentemente do estilo de música de que se goste, não podemos ser extremistas. Para se dar o devido valor à boa música…

[Tool, A Perfect Circle, Air, At The Drive In, And You Will Know Us By The Trail Of Dead, Kyuss, Queens of the stone age, Beth Orton, Lou Reed, Mão Morta, Mogwai, Nine Inch Nails, Nirvana, Bjork, dEUS, Aimee Mann, God Speed You Black Emperor, The White Stripes, Tomahawk, P. J. Harvey, Rage Against The Machine, John Coltrane, Radiohead, Massive Attack, Sigur Rós, Led Zeppelin, Liars, Archive, Sonic Youth, Elbow, Tori Amos, Fionna Apple, John Lee Hooker, Kings Of Leon, Lambchop, Primal Scream, Portishead, Gomez, The Mars Volta, Ursula Rucker]

… há que ouvir, uma vez por outra, má música, a designada música “pimba”.
Mas pior do que má música portuguesa, só má música estrangeira. Sim, é preferível, sem sombra de dúvida, um Luís Filipe Reis cheio de pujança a cantar para mil e poucos emigrantes, do que os alemães Scorpions com a orquestra sinfónica de Berlim por trás, a tentar salvar a honra do convento. E que tal uma boa pimbalhada à moda de Emanuel? As velhotas lá da terra teriam orgasmos musicais. Em vez da fast music encomendada, espremida, insossa, ensanguentada, pútrida, cancerígena, empacotada, empilhada, bolorenta, sem sabor, sem alma, sem valor, como se de fast food se tratasse. Mas isto é apenas a minha opinião! Este é apenas o meu gosto musical. Quem sou eu para julgar a percepção musical de cada um?
Mais do que ouvir a “boa” ou a “má” música, o importante é saber dar o devido valor àquilo que se ouve. Para isso, há que sentir, e, neste caso específico, ouvir, sem constrangimentos.
Caso esteja a passar na TV uma certa banda que para ti é tão fraca que até chega a doer, não mudes imediatamente de canal – a miséria também merece ser admirada. Vamos, antes, apreciar. Depois da música acabar, vais-te sentir tão bem, tão aliviado, tão alegremente convencido da tua superioridade em relação aos broncos que ouvem a música daquela banda rasca. Isto, para toda a gente, isto, para todos os gostos musicais. Se alguém que idolatra Cláudia Isabel passa por um canal em que estão a passar uma banda tipo… Tool – a minha preferida –, nada é mais saudável do que ouvir aquilo que para essa pessoa deve soar aos gemidos de um gato com cio e, no fim, vanguliar-se da sua superioridade em relação aos broncos que, como eu, ouvem a música daquela banda rasca – a melhor do mundo, diga-se de passagem. Tool rules!

Os nossos gostos são tão pessoais e, por vezes, tão inexplicáveis de explicar – passe o pleonasmo – que por mais que nos forcem, por mais que nos tentem influenciar, não há volta a dar. Por mais que tentemos gostar de, por exemplo, Incubus - são muito fraquinhos! -, apenas por que nos queremos inserir num grupo que, por acaso, curte essa Banda, não há volta a dar.
“Gosto, simplesmente, porque gosto!”

Se bem que o inverso é bastante saudável: quando descobrimos algo que, anteriormente, julgávamos rasca. Ainda me lembro da primeira vez que ouvi Gomez: “Que grande merda!”, pensei eu. Somente dois ou três dias, depois de ter ouvido e ouvido o álbum umas boas 30 vezes, para poder meter conversa com um colega entendedor de música que me emprestou o CD e com quem simpatizava, já os aclamava como a melhor banda viva: “Que grande malha!”. Isto é muito corrente. Não se enganem! A boa música não entra à primeira. A boa música não é feita a partir de um simples refrão que entra no ouvido, enquanto que o resto da música serve apenas de compasso de espera até que, novamente, o refrão surja. A boa música tem de ser explorada, desventrada, desmontada até ao mais pequeno pormenor. A boa música é aquela de que mais lentamente nos cansamos. Isto é o mesmo que dizer: a boa música é aquela que mais lentamente perde a capacidade de nos surpreender. Outra coisa que temos de aprender, é ouvir música. Ouvir, simplesmente, música. A maioria das pessoas tem permanentemente ligado o leitor de CD’s, o rádio, ou a televisão, em algum canal de música, em casa, no carro, ou no emprego, mas sem prestar a devida atenção. Porque, ou estão a passar a roupa a ferro, ou a visitar um site pornográfico durante o expediente, ou a chamar “Cabrão” ao Cabrão que os ultrapassou na auto-estrada. Há que parar para ouvir. Há que deitar na cama, fechar os olhos, e sugar as vibrações. Agora que penso nisso, talvez seja por isso – por não se saber ouvir música – que a música de rima fácil, a chamada música pimba, fica no ouvido, entranhada no nosso subconsciente. Se estivéssemos atentos à música que ouvimos, em vez que estarmos impregnados no stress quotidiano, talvez enxergássemos o engodo, ou, talvez, os portugueses gostem de ser rasteirados, ou, talvez, gostem mesmo de má música. Mas isto é apenas a minha opinião!

A música possui vida própria, possui uma infindável sede de destruição de fronteiras: politicas, raciais, sociais, linguísticas, culturais, comportamentais, religiosas, sexuais... de todo o tipo de fronteiras. Para além do desporto, só a música consegue aproximar o ser humano de si próprio e do outro. Só a música consegue aniquilar as fronteiras entre o Homem. Só na música encontramos a solução para pormos de lado todos os pequenos dejectos – para não dizer merdas – que nos distanciam da vida, do importante. Quantos gajos ideologicamente de direita já compraram Cd’s dos “The International Noise Conspiracy”, ou dos “Rage Against The Machine”?! Quantos betinhos brancos curtem Hip-Hop?! Quantos analfabetos em finlandês veneram os grandes “Sigur Rós” – estou a ouvi-los neste preciso momento. Eu não percebo um caralho de finlandês, mas, mesmo assim, estou deliciado. Quantos moços que raramente faltam à eucaristia dominical possuem um exemplar de um dos álbuns de “Marylin Manson”, o proclamado anticristo?! Quantos ingleses conservadores não se passam ao ouvir clássicos de pessoal abichanado, tais como: Boy George, Elton John e Freddy Mercury. Se entrevistássemos um Inglês e lhe perguntássemos: “Gostas da música do Elton John?” Provavelmente, responderia: “Claro, claro que sim! Ele é muito bom.” Mas se lhe perguntássemos: “Gostas da música do homossexual Elton John?” É seguro que ele hesitaria e, talvez, nem sequer chegasse a responder.

A música é arte. A arte vive à parte. A música vive à parte. E, é claro, o artista só é um verdadeiro artista se for um pouco excêntrico. Todos os artistas são excêntricos; uns porque o querem ser, outros, porque se esforçam demasiado para não o ser e, outros, porque nem tão-pouco se ralam com isso – são “normais” – e por não se ralarem são considerados excêntricos. Não há fuga possível.

É bom! É muito saudável cantarolar ao som de Fátima Miranda, ou usar as canetas como baquetas ao som de Tool, ou transformar a vassoura lá de casa em guitarra enquanto imaginamos ser o Tom Yorke. Quem é que nunca sonhou? Quem é que nunca se imaginou na pele do seu ídolo musical? Quem é que nunca empunhou a riste o frasco de champô, a escova, ou, simplesmente, a mão fantasiando a existência de um microfone e começou galhofeiramente a entoar o último sucesso da sua banda preferida durante o duche? Quem é que nunca desatou a cantarolar no caminho da escola para casa? Até que a coisa acaba por se descontrolar – a música acabava por tomar conta – quando começamos a receber uns certos olhares de lado dos restantes patrícios. Quem é que nunca pirateou um CD? Quem é que nunca parou em frente daquelas lojas de electrodomésticos para ver e ouvir determinado videoclip? Quem é que nunca usou expressões do tipo: “Esta música é uma grande malha!”; “Isto é música Coca-Cola!”; “Isto é música à martelo!”; “Que grande som!”; “Que grande bafo!”; “Estes gajos são mesmos bons!”; etc. Quem é que nunca, sem muito bem saber como, começou a fazer batuques numa superfície contraplacada; talvez na mesa da sala de aula, talvez na mesa de pingue-pongue, talvez no tablier do carro? Quem é que nunca musicou? Quem é que nunca sonhou???

O puto também gostava de música. O puto tinha duas definições para a música. Ele definia a boa música como: pão acabado de fazer; e definia a má música como: merda desprovida de cheiro. Será que existe algo mais improfícuo do que merda sem cheiro? O puto sentia-se muito seguro de si quando exclamava: “Esta música é merda sem cheiro!”. Mas, na verdade, durante a sua vida, muita “merda sem cheiro” transformou-se em “pão acabado de fazer”, e ainda muito mais “pão acabado de fazer” se transformou em “merda sem cheiro”. O puto, ao longo da sua duração, aprendeu a escutar, a auscultar, a ouvir, a ouvir ainda mais um pouco, e só depois afirmar: “Esta música é merda sem fedor”. Felizmente, à medida que realmente se começa a viver a música, começa-se, proporcionalmente, a exclamar menos. As “merdas sem cheiro” são imediatamente descartadas; pior do que criticar é nem sequer criticar. As merdas inodoras passam a ter tão pouco de olfactivas como tão muito de vão. E aí, sim! Depois de se desprezar o desprezável. Aí, sim! A música má, peçonhenta, estridente, tóxica, verdadeiramente espalhafatosa, bolorenta, estéril, hidrofóbica, seca, desértica, deixa de ser ouvida: é censurada. A má música deixa de ser música; apenas se ouve a música – a verdadeira –; apenas se saboreia o “pão acabado de fazer”. Ao contrário do que se possa pensar, esta forma de viver a música não nos empurra para o gueto, pelo contrário, abre-nos os horizontes; escancara os horizontes do insondado; escarrapacha a música no seu estado mais puro; disseca cada carácter de cada palavra de cada verso de cada letra, até à mais ínfima e molecular simbologia; esmiúça cada milésimo de cada centésimo de cada décimo de cada segundo de cada minuto de cada faixa de cada álbum; depila pela raiz o mínimo vestígio de vulgaridade.

Vulgar? Eis algo que uma música não pode ser. Estática? Eis algo que uma banda não pode ser. Popular? Eis o que um músico não pode ser. Tudo, tudo menos popular. Porque, a partir do momento em que a fama surge, atinge-se o topo e depois… e depois é sempre a descer, até ao fundo do poço. Atleticamente falando: “O difícil não é atingir a boa forma, o difícil é mantê-la.” Consensual? Eis o que um músico não pode ser. Tudo, tudo menos consensual. Porque com o consenso vem a popularidade e depois é sempre a…
É importante causar estragos. É importante causar paixões. É importante causar ódios. Só podem existir grandes paixões, se existirem grandes ódios. São tão importantes os fãs que sabem – de entre outras coisas – quantas vezes por dia é que o vocalista “x” da banda “y” limpa o cu, como os odiosos anti-“y” que, pelo simples facto de não apreciarem a música da banda “y”, constroem um sítio na Internet onde chacinam o vocalista “x”, devido ao facto de limpar o cu 11 vezes ao dia.
Mas como em tudo, existem as excepções que confirmam a regra: bandas que, após atingirem o pico – da fama –, continuam a fazer boa música. De momento só me ocorrem dois grupos: Radiohead e Pearl Jam. E porque é que continuam a fazer boa música? Em primeiro lugar, porque são, simplesmente, bons músicos; e, em segundo lugar, porque não se conformaram, continuaram a experimentar, evoluíram. Os Radiohead são o caso mais flagrante.
Não sei com é que as pessoas se deixam conformar com bandas conformadas, com a música conformada. Tudo bem, gostos não se discutem, mas, as pessoas têm de se tornar mais exigentes, com elas próprias e com a música que ouvem. Ouçam mais música! Ouçam tudo aquilo que vos passar pelas mãos. A maior parte do pessoal liga o rádio e espera que a música fique no ouvido. E quando não fica, mesmo antes da música chegar a meio, já estão a sintonizar outra estação. Outra coisa que me faz passar dos cornos é o facto das pessoas emitirem uma opinião alegadamente formada sobre uma determinada música após a ouvirem apenas pela primeira vez. Fico fodido! A pior coisa que pode acontecer após se ouvir um álbum pela primeira vez, é a sensação de sentir que já conhecemos todas as músicas, é a sensação de já termos ouvido aquelas músicas umas cem vezes, é a sensação de sentir que aquelas músicas não nos fizeram sentir absolutamente nada. Ao se ouvir um álbum pela primeira vez, devemos, necessitamos e deveríamos ser obrigados a ouvi-lo do princípio ao fim; deveria sair um decreto de lei qualquer, ou, então, uma nova tecnologia, que obrigasse as pessoas a desvirginar um álbum como deve ser. Não há nada melhor do que passar meses e meses à volta de um álbum, por que de cada vez que o ouvimos, descobrimos mais qualquer coisa, sentimos mais qualquer coisa; aquela música que supostamente parecia ser a mais fraca é finalmente compreendida e passa a ser a nossa preferida. Os álbuns têm de dar luta! A música tem de dar luta! Mas, “dar luta” não significa necessariamente que a música tem de ser complexa: de grande duração, cheia de rodeios, alagada de diferentes sonoridades e com muitos instrumentos ao “barulho”. Não! Qualquer música de 3 minutos e meio, 4 minutos, apenas com voz e guitarra, ou apenas com voz, pode-nos deixar regalados por uns bons tempos.
O meu desejo, o desejo de qualquer apaixonado por música, não é possuir todos os álbuns de todos os músicos que fazem a boa música, que fazem a nossa música. Não! Bem, isso também! Mas, mais importante do que isso, é conseguir não nos deixarmos enganar pela música. É no mínimo frustrante, descolhoante, mesmo, quando nos apercebemos que aquela música, aquele álbum, aquele artista ou aquela banda que há uns dois meses achávamos que era de outro planeta, uma grande malha, não passa, agora, de merda em cima de um monte de ainda mais merda. Fica-se tão encavacado que até temos vergonha de dizer aos nossos amigos que temos aquele CD lá em casa, e nem sequer ousamos dizer que um dia – há já muito, muito, muito tempo – batemos o pé ao som daquela merda em cima de ainda mais merda.

eduardo disse...

eu só perguntei por 5 músicas que nos dê vontade de chutar a mobilia ou bater com a cabeça na parede e não sobre gostos ou o estado da música...de qualquer forma ficou registada a tua opinião.

mouco rouco disse...

Eu não vou conseguir... já é muito tarde. Mas ficam as 5 bandas (das que eu ouço) que, quanto a mim, em momentos conseguiram ser as detentoras da maior brutalidade/ crueza sonora:

1- Othrelm
2- June of 44
3- Cap'n Jazz
4- U.S Maple
5- Don Caballero

Anónimo disse...

Edu brutalidade só com Six Feet Under mesmo...qualquer uma das suas "canções" dá vontade de partir a mobilia toda...

Anónimo disse...

1- sonic youth - mildred pierce
2 - dead kennedys - drug me
3 - ratos de porão - caos
4 - black eyes - deformative
5 - the union of a man and a woman - are your new shoes fit for the new dance?

luís

eduardo disse...

Aos poucos tenho-me lembrado de outras bandas como os Naked City,Boredoms, Zeni Geva, Butthole Surfers ou até o "Negative Creep" dos Nirvana, mas o site ideal para descobrir bandas que encaixem nesta descrição é o www.loadrecords.com
Dos Lightning Bolt aos Noxagt passando pelos Pink and Brown,todas elas são passiveis de nos abalar as estruturas. Aconselho visita em dia de frescura mental caso contrário ficarão com uma dor de cabeça monumental!

Del Giorgio disse...

1 - Cattle Decapitation - Testicular manslaughter
2 - Morbid Angel - Bleed for the devil
3 - Cannibal Corpse - Addicted to vaginal skin
4 - Fear Factory - Crash test
5 - Sigur ros (qualquer uma)

Edu, podias ter botado na tua Faith No More - Jizzlober e Senser - Eject

WC, viste com que simplicidade aqui fiz 1 comentário?
Até me gastaste a rodinha do rato para chegar cá abaixo...

Anónimo disse...

jorge, esqueceste do cause of death dos obituary

luis